segunda-feira, 19 de abril de 2010

Enfim, brilha a estrela solitária


Tem coisas que só acontecem com o Botafogo, mas tudo tem limite. Perder uma quarta final seguida do campeonato estadual seria de uma sacanagem celestial com o time da estrela solitária. Além de injusto. Senão, recordemos.

O clube, após surra histórica para o Vasco, por 6x0, ainda no início do campeonato, contratou Joel Santana. Papai Joel, como é chamado, organizou o time e, mais do que isso, com seu jeitão paternal, trouxe ânimo e moral a General Severiano. Penso que o reencontro de Joel com o Botafogo foi excelente para ambos. Reencontraram-se em um momento em que o Botafogo precisava de um líder como Joel e este, uma missão como reerguer o Fogão das cinzas. Santana vinha de uma experiência até certo ponto traumática na seleção sul-africana, de onde voltou criticado pelos resultados e pela pronúncia do inglês. O Botafogo, apesar do respeitável ataque estrangeiro – o argentino Herrera e o uruguaio Loko Abreu –, não vinha muito bem das pernas. Eis que surgiu o folclórico – aliás, por que folclórico? – Joel Santana, de porte de sua prancheta, seu agasalho, suas mandingas, sua emoção, seus conhecimentos, sua experiência e sua aura de vencedor. A propósito, Joel é uma espécie de anti-Luxemburgo: um adepto do estilo clássico – não diria velho ou arcaico como querem os modernosos –, preso às pranchetas, agasalhos, conselhos e paixões. Do lado inverso, Joel também é um anti-Luxemburgo por ser refratário às modernidades futebolísticas do tipo laptops, pontos eletrônicos, terno e gravata, filosofias e um asséptico verniz de profissionalismo. Joel é uma espécie de Zagallo restrito ao âmbito carioca. O velho Lobo, diga-se de passagem, que também contribuiu com seu pé quente ao Botafogo, dando a camisa 13 do time ao uruguaio Abreu logo que este chegou.

Enfim, o Fogão mostrou-se um time obstinado rumo ao título. Ou melhor, rumo aos títulos, já que faturou Taça Rio, Taça Guanabara e, por conseguinte, o Campeonato Carioca, fato que não ocorria desde 1998. Passou por cima de todos os principais rivais: venceu o Vasco na final da Taça Guanabara, o Fluminense na semifinal da Taça Rio e o Flamengo, seu algoz dos últimos anos, nas semi da Guanabara e na final da Taça Rio. Incontestável, magnânimo. E o campeão de 1910 – e não “desde” 1910, na versão original de Lamartine Babo para o hino do alvinegro, mudado posteriormente –, faturou também o título de 2010.

Parabéns, Botafogo! Campeão Carioca, da Taça Guanabara e da Taça Rio de 2010!

JFQ

Toque de Letras

Em homenagem ao time da estrela solitária, abaixo, um “Toque de Letras” em dose dupla com dois belos textos de botafoguenses ilustres, Vinicius de Moraes e Armando Nogueira, falando justamente das suas paixões.
JFQ

* * *

Olhe aqui, Mr. Buster
Vinicius de Moraes

Olhe aqui, Mr. Buster: está muito certo
Que o Sr. tenha um apartamento em Park Avenue e uma casa em Beverly Hills.
Está muito certo que em seu apartamento de Park Avenue
O Sr. tenha um caco de friso do Partenon, e no quintal de sua casa em Hollywood
Um poço de petróleo trabalhando de dia para lhe dar dinheiro e de noite para lhe dar insônia
Está muito certo que em ambas as residências
O Sr. tenha geladeiras gigantescas capazes de conservar o seu preconceito racial
Por muitos anos a vir, e vacuum-cleaners com mais chupo
Que um beijo de Marilyn Monroe, e máquinas de lavar
Capazes de apagar a mancha de seu desgosto de ter posto tanto dinheiro em vão na guerra da
Coréia.
Está certo que em sua mesa as torradas saltem nervosamente de torradeiras automáticas
E suas portas se abram com célula fotelétrica. Está muito certo
Que o Sr. tenha cinema em casa para os meninos verem filmes de mocinho
Isto sem falar nos quatro aparelhos de televisão e na fabulosa hi-fi
Com alto-falantes espalhados por todos os andares, inclusive nos banheiros.
Está muito certo que a Sra. Buster seja citada uma vez por mês por Elsa Maxwell
E tenha dois psiquiatras: um em Nova York, outro em Los Angeles, para as duas "estações" do
ano.
Está tudo muito certo, Mr. Buster – o Sr. ainda acabará governador do seu estado
E sem dúvida presidente de muitas companhias de petróleo, aço e consciências enlatadas.
Mas me diga uma coisa, Mr. Buster
Me diga sinceramente uma coisa, Mr. Buster:
O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha?
O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal?
O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?

* * *
O Botafogo e Eu...
Armando Nogueira


Amar um clube é muito mais que amar uma mulher. Ao longo da vida, troquei de namorada, sei lá, mil vezes. E outras mil fui trocado por elas, mas a recíproca não está em jogo, agora. Jamais trocaria o Botafogo, nem por outro clube, nem por nada, neste mundo.

Guardo até hoje, integro, o sentimento do primeiro encontro. Foi no minúsculo estádio de General Severiano, na tarde do dia 10 de setembro de 1944. Tinha eu acabado de chegar de Xapuri, minha terra, e estava embasbacado com a beleza da cidade do Rio de Janeiro.

O jogo era Botafogo e Flamengo.

Meu primo Carlos gosta de assistir em pé, bem no meio da arquibancada; e é aqui que já estamos os dois. O primeiro degrau de cimento fica tão perto do campo que dá até pra ouvir o respirar ofegante dos jogadores. Como eles se xingam! Nunca pensei que fosse assim.

A partida começa. A multidão, dividida ao meio, alterna silêncios e gritos de guerra que me assustam um pouco. Até agora, já se foram 15 minutos de jogo e nada de gol. Meu coração, porém, já dá os primeiros sinais de uma simpatia que não tardará em palpitar dentro do meu peito. Sei que esse time do Flamengo está cheio de craques. Meu primo vai me cantando, um por um: "aquele é o Zizinho - um monstro... aquele outro é o Jaime - joga como um príncipe... esse aéi é o Pirilo".

Do outro lado, só há um craque de fama nacional: é Heleno de Freitas. O resto é de currículo modesto. Mas, todos trazem no peito uma estrela de cinco pontas, radiosa como a luz da tarde ensolarada.

Pois se bem me lembro, foi de vê-la reluzir no peito de Heleno que se deu a revelação. Hoje, mais de meio século depois, eu me pergunto, por mera curiosidade, por que será que não escolhi torcer pelo Flamengo? Afinal, o Flamengo já era o time mais querido do Rio. Dava - pra usar uma expressão mais moderna - dava ibope torcer pelo Flamengo. Tinha acabado de sair bicampeão carioca. Era certeza de alegrias pela frente. E, no entanto, eu preferi trocar o certo pelo duvidoso. Em nome de que idéia? Por que o Botafogo da estrela solitária simbolizada em Heleno e não o Flamengo de Zizinho, de Biguá, de Pirilo - uma soleníssima constelação de craques?

Afinidades eletivas, meus amigos. Coisas do coração. Mistérios da alma. Premonição, talvez, pois, no final do jogo, o Botafogo daria a volta olímpica saudando a sua torcida. Tinha goleado o Flamengo, ganhando de cinco a dois. Heleno marcar dois belos gols, um deles de cabeça. Uma testada bíblica!

Nascia, ali, uma simpatia de mão única, pois o Botafogo nem sabia da minha reles existência. Não sabia, nem precisava saber. O futebol é assim: desperta na pessoa um sentimento virtuoso que transcende a amizade, que vai além do amor e culmina no santo desvario da paixão. Tem de tudo um pouco, porém, é mais que tudo. Torcer por uma camisa é plena entrega. É mais que ser mãe, porque não desdobra fibra por fibra o coração. Destroça-o de uma vez no desespero de uma derrota. Em compensação, remoça-o no delírio de uma vitória.

O Botafogo tem tudo a ver comigo: por fora, é claro-escuro, por dentro é resplendor; o Botafogo é supersticioso, eu também sou. Quantas vezes, vi o roupeiro Aloísio sair dando nós nas cortinas da sede imperial pra amarrar as pernas dos times visitantes, em General Severiano. E eu acreditava piamento nos trunfos do feiticeiro Aloísio. Dava-lhe força pra que os sortilégios do futebol não traíssem o Botafogo.

Houve uma partida em que o Botafogo perdia de um a zero. Carlito Rocha, o grande bruxo da história do clube, me perguntou quanto tempo ainda restava de jogo. Meu relógio estava parado. Começou a esbravejar comigo. Gritava que a desgraça do time estava ali, no meu relógio. Relógio parado dá azar. Arrancou do meu braço a pulseira e jogu fora, com relógio e tudo. Era um reles "patek-cebola". No dia seguinte, Carlito me daria outro, de presente. Igualmente reles, mas, pelo menos, funcionando.

O Botafogo é bem mais que um clube - é uma predestinação celestial. Seu símbolo é uma entidade divina. Feliz da criatura que tem por guia e emblema uma estrela. Por isso é que o Botafogo está sempre no caminho certo. O caminho da luz. Feliz do clube que tem por escudo uma invenção de Deus.

Estrela solitária.

O Botafogo sempre oscilou entre Heleno de Freitas e Garrincha: pássaro de fogo, pássaro de luz; um era glória e tormento, o outro, humor e encantamento. Heleno era impiedoso como a ironia, que fere; Garrincha era límpido e generoso, como o riso, que conforta. Entre os dois jogadores, cujos tempos míticos se somam, e se eternizam, nasceria também para a perpetuidade alvinegra, um craque magistral.

Um dia, consumido de saudades botafoguenses, escrevi um breve poema sobre Nilton Santos. Quanta majestade no trato de uma bola! O moço jamais fez um truque com a bola. Só fazia arte. Nilton não era um jogador de futebol, era uma exclamação. Tu em campo parecias tantos/ E, no entanto - que encanto - eras um só: Nilton Santos.

O torcedor do Botafogo tem um coração repleto de memoráveis cintilações: convivem, na mesma estrela, dribles insondáveis de Garrincha, passes impressentidos de Didi, antevisões de Nilton Santos, cismas de Carlito Rocha e gols, muitos gols, de Heleno de Freitas, cada um mais épico que o outro.

O Botafogo sou eu mesmo, sim senhor! "

(publicado em “A Ginga e o Jogo”)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ganso na Copa?



Deu no blog do Neto de ontem, 15/4:  há indícios de que Paulo Henrique, o Ganso, do Santos, poderá estar na lista de Dunga para a Copa do Mundo. 

A CBF teria ligado para o Santos para pedir o passaporte do jogador.

Será?

JFQ 

E a Taça das Bolinhas vai para...

Finalmente, foi decidido o destino da Taça das Bolinhas. Ou não...

Por decisão do todo-poderoso Ricardo Teixeira, eterno presidente da CBF, o cobiçado objeto vai para o São Paulo, reconhecido oficialmente como o primeiro pentacampeão brasileiro. Consequentemente, também de forma oficial, decide-se o imbróglio do campeão brasileiro de 1987 a favor do Sport e contra o Flamengo.

A confusão, porém, continua, uma vez que a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, deve entrar na justiça pleiteando o título de campeão brasileiro de 87 para o seu clube e, por conseguinte, a condição de primeiro pentacampeão brasileiro, obtida em 1992. Aí, o Flamengo seria declarado, oficial, mas judicialmente, o legítimo e definitivo detentor da Taça das Bolinhas.

Para quem não sabe – alguém não sabe? –, essa taça deve ser entregue ao primeiro clube que conquistar três títulos brasileiros consecutivos ou cinco intercalados. O Brasileirão, a propósito, começou em 1971. A carta na manga da presidente do rubro-negro é um documento de 1997, em que todos os membros do Clube dos 13, inclusive São Paulo e Sport, reconheceriam o Flamengo como campeão brasileiro de 1987. No entanto, o presidente do clube pernambucano, Luciano Bivar – que já foi até candidato à Presidência da República –, já disse que o negócio não é bem assim, muito pelo contrário. E a discussão continua.

Essa história já deu muito pano para manga e, pelo jeito, continuará dando. De minha parte, reconheço todos os títulos oficiais – como o de campeão brasileiro de 1987 pelo Sport, por exemplo –, mas também os que chamo consensuais, ou seja, aqueles em que, no momento em que estão sendo disputados, são reconhecidos de forma praticamente unânime como um título portador de determinado status, muito embora não recebam a chancela da instituição oficial. Por exemplo: o título de campeão brasileiro do Flamengo em 1987.

Sim, exatamente! Ambos, Sport e Flamengo deveriam ser considerados campeões brasileiros de 1987. E ponto final. Um, pelo critério oficial; o outro, pelo consensual. Neste último – reconheço que é um critério um tanto estranho, mas justo –, comparo o título brasileiro de 87 do Flamengo aos títulos mundiais de clubes anteriores ao torneio oficial da FIFA, tais como o do Real Madrid, de 1960, os do Santos, de 1962 e 63, e os do São Paulo, de 92 e 93. Destaque-se: estes títulos mundiais não são reconhecidos como tais, oficialmente, pela FIFA. Mas quem há de dizer que o Real de Puskas e Di Stéfano, o Santos de Pelé e o São Paulo de Telê não foram legítimos campeões mundiais?

Para quem ainda não estiver cansado desse assunto, o que é difícil, vale a pena dar uma pesquisada na internet sobre a confusão envolvendo o Clube dos 13 e a CBF naquele fatídico ano de 1987. Alguns nomes também merecem pesquisa: Nabi Abi Chedid, então vice-presidente da CBF, e Carlos Miguel Aidar, então presidente do São Paulo e do Clube dos 13.

Em suma, o Flamengo deveria dividir o título de 87 com o Sport. Dessa forma, a famosa Taça das Bolinhas deveria ir para a Gávea. Porém, nada obsta uma atitude voluntária e simpática, além de justa, por parte do São Paulo, de entregar a taça ou dividi-la com o Flamengo. Até porque, fosse ele próprio, São Paulo, o vencedor daquela bendita Copa União (união?!), também não teria disputado o quadrangular imposto pela CBF, e não sendo oficialmente reconhecido como o campeão brasileiro. Ou, ainda, os dois, São Paulo e Flamengo, seguindo proposta do Vitor Birner, poderiam simplesmente derreter o objeto da discórdia. Eu complemento: derretê-lo em homenagem à Jules Rimet, uma taça muito mais importante para a história do futebol brasileiro do que essa geringonça feita de arame e gude.

JFQ

Abaixo, fotos do Flamengo (acima) e do Sport (embaixo), de 1987
Escalação do Flamengo: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho, Leonardo e Andrade; Bebeto, Aílton, Renato Gaúcho, Zico e Zinho.
Escalação do Sport: Flávio, Betão, Estevam Soares, Marco Antonio e Zé Carlos Macaé, Rogério, Ribamar e Zico (outro, claro), Robertinho, Nando e Neco.

Copa do Brasil se aproxima das quartas de final

Nenhuma grande surpresa na rodada de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Nem mesmo o placar do jogo entre Santos e Guarani: 8x1 para o time da Vila Belmiro.

Apesar do gol feito fora de casa, o Guarani terá sérias dificuldades para impedir a classificação do Santos... Brincadeirinha.

Considero não só a classificação do Peixe como certa – certíssima, aliás! –, como também as de Vitória, Atlético Goianiense e Vasco. Este, apesar da vitória pelo placar mínimo contra o Corinthians do Paraná, tem a favor de si o peso da camisa e decidir a classificação em casa.

As vantagens de Atlético Mineiro, Palmeiras, Fluminense e Grêmio são boas, mas, por motivos específicos a cada caso, acredito que os adversários ainda podem reverter a situação. Respectivamente, os adversários são: Sport, Atlético Paranaense, Portuguesa e Avaí.

Para as fases seguintes, eis o chaveamento:

A) O vendedor de Vasco x Corinthians-PR enfrenta o vencedor de Goiás x Vitória;
B) O vencedor de Santa Cruz x Atlético-GO enfrenta o vencedor de Palmeiras x Atlético-PR;
C) O vencedor de Fluminense x Portuguesa enfrenta o vencedor de Grêmio x Avaí;
D) O vencedor de Santos x Guarani enfrenta o vencedor de Atlético-MG x Sport.

Nas semifinais, o vencedor do confronto A pega o vencedor do confronto B, e o vencedor do confronto C enfrenta o vencedor do D.

JFQ

Libertadores às portas dos mata-matas

Só falta uma rodada para o fim da fase de grupos da Libertadores. Depois, todas as fases serão de mata-mata. Até a final.

Entre os brasileiros, a melhor situação é a do Corinthians; a pior, do Flamengo. O Timão fez um jogo sofrível contra o segundo melhor do grupo – nem por isso menos fraco –, o Racing, do Uruguai. Mesmo em Montevidéu, o time paulista foi nitidamente superior, com destaque para Dentinho. Como se não bastasse, até a torcida corinthiana foi mais numerosa e barulhenta que a do adversário. Em suma: por enquanto, está tudo muito tranquilo para o Timão, que tem tudo para terminar esta fase como o time mais bem classificado de todos. Para mim, o melhor do jogo foi quando faltou luz no estádio uruguaio e a Globo passou a transmitir Santos x Guarani, pela Copa do Brasil. Foi por pouco tempo, uns 10 ou 15 minutos, suficiente para ver dois gols em mais uma goleada santista. No caso, por 8x1. Falando em Santos, seria ótimo se Ronaldo retomasse um pouco da alegria de jogar futebol mostrada por Ganso, Neymar e companhia. Afora os velhos problemas de peso, idade, etc., o Fenômeno está aparentando tristeza, apatia; sem meias palavras: falta de tesão. Quem sabe, pela certeza de que não há mais qualquer chance de voltar à seleção brasileira.

O Flamengo, por sua vez, complicou-se bastante com a derrota para o Universidad Católica, no Chile, por 2x0. Está fora da zona de classificação – hoje, juntamente com o Racing, o Mengo está entre os segundos colocados que não se classificariam para as oitavas – e, mesmo cumprindo a obrigação de vencer o Caracas em casa na próxima quarta-feira, já não depende apenas de si. O Flamengo pode chegar, no máximo, a 10 pontos. Pelo andar da carruagem, ninguém com pontuação menor vai se classificar. O que não significa que todos os times que alcançarem os 10 pontos passarão para as oitavas. Ah, de quebra, caso se classifique, há uma probabilidade grande de pegar o Corinthians no primeiro mata-mata do torneio. Imagine: uma decisão, logo de cara, envolvendo as duas maiores torcidas do Brasil! Seria um jogão!

Dos oito grupos, dois já estão definidos: o 4 e o 7. No Grupo 4, deu Libertad (PAR) em primeiro, com 12 pontos, e Universitário (PER) em segundo, com 10. No Grupo 7, nossa Raposa de Belo Horizonte deu um ligeira vacilada contra o Colo-Colo: com o empate por 1x1, perdeu a primeira posição para o Velez Sarsfield. O time argentino faturou a liderança do grupo, com 13 pontos, e o Cruzeiro ficou com 11. Boa pontuação para um segundo colocado, suficiente para garanti-lo na próxima fase.

São Paulo e Internacional partem de situação semelhante. Estão em segundo, a um pontinho dos respectivos líderes, os quais enfrentam em casa. Ou seja, dependem apenas de si. Mas não podem dar sopa para o azar. No caso, o azar tem nome: Once Caldas, no caso do Tricolor, e Deportivo Quito, no do Colorado.

Nas oitavas de final da Libertadores, os primeiros colocados de cada grupo enfrentarão os segundos colocados em ordem inversa de classificação. Isto é: o melhor primeiro colocado enfrenta o oitavo segundo colocado; o segundo primeiro colocado enfrenta o sétimo segundo colocado; e assim por diante. Em decorrência do abandono do Chivas Guadalajara e do San Luis, ambos do México, da Libertadores 2009 por causa da epidemia de gripe suína naquele país, os dois já estão classificados para a próxima fase. O Chivas, na condição de 5º segundo colocado e o San Luis, de 6º segundo colocado.

JFQ

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quem é melhor: Messi ou Neymar?

Muito se fala se Messi já pode ser comparado a Maradona ou a Pelé. Na minha opinião, nem ao primeiro, muito menos ao segundo. Porém, após os 5 gols de Neymar, hoje, na vitória de 8x1 do Peixe sobre o Guarani, dentre outras várias façanhas que vem fazendo no Santos, já comparo o menino da Vila ao prodígio portenho.

Comparações à parte, que bom seria ver uma pelada entre Barcelona e Santos!

JFQ

terça-feira, 13 de abril de 2010

As crianças e o herói


Ele chegou calmamente, apesar de cercado por seguranças. À sua espera, uma legião de crianças de trinta e tantos, quarenta anos, que o rodearam tão logo passou ao lado da fila. Todos ali estavam ansiosos para entrar no teatro e ver o ídolo de infância lá dentro. Mas eis que o ídolo, qual um super-herói, surgiu do nada em frente a todos. Surgiu como um reles mortal, um mero Clark Kent, muito embora todos ali soubessem tratar-se de uma identidade secreta. Com paciência de Jó, o homem caminhou sob abordagens envergonhadas, tirando inúmeras fotos, dando autógrafos e mais autógrafos, respondendo gentilmente às perguntas, en passant, rumo ao recinto onde seria logo mais sabatinado por jornalistas e fãs. Quer dizer, somente por fãs, inclusive os jornalistas.

O mais engraçado era a reação atabalhoada, nervosa, das pessoas frente ao ídolo; para algumas, o maior ídolo que tiveram na vida. Quem não o conhece – mas como é possível alguém não conhecê-lo? –, fica surpreso com a afobação e a alegria daqueles muitos quarentões diante de um senhor, avô de dois netos, à espera do terceiro. Mal sabem, pobres ignorantes, que aquele sujeito é um mito, um semideus, um gênio da bola no país do futebol, que cometeu o grave crime de não ter ganho uma Copa do Mundo.

Como no casamento, em que os primeiros momentos de paixão selvagem vão, ao longo do tempo, se transformando em companheirismo, a relação entre esses quarentões e Zico converte-se da mais torrencial tietagem à postura carinhosa e reverencial. Todos ali sabem da importância da figura de Zico para nossas vidas. Nós, que jogávamos bola descalços, nas ruas e nos campinhos, já nos vimos como o próprio Zico! Quer dizer, esse privilégio era restrito aos melhores do time ou, numa iniciadora aprendizagem de política e economia, aos donos da bola. De qualquer forma, ser Zico não era para qualquer um e, ao mesmo tempo, o desejo de todos os meninos peladeiros.

Na entrevista, perguntado quem seria o ídolo de sua infância, Zico respondeu: Dida. Este, uma espécie de predecessor de Zico entre os ídolos do Flamengo. Além disso, Zico afirmou que “Dida” foi a terceira palavra que aprendeu a falar, depois de “pai” e “mãe”. Inevitável imaginar quantos não tiveram a palavra “Zico” nas suas primeiras falas. Palavras pronunciadas outrora em boca de criança, hoje, novamente ditas pelas mesmas crianças, tornadas adultas, resguardada, porém, aquela paixão infantil.

Lembro-me da discussão sobre quem era melhor, Zico ou Sócrates. Como corinthiano, defendia o doutor, meu ídolo máximo. Mas não dava para negar a genialidade do Galinho de Quintino. Que inveja e que medo daquele time do Flamengo! O melhor: pude vê-los juntos, naquela incrível seleção de 82 e em outras. Não, os craques dessa geração não perderam, não podem ser considerados derrotados. Afirmar isso é o mesmo que dizer que nós próprios, vindos dessa geração, somos derrotados. Em nossa cabeça de crianças, aquele time foi com certeza o melhor de todos, o melhor que já existiu. Somente deixou de levantar uma taça feia, ora por causa de um vilão italiano chamado Paolo Rossi, ora por terem passado criptonita no joelho de nosso Superman.

No dia de hoje revivi muitos momentos bons de minha vida graças à presença de Zico. Como é bom voltar aos tempos de criança! Como é bom rever um herói! Mesmo que sob a imagem de um simpático senhor, não mais como o magnânimo defensor das camisas rubro-negra e canarinha, soberano com a bola nos pés.

***

Hoje tive a feliz oportunidade de me deparar com Zico, ídolo de minha infância e ícone necessário a todos que gostam de futebol e que o viram em campo, em sabatina realizada pela Folha de S.Paulo. Em determinado momento da entrevista as luzes se apagaram. Ocorrera um problema elétrico envolvendo todo o shopping onde se localiza o teatro, e que não seria sanado até o final do encontro. Porém, o que era para ser um tormento, acabou provocando um clima mais intimista, aconchegante. Ouvir Zico nessas circunstâncias soou como ouvir estórias dos pais ou avós antes de dormir. Apesar da penumbra, assim como Zico, a sabatina foi 10.

De quebra, ainda consegui o autógrafo aí embaixo.

JFQ

Só milagre evita a final santa


Santos e Santo André só não fazem a final do Paulistão 2010 por um milagre. Ou, para os incrédulos, por um desastre. Para irem à final, São Paulo e Prudente precisam vencer por dois gols de diferença. Além disso, precisam derrotar equipes que se mostraram superiores em todo o transcurso do campeonato. E na casa do adversário. Fácil, né!
Se o resultado for mesmo Santos e Santo André, justiça terá sido feita: são, indiscutivelmente, as melhores equipes do campeonato.

O São Paulo, que me perdoem os amigos são-paulinos, não merece conquistar o título. Levou o campeonato com a barriga tanto quanto o Corinthians. Ambos passaram longe do empenho mostrado por Santo André, Prudente, Botafogo e, sobretudo, pelo Santos, sob o pretexto da prioridade da Libertadores. O tricolor chegou às semifinais um pouco por méritos e um pouco por sorte, já que os adversários diretos tropeçaram mais que ele na reta final. Além disso, um inesperado título do time do Morumbi seria um prêmio ao excesso de conservadorismo de Ricardo Gomes, que se recusa inapelavelmente a qualquer ousadia. Por exemplo: seria tão prejudicial ao time colocar juntos seus três atacantes, Washington, Dagoberto e Fernandinho? Em vez disso, Gomes prefere apostar em Cicinho, em condições sabidamente limitadas, aberto na direita, tirando o principal ponto de referência da área: Washington. Ressalte-se que não se trata de uma opção feita para o enfrentamento contra o Peixe, mas uma opção contumaz, aplicada contra qualquer adversário. Três atacantes, simplesmente e por definição, são inadmissíveis no São Paulo de Gomes. Fosse técnico do Santos, talvez colocasse Robinho, Neymar ou André na reserva para reforçar o meio ou a zaga.

O Santos joga com os laterais – Wesley na direita e Léo ou Pará na esquerda – contidos, subindo apenas na boa. Resguarda, ainda, Arouca e os zagueiros Edu Dracena e Durval. Aliás, Arouca e Marquinhos ficam mais atrás, fazendo o primeiro movimento de articulação rumo ao ataque. Um pouco mais à frente, Paulo Henrique e, de uns tempos para cá, Robinho, jogando muito bem um pouco mais recuado do que de costume. Praticamente todo o time articula-se do meio para a frente, movimentando-se e trocando passes sem parar no intuito de furar a zaga adversária e chegar ao gol. Quando não é suficiente, ainda têm o recurso, para eles fácil, do drible. Tratando-se de jogadores habilidosos como Robinho, Paulo Henrique, Neymar e André, o esquema vira um tormento, uma verdadeira tortura aos adversários.

Guardadas as devidas proporções, esse Santos tem algumas qualidades, mas também os defeitos da maravilhosa seleção brasileira de 1982. (Quem será o Paolo Rossi do Santos?). A qualidade: nível técnico elevadíssimo dos jogadores, não apenas na atuação individual, mas também em conjunto, unidos em um futebol bonito, ofensivo e, sim, eficaz quanto aos resultados. Afinal, quem falou que resultados não se constroem com futebol bem jogado? O defeito principal: justamente a dependência da ofensividade como fator essencial de contenção. Sim, o Santos, assim como a seleção de 82, defende-se, antes de mais nada, impondo ao adversário que não pare de pensar em se defender. Arouca seria o equivalente de Toninho Cerezo, ou seja, um habilidoso meia, que sabe articular a armar jogadas, sob uma função improvisada de defensor. Brucutu, brucutu mesmo, não existe. Será que isso é defeito?

Um outro defeito, para muitos uma qualidade, confundida com alegria, são as dancinhas. Na verdade, para o espetáculo, em todos os sentidos, é bom. Para o Santos, às vezes se mostra ruim, por ser a motivação que o adversário encontra em momentos difíceis para se superar. Isso aconteceu contra o Palmeiras e contra o Corinthians. No primeiro caso, o Santos acabou derrotado; no segundo, quase empata tendo dois jogadores a mais.

Ruim mesmo para o Peixe é a iminência do desmanche. Ninguém no Brasil tem tão bons e jovens jogadores impunemente. A temível janela para a Europa vem aí. Pelo menos, outras promessas santistas como Alan Patrick e Nikão, revelações da Taça São Paulo de Juniors deste ano, poderão futuramente mostrar o seu talento.

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O árbitro e a disciplina
Árbitro inexperiente em clássico decisivo já parte com uma missão duríssima: preservar a disciplina do jogo. Recurso útil: aplicação de cartões para manter sua autoridade desde o início. Problema: tanto a ausência como a distribuição excessiva podem justamente quebrar a aura de autoridade do “professor”. Foi o que ocorreu com o senhor Marcelo Rogério, que optou por distribuir cartões em lances de faltas “normais” e acabou refém de seu próprio critério e das reclamações constantes dos dois times. O festival de cartões, inclusive, começou com Neymar, em falta sobre Dagoberto. Sob protestos ruidosos da torcida e da encenação do são-paulino, Marcelo Rogério, quase que por impulso, aplicou o amarelo por uma falta, na minha opinião, não passível de cartão. Daí em diante, perdeu o controle do jogo. Resultado: teve que expulsar Marlos ainda no primeiro tempo e passou o resto da partida ouvindo bravatas de lado a lado e assistindo a tombos teatrais na tentativa de arrancar uma expulsão do adversário.

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Quando a TV come bronha

Após levar o segundo cartão amarelo, Marlos foi expulso. Ouviram-se críticas duras dos são-paulinos pelo rigor excessivo do juizão. Para tirar a prova dos nove, fazia-se necessário observar o lance do primeiro amarelo. Mas, cadê? Na Globo, pelo menos, até Cleber Machado não conseguiu disfarçar o constrangimento. Tanto a crítica como a justificativa para a atitude do árbitro ficaram mancas, restritas ao lance em que Marlos chuta e tira a perna na direção de Robinho.

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Os goleiros falharam?

Além do suposto excesso de rigidez do árbitro na aplicação dos cartões, foram ouvidas críticas aos goleiros. Mais a Rogério Ceni – quiçá, por ser um consagrado ídolo e pelo seu time ter perdido – do que a Felipe. O santista teria caído mal no chute de Hernanes, forte, porém defensável. Ceni, por sua vez, falhou no derradeiro gol santistas, catando borboleta, como se diz na gíria futebolística. Falharam mesmo? Talvez. Mas não vejo nada clamoroso em ambos os lances. O grande problema é que são erros cometidos por goleiros: o único jogador em campo cuja falha, por menor que seja, determina o resultado do jogo e do campeonato.

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A regra é clara
O primeiro gol do Santos – gol contra de Júnior César – vale uma lição em curso de arbitragem. Mostra com clareza a mudança de interpretação da regra do impedimento. Léo parte para a esquerda e lança na área. Ali estão dois jogadores santistas, Robinho e André, ambos em posição de impedimento. O impedimento deve ser observado no momento em que a bola parte. Antigamente, era marcado logo no cruzamento e, neste caso, haveria impedimento indiscutível, pois nenhum dos jogadores santistas estaria em posição legal. Porém, atualmente, mesmo sendo observado no momento do lançamento, o impedimento só é marcado após o desenrolar do lance, constatando-se a participação efetiva de um jogador em posição irregular. Ou seja, se Júnior César simplesmente deixasse a bola passar, qualquer movimento de Robinho ou André em direção à pelota configuraria o impedimento. Que azar!

Os gols da partida podem ser vistos pelo link abaixo:

http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM1245760-7824-OS+GOLS+DE+SAO+PAULO+X+SANTOS+PELA+SEMIFINAL+DO+PAULISTAO,00.html

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Outra ótima notícia para o Santos
Deu no blog Bola de Meia, de Bernardo Pombo, do jornal O Globo, ontem, dia 12/4. Os jogadores do Santos redimiram-se da atitude infeliz de há poucos dias e visitaram as crianças e adolescentes do Lar Espírita Mensageiros da Luz.

Abaixo, uma foto de Neymar brincando com uma criança atendida pela instituição.


Isso sim é postura de campeão!

A notícia pode ser lida acessando o link abaixo:

http://oglobo.globo.com/blogs/bolademeia/posts/2010/04/12/antes-tarde-jogadores-do-santos-voltam-atras-visitam-lar-espirita-283216.asp

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pra variar...

É impressionante a sina carioca dos últimos anos de ver Botafogo e Flamengo decidindo o campeonato estadual. Até a decisão do ano passado, pelo menos, a sina se completa com o Flamengo faturando o título em cima do freguês Botafogo. Eis uma nova chance para o Fogão, agora sob o comando do vitorioso Joel Santana, quebrar a escrita, entregando o posto de vice ao seu algoz. Pelo que se viu em 2007, 2008 e 2009, independentemente de quem vença, tem-se a certeza de jogos emocionantes. Ah, o Botafogo fará sua sétima final de turno seguida!

O Botafogo vacilou contra o Flu. Sorte que vacilou menos que o próprio tricolor. Foi um jogão, de muito empenho de lado a lado. O Fogão marcou um, o Flu, após Fred perder um pênalti, virou o jogo com dois gols do mesmo Fred. E o Botafogo “revirou”: 3x2. Emoção do começo ao final, muito embora o futebol carioca deva em técnica. Ou será que estou mal acostumado vendo o Santos jogar?

Já o Flamengo, que também foi menos vacilão que o Vasco, contou com uma mãozinha da arbitragem. Nem falo do questionável pênalti sofrido por Léo Moura, em suposto empurrão praticado por Marcio Careca, mas, sim, da escandalosa mão na bola de Willians, dentro da área rubro-negra. Se, como dizem, tem coisas que só acontecem com o Botafogo, é bom que o time da estrela solitária fique atento, pois também tem coisas que só acontecem a favor do Flamengo. Pois é. Como diria Januário de Oliveira: sinistro, muito sinistro...

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sábado, 10 de abril de 2010

O Santos e a inveja do pênis

O texto abaixo, publicado na Folha do S.Paulo em 9/4 último, é de autoria do ótimo cearense com aura de pernambucano Xico Sá. Independentemente da torcida, se para o Santos ou para o São Paulo, ou, como diria o próprio autor, sendo você torcedor ou secador, o artigo merece ser lido. Especialmente se você é apreciador do bom futebol.
JFQ

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O Santos e a inveja do pênis
Xico Sá


Amigo torcedor, amigo secador, que importa um campeão oficial, um campeão moral ou um campeão da superação espartana se já temos um campeão estético, festivo, dionisíaco e declaradamente mais genial há várias rodadas do torneio bandeirantes?
Nada.
A alegria, me sopra aqui do seu cadilac verde o velho Oswald, rumo aos Campos Elíseos, continua sendo a prova dos nove. O que o São Paulo, o Barueri prudentino e o Santo André terão a dizer para as novas gerações se conquistarem o caneco?
Nécaras. Apenas que valorizaram seus passes, alguns boleiros foram bem vendidos, combateram o bom combate, isso é lindo, aplausos. Na falta de requinte é o que resta, o miserável tédio de resultados. É o que terão a dizer, peito estufado, como lastro moral para a mídia que resolveu chamar o Santos de ""time da moda", a forma mais preconceituosa de negação do futebol bonito.
Todo mundo se acostumou tanto com os brucutus que a beleza ficou circunscrita ao modismo, a uma eventualidade, a um surto, como se fosse uma dengue ludopédica.
Triste, doloroso, mas o jornalismo hoje é tão retranqueiro como os Lazaronis da existência. Aí vem o baixinho Messi, do Santos da Catalunha, e desmancha o pragmatismo; aí vem o Neymar, do Barça da Baixada, e devolve, pelo inesperado, o medo do goleiro diante da vida. Se bem que é o Ganso o gênio deveras do time, que lembra o Clodoaldo no combate, que recorda o Gerson nos passes longos, que chega como um Tostão para o carrinho apenas diante das redes, que tem a elegância paraense do conterrâneo Sócrates Brasileiro, que fica feliz quando bota o André na frente do crime, que tem gosto pelo jogo na sua inteireza.
Sim, amigo, você está certo, o Peixe já ganhou o certame da aldeia, dez pontos na frente do segundo, mas a vida é mata-mata, vale a arena romana, cada lugar e hora um regulamento. Mas é óbvio que o alvinegro, clamo, repetirá as goleadas. Os meninos, que cometeram um único pecado grave neste ano, no episódio da ajuda ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, terão o perdão do xará Chico Xavier, naturalmente, tomara!
Seria muito castigo. Não obrigatoriamente para os santistas, mas para quem, de todas as cores, aprecia o fino da bola. Voltaria toda aquela ladainha de que espetáculo não ganha jogo etc. Porre! Uma baita redenção dos conservadores, dos que preferem perder jogando feio a correr o risco da promessa de felicidade que se constitui na beleza.
Não quero ouvir as risadas cretinas dos cavaleiros das mesas-redondas contra essa bela turma praiana. Prefiro as gargalhadas ingênuas dos vossos dentes de leite a todos os sorrisos artificiais da TV brasileira. Faz cara feia, cowboy Durval, renegado herói do bravo Sport, e segura essa zaga. Porque é bom lembrar dos cavaleiros solitários que garantem a porta do saloon alvinegro para que os meninos façam a farra lá dentro.
O bom é que, de repente, até mesmo quem tirava onda do Paulistinha, os viciados na Libertadores, tomaram gosto pelo torneio. O Corinthians conseguiu fazer cinco, e até o São Paulo jogou bonito. O Santos despertou a boa inveja do pênis da qual falava o doutor Freud. Futebol é penetração e arte.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Artista de rua e da bola

Na sexta-feira passada, dia 02/04, presenciei a performance de um artista de rua no Parque do Ibirapuera, aqui em São Paulo. Por sorte, eu estava com uma câmera em mãos e pude registrar a demonstração do talento desse artista. Seu nome é Fábio Teixeira da Silva, autodenominado "Fabola", figurinha fácil em programas de auditório na TV. E como fala! O vídeo está aí embaixo:


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O Paulistão Chega às Semifinais

Definidos os jogos das semifinais do Paulistão. De um lado, o clássico San-São. De outro, Grêmio Prudente e Santo André, os azarões.

O São Paulo arrancou sua classificação com uma vitória por 3x1 sobre o Santo André. Em um jogo movimentado, apesar do adversário oferecer relativa resistência, o tricolor foi sempre soberano. Destaque para o jovem Marlos que aos poucos volta a mostrar o bom futebol apresentado no Coritiba e nos primeiros jogos no próprio São Paulo. Falta a ele, porém, estabilidade, permanecer jogando bem por longo tempo. Ou, em linguagem boleira: não pipocar.

Sem dúvida, Santos e São Paulo devem fazer dois jogos daqueles, apesar do time da Vila Belmiro apresentar-se como a sensação do campeonato, levando certo favoritismo. Ressalte-se: favoritismo que pode ser enganoso, já que, como sabemos, clássico é clássico.

Quanto à disputa dos “pequenos”, há que se enaltecer em ambos os casos o ótimo trabalho de seus técnicos. Sérgio Soares há um bom tempo vem mostrando sua competência no Santo André, apesar do descenso para a segundona do Brasileiro no ano passado. Soares conta no currículo o surpreendente título da Copa do Brasil de 2004, o acesso do Santo André para a Série A do Brasileiro em 2008 e, coincidentemente, o acesso do Barueri, hoje Prudente, para a Sério B do Brasileiro em 2006.

Competência comprovada, apesar do pouquíssimo tempo como treinador, também pode ser apontada em relação a Toninho Cecílio. Defenestrado do Palmeiras, onde era dirigente, mostrou-se um herói aos neo-prudentinos, classificando o Grêmio para uma inédita final, após espetacular arrancada com 6 vitórias consecutivas.

Vale dizer, a grande decepção do campeonato foi o ex-time de Cecílio. O Palmeiras simplesmente não consegue sair da crise em que se afundou desde o ano passado. Sai dirigente, sai técnico, entram novos jogadores e o time continua com péssimos resultados. Ontem, encerrou sua participação no Paulista com um mísero 11º lugar e uma derrota para o Paulista de Jundiaí por 3x1. Nessa toada, o Palmeiras corre o risco de ter como único objetivo em 2010 não cair no Brasileirão.

Menos vexatória, mas também decepcionante, foi a participação do Corinthians. O Timão acabou o campeonato em 5º, próximo da classificação, com uma goleada de 5x1 sobre o rebaixado Rio Claro. Apesar dos discursos apontando a Libertadores como prioridade, ninguém mais do que o Corinthians valoriza o Paulistão. Portanto, a eliminação é considerada, sim, um fracasso, especialmente em se tratando do ano do centenário. De qualquer forma, ficaram algumas lições. Primeira: Roberto Carlos voltou a mostrar parte do ótimo futebol que o consagrou. Segunda: Dentinho, assim como Jorge Henrique – por que não os dois juntos? –, é um jogador rápido, muito útil ao lento, mas matador, Ronaldo. Terceira: Mano Menezes, pretendendo “dar uma força” a Rafael Santos, acabará por queimá-lo, uma vez que o jovem goleiro comete, pelo menos, uma falha grave a cada jogo.

Os quatro rebaixados foram os mesmos que subiram neste ano: Rio Branco, Rio Claro, Monte Azul e Sertãozinho. Coincidência? Não. Prova de que não basta time para subir; é preciso estrutura para permanecer na primeira divisão. A propósito, parabéns ao Ituano dos pentacampeões Juninho Paulista e Roque Junior: garantiram a permanência com uma virada sobre a Portuguesa, após estarem perdendo por 2x0. E foi o último jogo da brilhante carreira de Juninho.

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Adeus, Juninho


Juninho Paulista encerrou sua carreira como jogador ontem, vestindo a camisa do Ituano, vencendo a Portuguesa de virada por 3x2, em pleno Canindé. Com o resultado, o Ituano garantiu a permanência na primeira divisão em 2011. Juninho, diga-se de passagem, marcou um dos gols. Um belo gol, por sinal.

O pequeno Juninho começou e encerrou sua carreira no time da cidade com mania de grandeza. Sempre ágil na disparada do meio para o ataque, Juninho fez parte de grandes equipes, especialmente no São Paulo, no Vasco e na seleção brasileira. No São Paulo foi campeão, entre outros, da Libertadores e do Mundial de 1993, sob o comando do mestre Telê. No Vasco, onde tornou-se Juninho Paulista para se diferenciar de outro Juninho, o Pernambucano, conquistou o Brasileiro de 2000 (chamado Taça João Havelange, em mais uma dessas barafundas tradicionais que vez por outra acometem os campeonatos nacionais) e a Copa Mercosul do mesmo ano, em uma das viradas mais fantásticas já vistas no futebol: vitória por 4x3 sobre o Palmeiras, em pleno Parque Antártica, após estar perdendo por 3x0!

Juninho também jogou no Palmeiras, no Flamengo, no Middlesbrough da Inglaterra – onde foi ídolo – e no Atlético de Madri. Na seleção brasileira, para sua sorte, ao contrário de Emerson, contundiu-se às vésperas da Copa da França em 1998, mas foi titular do escrete que conquistou o pentacampeonato em 2002 no Japão e na Coréia do Sul.

Em suma, Juninho teve uma carreira grandiosa. E em nada diminui tê-la iniciado e encerrado no seu pequeno Ituano, onde continuará como dirigente. Aliás, como Itu, sua cidade, Juninho pode se visto como um pequeno que se faz gigante.

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A Liga dos Campeões Chega às Semifinais




Após os últimos resultados da Liga dos Campeões da Europa – Barcelona (ou Messi) 4x1 Arsenal, CSKA 0x1 Internazionale, Lyon 0x1 Bourdeaux, Manchester United 3x2 Bayern de Munique – foram definidas as semifinais do torneio: Barcelona x Internazionale e Bayern de Munique x Lyon. Mesmo com as derrotas, Bayern e Lyon classificaram-se por conta dos resultados obtidos nos primeiros jogos.

Emoções e futebol-arte da melhor qualidade não faltaram. As emoções ficaram por conta do Bayern que, em plena cidade de Manchester, vingou-se do balde de água fria da final da Liga de 1999, quando perdeu o título para o mesmo adversário nos últimos minutos da partida. Desta vez, o United, contando com Rooney mesmo contundido, fez logo 3x0: um gol de Gibson e dois do português Nani. Falando nisso, Nani marcou um gol de letra e de placa, fenomenal. Brasil, cuidado na Copa: Portugal não é só Cristiano Ronaldo! Ainda no primeiro tempo, o Bayern fez um gol e, aos 29 minutos do segundo tempo, o francês Ribery cobrou o escanteio e o holandês Robben marcou, de primeira, o gol da classificação. Também um golaço. O time alemão se valeu no maior número de gols marcados na casa do adversário.

O futebol-arte, ou melhor, o show, ficou por conta do excepcional Barcelona e do não menos excepcional Messi. A impressão é de estarmos presenciando um daqueles momentos históricos do futebol em que um time e um jogador fora de série despontam. Não vi o Santos de Pelé, mas, guardadas as devidas proporções, vi o Flamengo de Zico, o São Paulo de Raí, o Milan de Gullit e Van Basten, a Seleção Brasileira de muitos craques e do mestre Telê. O Barça de Messi entra para esse rol histórico, a merecer sorridentes lembranças futuras em quem teve a felicidade de assistir-lhe.

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Craque ou Gênio?

Armando Nogueira disse certa vez: “O bom jogador vê a jogada. O craque antevê”. Essa definição do craque é utilizada correntemente em discussões boleiras nas academias, botequins e arquibancadas mundo afora. Não obstante, há os rebuscamentos conceituais. Por exemplo: esse conceito de craque não cabe a Pelé, que não poderia ser comparado, por exemplo, a Platini, Zidane ou Romário, sabidamente craques. Pelé está além do craque: Pelé é gênio. A propósito, José Macia, o Pepe, companheiro de Pelé no Santos, sempre se apresenta como o maior artilheiro da história do Peixe, já que o Rei não conta (nas estatísticas, Pelé é o primeiro artilheiro santista com 1091 gols, Pepe é o segundo com “somente” 405).

Desenvolvi o prolegômeno acima para discutir o enquadramento de Messi na escala de status ludopédico. Messi, obviamente, é mais que um bom jogador, no mínimo, um craque, um cracaço. Mas seria um gênio? Estaria, senão à altura de Pelé, de Maradona? Os argentinos devem odiar esse tipo de colocação, mas...

Messi, com apenas 22 anos de idade, é um dos melhores jogadores dos anos 2000. De todos os tempos também, só que mais abaixo na lista dos grandes jogadores. Tomando-se apenas os argentinos, Messi vem sendo comparado a Maradona, para mim, o melhor jogador desde os anos 1980. Por que não dizer: o melhor jogador que vi na minha vida. Porém, falando nos hermanos, há sempre que se ponderar certo complexo de superioridade tipicamente portenha, além do vezo para discussões – e competições – eternas. Por exemplo, entre os próprios argentinos, existe a polêmica se Di Stefano não é o melhor de todos os tempos. Claro, não só da Argentina, mas de todo o mundo! Essa tese, inclusive, é defendida por Eusébio, o melhor jogador português de todos os tempos... ou seria Figo? Quem sabe, Cristiano Ronaldo?

Apesar do futebol maravilhoso que demonstra, apesar dos 4 gols contra o Arsenal e de tantos outros, ainda não coloco Messi no patamar de genialidade que concedo a Maradona. Comparo Messi, por ora, com a geração atual: Cristiano Ronaldo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo. Minha pergunta fundamental sobre ele é a mesma feita por Juca Kfouri: quem é melhor, o Messi de agora ou Ronaldinho Gaúcho no auge? Por enquanto, ainda vejo o brasileiro – sem qualquer nacionalismo – como melhor. Ambos são cracaços (uma categoria intermediária entre o craque e o gênio), mas estão aquém da genialidade de Pelé e Maradona. Motivo: estes conseguiram comandar suas seleções, e não só seus times, em conquistas mundiais. De Maradona, até mesmo, pode-se dizer que praticamente carregou a Argentina de 1986 nas costas, o que também é dito por alguns quanto a Garrincha em 1962.

É preciso, ainda, distinguir a “genialidade ampla” (outro conceito), como a de Pelé e Maradona, que dominam várias funções e formas de ocupação no campo, daquela “genialidade especializada”, voltada apenas a uma função. Ronaldo Fenômeno e Romário, por exemplo, são gênios na arte de marcar gols. Gamarra e Baresi, na de defender. O goleiro, por definição, só pode ser considerado gênio na sua especialidade.

Como se vê, o futebol é uma ciência (ciência?), cujo arcabouço conceitual precisa ser continuamente debatido, desconstruído e reconstruído a bem da perfeita análise desse universo de complexidade shakespeareana chamado futebol. Haja cerveja! Mas o bom mesmo é tratar o futebol menos como competição e mais como arte. Independentemente de ficar discutindo quem foi melhor ou como defini-lo, simplesmente encantar-se com todas as pinturas produzidas em campo por todos esses grandes artistas. Por ora: bravo, Messi!

JFQ

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Voz sensata em meio à insensatez

Merece aplausos o presidente do Santos Futebol Clube, senhor Luís Álvaro Ribeiro, pela postura sensata diante da lamentável recusa de vários jogadores do seu time em participar de doação de ovos de páscoa a crianças e adolescentes com problemas cerebrais (ver texto abaixo: “Atitude anticristã em nome de Jesus?”). Pelo que foi veiculado, as razões aventadas pelos jogadores são duas: 1) a instituição que abriga as crianças e adolescentes segue a doutrina espírita, diferente da religião professada pelos atletas, e 2) estar na presença dessas crianças “daria azar”. Sim, houve quem “argumentasse” a falta de um gesto caridoso com essa ideia estúpida! Se na primeira desculpa, o preconceito religioso, sinal primeiro de fanatismo, é a motivação, na segunda, a imbecilidade e a falta de espírito humanitário são retumbantes. Quanto à primeira: quer dizer que só se pode ajudar quem for da sua religião? Sobre a segunda: será que azar maior não é provocar imenso desapontamento em quem até agora só tinha olhos de admiração pelo futebol bem jogado?

No programa Mesa Redonda da TV Gazeta, apresentado na noite de ontem, e que contava com a presença de Luís Álvaro Ribeiro, o jornalista Flávio Prado vociferou contra os jogadores santistas. Chamou-lhes de imbecis, que o caso nada tinha a ver com religião, mas com ajuda a seres humanos, e que deveriam praticar a caridade porque dela necessitariam caso Deus não os tivesse dado o dom para o futebol, considerando, ainda, que não têm capacidade intelectual para fazerem nada além de jogar bola. Pois é, Flávio Prado estava muito bravo!

Em resposta, mas com um tom bastante mais ameno, o presidente do Peixe afirmou que não dá para forçar uma pessoa a fazer a caridade, tratando-se de um gesto necessariamente voluntário. O que é verdade. Mas disse também que na preleção do próximo jogo, argumentaria com os jogadores, mostrando-lhes o erro que cometeram e pedindo a cada um que redima tal erro doando a camisa do jogo à mesma instituição para que angarie recursos em prol daquelas crianças e adolescentes. Confesso que fiquei sensibilizado com o discurso do senhor Luís Álvaro Ribeiro, nitidamente constrangido, mas brando, sereno, em suas palavras.

O jornalista Chico Lang, inclusive, foi muito feliz quando disse que o presidente do clube está fazendo algo que deveria ser feito pelos pais dos atletas: ensinando-lhes o que é certo. Oxalá os meninos da Vila aprendam a lição e realmente revejam sua atitude, doando as camisas do próximo jogo.
Destaco que o presidente do Santos foi muito claro ao considerar aquela atitude um erro. Eu completaria: erro gravíssimo. Especialmente no caso daqueles que não são mais tão meninos assim, como Robinho, Marquinhos e Fábio Costa.

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Quem acompanhará os santos?

Santos e Santo André já estão classificados para as semifinais do Paulistão. As duas últimas vagas serão disputadas entre Prudente (34 pontos), São Paulo (33 pontos), Corinthians (32 pontos) e Portuguesa (31 pontos). Todos os quatro venceram seus jogos na rodada do último final de semana: Bragantino 2x3 Prudente, São Paulo 5x0 Botafogo, Ituano 0x2 Corinthians e Rio Branco 0x2 Portuguesa. O Prudente e o São Paulo dependem apenas de si. Corinthians e Portuguesa, além de vencerem seus jogos, precisam torcer pelo tropeço dos adversários ora mais bem pontuados que eles.

Na quarta-feira, dia 7/4, tudo se resolve: Corinthians x Rio Claro, Santo André x São Paulo, Prudente x São Caetano e Portuguesa x Ituano.

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Como dantes, ficaram os grandes

É certo que o Vasco penou para vencer o Duque de Caxias do técnico Álvaro Miranda, filho de Eurico Miranda, por 4x3. Mas os classificados para as semifinais da Taça Rio não surpreenderam ninguém. Como dantes, tal qual nas semifinais da Taça Guanabara, classificaram-se os quatro grandes. Eis os confrontos: Flamengo x Vasco e Botafogo x Fluminense. E que não se fale em favoritos. Os quatro têm a mesma chance de chegar ao título do turno e ao título carioca. Quer dizer, quanto a este, o Botafogo leva a óbvia vantagem por ter conquistado a taça do primeiro turno. Além disso, é o único dos quatro cuja única missão do momento é o cariocão, já que foi eliminado da Copa do Brasil.

Os jogos das semifinais prometem ser emocionantes até o último momento, como, aliás, foram nos últimos anos... no caso, com repetidos finais felizes rubro-negros e choros botafoguenses.

Menção honrosa ao segundo time de todos os cariocas, o América, sob direção de Romário, que fez uma campanha muito boa, após seguidas participações medíocres. Por muito pouco o Ameriquinha de Lamartine Babo não eliminou o Vasco do campeonato.

O Tigres foi o primeiro rebaixado. A segunda e malquista vaga para o descenso será disputada entre Duque de Caxias, Friburguense e Resende.

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O Poder do Esporte

Volto à frase de Nelson Rodrigues: “o pior cego é o que só vê a bola”. Pois sim. O futebol envolve muito mais coisas do que apenas vinte e dois marmanjos correndo atrás da pelota, como gostam de dizer seus críticos. Não apenas o futebol, mas todos os esportes têm essa extrema capacidade de apaixonar e mobilizar pessoas. Poder, quiçá, comparável ao da política e da religião. E não venham aqueles críticos – ou, em termos rodrigueanos, os “piores cegos” – dizer que esse poder se traduz em alienação. Eta, crítica démodé!


O esporte em geral e o futebol em particular geram paixões e ações, individuais e coletivas, para o bem e para o mal. Estimulam fanatismos, mas também trazem disciplina, concepção ética, senso de cooperação, orgulho de pertencer a um grupo. Tudo depende de quem o manipula e da consciência ou ignorância dos que estão à mercê das emoções esportivas.


Limito-me aqui aos bons exemplos. Primeiro: o Brasil nas Copas. Não há melhor momento de identidade e orgulho nacionais do que os mundiais. Mas há quem diga que isso é ruim, alienação... deixa pra lá.


Segundo exemplo do poder positivo do esporte: em 1969, o Santos e Pelé fizeram, literalmente, com que cessasse uma guerra civil no antigo Congo Belga para que sua população assistisse à partida. Terceiro: em 1998, na Copa da França, o direita francesa, utilizando-se de um discurso racista, tentou desacreditar sua própria seleção, composta por africanos, árabes, bascos e guadalupenses – filhos de imigrantes ou oriundos das ex-colônias –, dizendo que esse ajuntamento de estrangeiros não representava o país. Se deu mal: a França, sob o comando de Zidane, foi campeã e uniu o país.


O esporte, enfim, é uma poderosa arma de paz – com perdão do paradoxo perverso dessa imagem –, que pode ser utilizado para unir ou para pacificar, mesmo que temporariamente, povos até então desunidos ou em conflito. Com licença aos casos citados, o exemplo que gostaria de destacar – além de indicar um filme, ora em cartaz, e que retrata o ocorrido – diz respeito à superação do famigerado regime de segregação racial (apartheid) pela África do Sul, país da próxima Copa do Mundo de Futebol. Nelson Mandela, ser humano único, mostrou-se um verdadeiro craque político, utilizando-se de um evento esportivo para unir seu povo.



Com apenas um ano à frente da presidência do seu país, Mandela – ou Madiba, como é carinhosamente chamado pelos seus – promoveu um enorme esforço para que os negros torcessem pela seleção sul-africana de rúgbi, também conhecida como Springboks. Sim, os negros torciam contra a seleção de rúgbi de seu próprio país, associada aos brancos. A predileção dos negros sul-africanos é o futebol. Daí a rixa, muito bem representada pela frase preconceituosa repetida por brancos sul-africanos: “O rúgbi é um esporte de bárbaros jogado por cavalheiros, enquanto o futebol é um esporte de cavalheiros jogado por bárbaros”.


Mandela, contrariando os próprios negros, externou seu apoio e sua torcida pela seleção “de brancos”, que, mesmo desacreditada antes do torneio, acabou sagrando-se campeã. Não precisa dizer que, com o resultado, brancos e negros comemoraram o título mundial, sendo um enorme passo simbólico em prol da unificação nacional.


Essa história é contada em um bom filme, “Invictus” – mesmo recheado de clichês – do diretor Clint Eastwood, estrelado por Morgan Freeman, no papel de Mandela, e por Matt Damon, como François Pienaar, capitão da seleção sul-africana de rúgbi.


Neste ano em que Nelson Mandela – e todas as pessoas que almejam um mundo democrático, justo e pacífico – comemora 20 anos de liberdade, após 27 anos de prisão, nada melhor do que a sua pátria, a África do Sul, sediar uma nova Copa do Mundo, agora de futebol. A Copa FIFA de 2010 não deve repetir o resultado da Copa de Rúgbi de 1995, o que seria uma zebra do tamanho de um elefante. Mas deve, uma vez mais, unificar brancos e negros por um esporte. Desta vez, o esporte favorito destes.


É lógico que torcerei – e muito – pelo Brasil na próxima Copa. Ao contrário de outros países, a seleção brasileira nos mundiais é um inconteste fator de unificação nacional. Talvez, o maior que temos. No entanto, caso não sejamos campeões, seria maravilhoso, apesar muitíssimo improvável, ver novamente uma zebra sul-africana. Seria uma linda homenagem da história a esse homem bárbaro, no melhor dos sentidos, chamado Nelson Mandela. Além de um novo impulso à sua eterna bandeira de construção de um país em que todos, brancos e negros, vivam igual, fraternal e livremente.

E já sabemos: independentemente do esporte, esse Madiba bate um bolão!

O trailer do filme “Invictus” pode ser visto a partir do link: http://www.youtube.com/watch?v=ZIj2xov2W0A

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Em tempo: José Geraldo Couto escreveu um ótimo artigo comparando o caso francês de 1998 ao sul-africano de 1995: “A bola e o arco-íris”, publicado na Folha de São Paulo de 06/02/2010.

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Por falar em esporte e cinema, vale muito a pena assistir ao filme do diretor argentino Juan José Campanella, “O Segredo dos Seus Olhos”, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. Não, não é um filme sobre o futebol ou outro esporte, mas uma excelente trama policial com doses de drama, romance, suspense e comédia. Mas já valeria o ingresso pela sequência antológica de perseguição em um estádio de futebol durante uma partida do Racing contra o Huracán. A câmera agilíssima acompanha os mocinhos na sua busca frenética pelo suspeito de um crime, em ação iniciada com uma tomada aérea sobre o estádio, passando pela arquibancada e que só acaba em pleno gramado. Coisa de craque!

O trailer do filme pode ser visto no link: http://www.youtube.com/watch?v=T-8w1HrHQYU

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sábado, 3 de abril de 2010

Atitude anticristã em nome de Jesus?

Toda a beleza da fina flor do futebol-arte jogado pelos meninos da Vila chocou-se com uma atitude horrorosa, extremamente lamentável, protagonizada pelos mesmos jogadores. Anteontem, dia 01/04, a diretoria do Peixe havia programado uma participação dos seus jogadores em uma doação de ovos de páscoa a várias pessoas, incluindo crianças e adolescentes, a maioria com paralisia cerebral. Repito: crianças e adolescentes, a maioria com paralisia cerebral. Vários jogadores, entre eles Robinho, Neymar, Ganso, Fábio Costa, Durval, Léo, Marquinhos e André, recusaram-se a sair do ônibus alegando simplesmente que “não queriam”. A razão mais provável, porém, é que se tratava de uma instituição seguidora da doutrina espírita: Lar Espírita Mensageiros da Luz. O treinador Dorival Junior, visivelmente constrangido, foi incapaz de convencê-los a participar da entrega dos ovos.

Vale dizer, no início do ano, logo que assumiu o clube, a diretoria elaborou cartilha de conduta aos atletas em que um dos tópicos é a proibição de manifestações religiosas com a camisa do time.

Diante da atitude daqueles jogadores santistas, uma série de perguntas passa por minha cabeça. Jogadores com tamanha inteligência para jogar bola seriam capazes de pensar que uma instituição, por ser espírita, que abriga crianças com tamanhos problemas, tem um vezo demoníaco ou coisa do tipo? Ou seriam capazes de penalizar essas crianças por conta de um protesto medíocre contra a cartilha imposta pela diretoria do clube? Como jovens e promissores craques dentro de campo, fora dele são capazes de pisar tão feio na bola? Não perceberam a responsabilidade social que têm perante os fãs, especialmente crianças?

Acima de todas, a pergunta principal é: atletas tão bem sucedidos, em um momento espetacular de suas carreiras, seriam capazes de uma atitude tão anticristã em nome de Jesus? A propósito, alguém precisa dizer a esses “cristãos” que Jesus não pediu para ser adulado com dizeres em camisas ou dedinhos para o céu como forma de comemoração a cada gol marcado. Também, pelo que eu saiba, não ensinou que enchêssemos os cofres das igrejas com seus salários milionários. Pelo contrário, pediu para que nos desligássemos dos bens materiais. E ensinou, sobretudo, que amássemos nosso próximo e fizéssemos a caridade. Justamente o que se negaram a fazer no caso. Oxalá, que não o tenham feito em nome “Dele”.

Parabéns a Felipe, Edu Dracena, Arouca, Pará e Wesley, jogadores que mostraram personalidade e revelaram um lado verdadeiramente cristão, acima de preconceitos religiosos: foram conversar e brincar com as crianças enquanto lhes entregavam 600 ovos de páscoa. Mas, infelizmente, a atitude louvável desses poucos não apaga a escolha deplorável da maioria. Para mim, todo o encanto angariado nos gramados pelos meninos da Vila doravante conviverá com a sombra de uma gigantesca decepção.

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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Roberto Carlos: a supresa na lista de Dunga?


Considerando a última lista e a conhecida renitência de Dunga quanto aos seus preferidos, convocados com mais freqüência no decorrer dos quase quatro anos em que está no cargo de técnico da seleção brasileira, é pouco provável que haja alguma surpresa na lista final para a Copa. Apelos para que Ronaldinho Gaúcho, Neymar ou Ganso estejam na África do Sul em junho próximo parecem não sensibilizar em nada nosso professor. A propósito, em quais posições haveria ainda espaço para surpresas? Penso que as únicas vagas para as quais não há um nome certo são: o terceiro goleiro (os candidatos mais fortes seriam Victor, do Grêmio, e Gomez, do Tottemham) e o segundo lateral esquerdo. Para esta última vaga, tendo em vista que Daniel Alves pode exercer a função de ala também do lado esquerdo, Dunga poderia chamar um outro meio campista ou um quinto atacante. Quem sabe, o famoso substituto à altura de Kaká, já que, como destacou o Arnaldo em uma das análises SWOT, o Brasil tem como uma de suas fraquezas a dependência de Kaká.

Porém, caso Dunga opte mesmo por um lateral esquerdo e, mais do que isso, permita aos brasileiros e a si mesmo uma surpresa, acredito que a “bomba” pode ser Roberto Carlos. Sim, o tão criticado Roberto Carlos, que aos poucos vem se acertando no Corinthians, especialmente nos jogos contra o São Paulo e contra o Cerro Porteño. Após carrinhos atabalhoados e expulsões seguidas, o veterano ala voltou a mostrar sua categoria e experiência nas funções de contenção e de apoio. Além do mais, pelas circunstâncias dentro e fora do campo, o momento do lateral corinthiano assemelha-se bastante ao de Branco em 1994. O que pode causar descontentamento na maioria dos brasileiros. Mas, também, uma boa lembrança no capitão do tetra.

JFQ

Boa Rodada para os Brasileiros na Libertadores

Boa rodada para os brasileiros. Com exceção do Flamengo, todos os brasileiros jogaram esta semana e garantiram o primeiro lugar nos respectivos grupos, menos o São Paulo que é segundo, um ponto atrás do Once Caldas da Colômbia.

Jogando no México, o São Paulo não mostrou a mesma apatia, para não dizer leseira, dos últimos jogos. Também não mostrou ousadia. E nem precisava partir com tanta vontade para cima do fraco Monterrey. Val Baiano deve estar com saudades dos tempos do saudoso Grêmio Barueri. O fato é que o São Paulo jogou para empatar e conseguiu. Mas quase deixa tudo a perder no último minuto do jogo, por deméritos próprios. O técnico Ricardo Gomes, mantendo uma tradição que vem de Muricy, não joga com três atacantes; no caso, Washington, Dagoberto e Fernandinho. Tudo bem, em time que quer empatar e está empatando não se mexe; ou troca seis por meia dúzia: Dagoberto por Fernandinho. Só que além dessa falta de ousadia, o técnico são-paulino mostrou ainda excesso de prudência: no final, trocou o esquema com dois zagueiros – praticamente um luxo no time do Morumbi, já que o esquema com três zagueiros também é legado da vitoriosa era Muricy –, colocando Xandão ao lado de Miranda e Alex Silva. Se a intenção era dar mais proteção à zaga nos momentos finais, o tiro saiu pela culatra. O São Paulo chamou o adversário para sua área e quase se complicou. Destaque para Júnior César, aplicadíssimo na marcação pelo lado esquerdo.

O Internacional arrancou uma vitória importante contra Cerro do Uruguai, no Beira Rio. Após resultados negativos no gauchão, o Colorado fez 2x0 e preservou, pelo menos por ora, o emprego do técnico Jorge Forsati. Mas há quem queira a substituição deste por Muricy, que teve passagem muito boa por Porto Alegre, estruturando o time que sagrou-se vice-campeão brasileiro em 2005 e foi campeão da Libertadores e do Mundial em 2006. O Inter é forte, mas oscila bastante.

O Cruzeiro, por sua vez, mostrou o mesmo eficiente feijão-com-arroz do ano passado, quando chegou à final da Libertadores. Kleber, o gladiador, e Thiago Ribeiro foram os destaques na vitória sobre o Velez, no Mineirão. Resultado fundamental, já que a Raposa disputa ponto a ponto a liderança do grupo com o time argentino.

Finalmente, o Corinthians começou a partida contra o Cerro Porteño, no Pacaembu, com um time pesado e com muitas dificuldades na saída de bola. Até que a bola, uma vez mais, procurou Ronaldo, literalmente, que a colocou no fundo das redes. É impressionante, para não dizer fenomenal, como Ronaldo, mesmo parado em campo, é capaz de ser decisivo nas partidas. Após o gol, o Timão se soltou, especialmente do lado esquerdo. Roberto Carlos e Danilo mostraram bom entrosamento, produzindo boas jogadas, principalmente quando Dentinho caia por aquele lado. Dentinho, assim como Jorge Henrique quando entra, ficam sobrecarregados no esquema 4-4-2 por conta da pouca movimentação de Ronaldo. Têm que se movimentar em dobro. Sorte do Corinthians que pode alternar ambos, cada qual atuando uma parte do jogo. Vantagem de ter um bom banco de reservas. O grande destaque da partida foi Roberto Carlos, que, aos poucos, mostra por que é um dos melhores laterais de todos os tempos. Após a fase das expulsões, Roberto acertou a parte defensiva e agora começa a atuar bem no apoio. Outro destaque foi a Fiel: o Pacaembu estava lindo. O que pude constatar in loco.

JFQ



Resultados dos brasileiros na última rodada da Libertadores:


Monterrey (MEX) 0 x 0 São Paulo
Cruzeiro 3 x 0 Velez Sarsfield (ARG)
Internacional 2 x 0 Cerro (URU)
Corinthians 2 x 1 Cerro Porteño

A Copa do Brasil Chega às Oitavas

Caiu o primeiro dos meus palpites. O Botafogo de Joel Santana, em quem eu apostava como futuro campeão da Copa do Brasil, foi eliminado do torneio pelo Santa Cruz. Em partida bastante disputada, o Fogão foi derrotado por 3x2 em pleno Engenhão. Aliás, foi a única zebra até agora. No mais, todos os classificados foram mais ou menos aqueles já previstos. Ao lado, a tabela com os confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil. Entre os principais candidatos estão o Vasco de Phillipe Coutinho, o Galo de Luxemburgo, o Grêmio de Douglas, o Fluminense e seus guerreiros, o Palmeiras, apesar dos pesares, e o Santos, sempre o Santos.
JFQ

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Rodada da Liga dos Campeões da Europa

Bayern 2x1 Manchester United, de virada, com gol no último minuto. Bobeira feia da zaga do time inglês. Além do placar, o United sofreu um prejuízo talvez ainda maior com a contusão de Wayne Rooney. Aliás, a bruxa parece estar mesmo solta na Inglaterra: não bastasse o escândalo conjugal envolvendo Bridge e o ex-capitão Terry, e a contusão de Beckham, agora é o principal atacante – quiçá, o principal jogador do English Team –, que se machucou com certa gravidade. Por sorte, a previsão para a volta de Rooney é de apenas um mês. Para azar do Manchester, está fora da próxima partida, que é decisiva. Para sorte da seleção inglesa, a lesão não tira Rooney da Copa. Mas é certo que a seleção de Sua Majestade está precisando de um ingredientezinho bem brasileiro: uma boa sessão de descarrego. Ainda que mínima, o Bayern leva uma vantagem a Manchester. Contudo, apesar dos pesares, ainda acredito que o United, jogando em casa, leva a vaga para as semifinais.
O Lyon levou a melhor no clássico francês: 3x1 sobre o Bourdeaux. Resultado difícil de ser revertido, apesar do gol feito fora de casa. Com todo respeito aos franceses, essa me parece uma disputa para ver quem será eliminado na próxima fase. Pelo que tudo indica, será o Lyon.
O melhor jogo tinha mesmo que ser o do campeão mundial e, de fato, o melhor time do mundo neste momento. O Barcelona de Xavi, Iniesta, Ibrahimovic e, sobretudo, de Messi começou arrasador contra o Arsenal. Em pouco tempo já fazia 2x0 no time londrino. O Arsenal mostrou diante de sua torcida que é um bom time e tem capacidade de reação. Arrancou um empate: 2x2. Mas ficou a impressão de que, jogando em casa, o Barcelona só perde a vaga se houver um desastre daqueles. Ainda mais porque Fabregas também sofreu uma lesão, no perônio, e só volta a jogar na Copa.

Fechando a rodada, a Internazionale venceu o CSKA da Rússia, em Milão, por magro 1x0. De qualquer forma, o gol do argentino Milito garante a vantagem no jogo de volta. E não ter tomado gol em casa é outra grande vantagem para o time de Júlio César, Maicon e Lúcio. Já disse e repito: a Inter será campeã. Com Barça e tudo.

JFQ