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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Internacional, bicampeão da Libertadores


Considerando a ausência de tradicionais forças sul-americanas como o Olímpia, o River Plate e sobretudo o Boca Juniors, dizia-se desde o princípio da Libertadores 2010 que o campeão seria um brasileiro. O problema era adivinhar qual.

O Corinthians, pela “obrigação” do centenário e de nunca ter levantado a taça, o São Paulo, “rato de Libertadores”, e o Flamengo, campeão brasileiro, eram os mais visados quando se falava em favoritos. Cruzeiro e Internacional, apesar de sérios candidatos, eram vistos um tanto quanto como patinhos feios dentre os brasileiros. Eis que, ontem, surgiu um belo cisne colorado: Internacional, bicampeão da Libertadores, com todos os méritos.

O Inter já vinha mostrando força em 2009, quando conquistou o vice da Copa do Brasil e o vice do Brasileirão – uma lição para quem vive apregoando que vice é sinônimo de nada. A conquista de ontem, ademais, vem a reboque de outras conquistas internacionais, com o perdão do trocadilho, do Internacional. Aliás, o Colorado parece ter se especializado em títulos fora nestes anos 2000, no mesmo período em que não consegue a mesma façanha em âmbito nacional: campeão da Libertadores em 2006 e 2010, campeão da Recopa Sul-Americana de 2007 e da Copa Sul-Americana de 2008. Outra conquista internacional neste período foi a Copa Dubai 2008, um torneio de menor importância, mas simbolicamente relevante pelo adversário batido na final: 2x1 sobre Internazionale, possível adversário no próximo Mundial da Fifa, em Abu Dabi.

Em casa, o maior título do Inter é poder dizer que é bi da Libertadores, além de campeão mundial e quiçá bi daqui a poucos meses. Ou seja, no mínimo, está empatado com seu arquirrival, o Grêmio, nos principais títulos que um clube pode conquistar no mundo do futebol.

A campanha do Internacional nesta Libertadores foi marcada pelos altos e baixos, pela superação e por algumas revelações. Desde o começo, o time então preparado por Jorge Fossati já estruturava o meio-campo com dois volantes de qualidade inquestionável: Sandro e Guiñazu. Na zaga, os velhos conhecidos Bolívar e Índio, às vezes Sorondo, mantinham a boa defesa, também com a participação dos laterais Kleber e Nei. D’Alessandro – salvo os momentos em que o temperamento instável prejudicava – coordenou bem a ligação do meio para a frente, por vezes auxiliado ou substituído pelo também competente Andrezinho. O problema mais evidente foram os extremos: o gol e o ataque.

No gol, o questionável veterano Clemer deu lugar ao mais jovem, mas não menos questionável Lauro. A contratação de Abbondanzieri, conhecido do Boca Juniors e da seleção argentina, pareceu, enfim, acabar com a impressão de que faltava um goleiro à altura do time Colorado. Porém, as falhas do argentino fizeram com que Renan, repatriado da Espanha, tornasse o titular nos últimos jogos, em que pese também ser alvo de críticas por protagonizar também algumas falhas.

No ataque, as saídas de Fernandão e Nilmar, e a caída de qualidade do futebol de Tyson, fizeram o Inter diminuir seu ímpeto ofensivo. Às portas do recesso para a Copa do Mundo, apesar da classificação heroica contra o Banfield e homérica contra o Estudiantes, ambos da Argentina, a sensação do torcedor colorado era de que o time estava tirando leite de pedra. O descontentamento era tanto que o técnico Fossatti foi demitido e, no período da Copa – como fez bem ao Inter esse recesso! – a diretoria contratou Celso Roth, que, provou-se no final, arrumou o time.

Tyson voltou a jogar bem, Alecsandro tornou a ser o matador de antes, Giuliano – guardem esse nome, quiçá em convocações futuras da seleção brasileira – passou a mostrar que não é apenas um “amuleto”, mas um jovem e promissor talento. Além disso, as contratações de Rafael Sobis e Tinga, heróis da primeira Libertadores, deram ainda mais força ao Internacional rumo ao bi.

Se o Colorado chegara às semifinais, embora com bravura, aos trancos e barrancos, chegou soberano para as partidas contra o São Paulo e Chivas. Contra o tricolor paulista, é bom que se diga, a queda do adversário ajudou sobremaneira. Contra o Chivas, apesar das bobeadas – o Inter começou perdendo nas duas partidas –, as duas vitórias fizeram do Sport Club Internacional o incontestável campeão da Libertadores de 2010. Mais: bicampeão, tal qual o Santos, o Cruzeiro e... o Grêmio.

Parabéns, Internacional!

JFQ

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Brio



São Paulo 2x1 Internacional (semifinal da Libertadores)

Um jogaço. Foi o que se viu ontem, no Morumbi, entre São Paulo e Internacional. Disputa histórica, digna de menção por muitos e muitos anos. Não era para menos: valia vaga para a final da Libertadores e para o Mundial de Clubes da FIFA.

O que tornou a partida brilhante não foram os lances de técnica apurada, jogadas de puro futebol-arte ou coisa do tipo, mas o brio com que os jogadores do Tricolor e do Colorado abraçaram a disputa. Tinga parecia um leão, correndo por todos os cantos, marcando implacavelmente, arriscando-se à frente, a ponto de exagerar e ser expulso com dois merecidos cartões amarelos. Rogério Ceni defendeu perigoso chute de Tyson, exerceu sua liderança, motivando os companheiros desde antes até o último instante de jogo, a ponto de exagerar e cometer falta no que seria a última oportunidade são-paulina de classificação, indo às lágrimas. Os exageros de Tinga e Ceni, porém, não diminuem em nada a grandeza desses jogadores em campos.

Hernanes e Sandro, cada qual a seu modo, com seu estilo e com objetivos diferentes na partida – um deveria mais criar que destruir, o outro, o inverso – provaram que Mano Menezes acertou em convocá-los para a seleção. Guiñazu e Alex Silva revelaram-se xerifes implacáveis, no bom sentido, sem apelarem para a violência. Dagoberto e Alecsandro também foram perigosos no ataque, em que pese a competência do adversário em marcá-los. Até mesmo os que entraram, como Giuliano e Marlos, fizeram de tudo nos poucos minutos jogados.

Enfim, todos os que estiveram em campo ontem merecem os parabéns pela ótima partida, pelas emoções proporcionadas. O Internacional, além disso, merece os parabéns pela classificação, obtida, sobretudo, no primeiro jogo, quando foi muito superior ao São Paulo. Se no Morumbi as duas equipes demonstraram imensa vontade de vencer, no Beira Rio, isso só ocorreu com o Colorado.

Em uma partida em que, além da vontade de vencer, a disciplina tática foi o forte – Ricardo Gomes armou o São Paulo mais resguardado no meio, com Cleber Santana e Rodrigo Souto, para proteger os três atacantes: Fernandão, Ricardo Oliveira e Dagoberto; Celso Roth montou um paredão quase intransponível sob o comando de Tinga, Guiñazu e Sandro –, não foi surpresa que os gols saíssem em falhas do adversário. No primeiro do Tricolor, o goleiro Renan titubeou entre socar e agarrar a bola, que estourou em seu peito e sobrou para Alex Silva marcar de cabeça. No gol de empate, a cobrança de falta de D’Alessandro encontrou Alecsandro desmarcado para desviar de calcanhar. Logo em seguida, o lateral colorado Nei demorou para sair, dando condições a Ricardo Oliveira para chutar à queima-roupa.

E foi só. Ou melhor: foi um jogaço disputado por dois times briosos que fizeram por merecer uma disputa tão importante e empolgante.

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Lágrimas de Rogério Ceni


Apesar da “síndrome de Marcos” que acometeu Rogério Ceni no último lance da partida, o goleiro são-paulino mostrou por que é e será sempre ídolo da torcida tricolor. Desde a derrota no Beira Rio, Ceni buscou levantar o astral dos companheiros, motivando-os, afirmando que a classificação era possível. Em campo, foi o gigante de sempre. O choro ao final da partida pode parecer falso, “lágrimas de crocodilo”, especialmente a quem torce por algum arquirrival do São Paulo. Ou, também, para aqueles que acreditam que as conquistas do passado são suficientes; afinal, por que choraria um jogador tão consagrado, que já venceu Libertadores e Mundial, inclusive foi eleito o melhor deste torneio?

Talvez porque Rogério, como outros grandes ídolos veteranos que, apesar das críticas, persistem em continuar jogando pelo prazer de exercer a profissão que dez entre dez garotos gostariam de exercer e dez entre dez marmanjos lamentam não ter tido o talento e, quiçá, a sorte de terem exercido. Além disso, Ceni revela amor pela camisa que veste, algo tão raro atualmente. Eis o encanto do futebol, muito além do dinheiro e da fama que também proporciona.

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“Foi bonito”


“Foi bonito”, era a frase de Hernanes – o profeta, na brincadeira de Tiago Leifert – aos jornalistas para resumir a partida. Apesar da eliminação, apesar de não ter conquistado a Libertadores e o Mundial, com o semblante triste, Hernandes, ainda assim, definiu singelamente o jogo como “bonito”, espetáculo agradável a quem assistiu. Eis uma boa definição, se bem que um tanto insuficiente, para sua brilhante passagem pelo clube do Morumbi.

Hernanes fez ontem sua última partida pelo São Paulo. Vai para a Lazio, da Itália. Uma vitória com sabor de derrota, já que o Tricolor foi eliminado. No entanto, além da convocação para a seleção brasileira – o que deveria ter acontecido antes, para a Copa da África do Sul –, Hernanes leva o respeito, a gratidão e a saudade da torcida são-paulina. Afora Rogério Ceni, um ídolo para todos os tempos, Hernanes foi o grande nome são-paulino nos últimos anos, na era do tricampeonato brasileiro. Jogador de técnica apurada, que sabe marcar, armar e atacar, chuta muito bem, forte e com as duas pernas, Hernanes entra em uma nova fase de sua carreira, jogando pela Lazio e pela seleção brasileira. E, certamente, não será esquecido pela torcida do São Paulo.

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O Mundial dos Internacionais


O Internacional enfrentará o Chivas Guadalajara pelas finais da Libertadores. Mas, além desse confronto, já pode ir pensando em outro, possível de acontecer em dezembro: o confronto contra a Internazionale, de Milão. Aliás, em um torneio realizado há poucos anos, o Inter brasileiro venceu a Inter italiana, o que não prenuncia nova vitória, mas mostra que o bicho pode não ser tão feio assim. Para que o confronto entre os Internacionais ocorra em Abu Dhabi, contudo, tanto o colorado porto-alegrense como o xará milanês devem passar por um adversário prévio. Caso isso aconteça – o que é bem provável –, veremos uma bela partida entre Júlio César, Lúcio, Maicon, Schneijder, de um lado, Guiñazu, D’Alessandro, Tinga, de outro. Pena que Sandro já terá ido para o Tottheinham, da Inglaterra.

JFQ

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Chivas na final, brasileiro no Mundial

O Chivas Guadalajara venceu o Universidad Chile por 2 a 0 e garantiu vaga na final da Libertadores 2010. O time mexicano, que entrou já nas oitavas por conta da saída abrupta no ano passado, decorrente da epidemia de gripe suína, mostrou a força do México uma vez mais. Vale lembrar, os times mexicanos costumam aprontar na Libertadores. Que o digam o Flamengo, eliminado em 2008 num surpreendente 3 a 0 para o América, do paraguaio Cabañas, em pleno Maracanã, e o Boca Juniors, que conquistou o título de 2001 sobre o Cruz Azul apenas nos pênaltis, após perder a partida por 1 a 0, em pleno La Bombonera.

Em suma, a classificação do Chivas não é surpresa, como também não será zebra caso conquiste o título inédito. Mas aí é que está o absurdo da história: como os times mexicanos são apenas convidados na Libertadores, disputando vaga no Mundial apenas pela Concacaf, mesmo que o Chivas garanta o título, não irá ao Mundial de Clubes da Fifa no final do ano. Ou seja, o classificado será o vice, no caso, justamente o São Paulo ou o Internacional. Bom para os times brasileiros, ruim para o futebol. Ou será que todos os que disputam um campeonato não podem pleitear sua conquista e, assim o fazendo, não conquistam também a vaga no Mundial a que tem direito o campeão?

Pergunta: será que a UEFA permitiria que clubes de fora da Europa disputassem a Liga dos Campeões? Duvido.

A melhor saída talvez seja juntar os torneios da Concacaf e da Conmebol em um único campeonato do continente americano. Por exemplo, um quadrangular final com os dois primeiros de um e os dois primeiros do outro torneio. Não seria interessante uma disputa entre clubes brasileiros, europeus, mexicanos, norte-americanos? Quanto a este, há que se destacar o novo impulso da Liga Americana, que busca craques consagrados – ainda que em fim de carreira – como chamarizes: Beckham no Los Angeles Galaxy e Henry no Red Bulls são exemplos.

O que não dá é premiar o vice com um direito previsto ao campeão.

JFQ

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Poderia ter sido melhor. Poderia ter sido pior

Internacional 1x0 São Paulo (primeira partida das semifinais da Libertadores)


O Internacional venceu e não tomou gol em casa. Muito bom resultado. No entanto, diante das muitas oportunidades criadas, ficou com a sensação de que poderia ter sido melhor, ter saído do Beira Rio com um placar mais elástico.

Já o São Paulo, que perdeu e não fez gol, sabe que o resultado foi ruim. Aliás, Rogério Ceni, o melhor são-paulino na partida – quiçá, o melhor jogador em campo – saiu zangado com o time, achando tudo péssimo. Contudo, também há o que comemorar: considerando tantas chances do adversário, o resultado de 1x0 acabou sendo um alento, já que deixa o São Paulo vivo na disputa.

O Colorado foi soberano na partida. Só deu Inter, do começo ao fim. Com grande superioridade na posse de bola, o Inter sufocou o São Paulo, que raramente chegou ao campo adversário. No entanto, a superioridade gaúcha barrava na competente zaga tricolor. Isso, até o fim do primeiro tempo, quando Andrezinho acertou um belo chute de fora da área, defendido por Ceni. Seria a primeira de várias defesas. No segundo tempo, o Inter continuou pressionado, mas agora com sucesso nas finalizações. Rogério só não conseguiu defender o chute de Giuliano, que entrou no lugar de Andrezinho: em uma bela virada, pressionado por dois defensores, Giuliano acertou o chute, a bola bateu na trave direita e foi para o fundo do gol de Ceni.

No Inter, destaque para Guiñazu e Sandro, seguros na marcação e competentes na saída para o ataque, para Taison, que resgatou a velocidade perdida por algum tempo, e D’Alessandro, habilidoso, mas que peca às vezes por carregar muito a bola e pelo preciosismo das jogadas. No São Paulo, apenas os zagueiros Alex Silva e Miranda e, sobretudo, Rogério Ceni, merecem ser destacados. Fernandão – talvez um pouco acuado pela pressão da torcida que já foi sua maior incentivadora – e Dagoberto quase não tiveram a bola nos pés para criarem alguma coisa. O que se explica pela ótima marcação colorada, mas também pelo sumiço total de Marlos e Hernanes, o cérebro são-paulino, que parecia estar totalmente concentrado no que poderá ocorrer em Nova Jersey, no dia 10 de agosto, e não no que ocorria ontem no Beira Rio.

JFQ

terça-feira, 27 de julho de 2010

Opinião de Torcedora

Semifinal da Libertadores 2010
Internacional x São Paulo



Acho que o Inter é favorito nesse jogo. Somos fortes, temos raça e podemos sim ganhar. Afinal de contas, o Inter tem quatro vitórias seguidas nos jogos depois da Copa, e o São Paulo tem um empatezinho no mesmo período.



Helen Basegio, torcedora do Internacional





Mesmo o São Paulo não estando em boa fase no Campeonato Brasileiro, acredito na força do time em se tratando de Libertadores. Claro que estou com um friozinho na barriga, mas penso em um empate nesse primeiro jogo. E depois eles que agüentem a decisão no Morumbi lotado.



Aline Borguezan, torcedora do São Paulo

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Libertadores chega às semifinais com mais um confronto brasileiro

A Libertadores chega às semifinais com mais um confronto brasileiro: São Paulo e Internacional. O último, já que só os dois ainda representam o Brasil no torneio.

São Paulo e Internacional disputarão uma vaga nas finais. Como recordar é viver, os dois fizeram a final da Libertadores em 2006, quando o time gaúcho conquistou sua primeira – e, até agora, única – taça. Por ironia, naquela ocasião, um dos principais jogadores do Colorado era Fernandão, que assume a mesma condição hoje no Tricolor. Além dele, também Jorge Vagner, hoje no São Paulo, sagrou-se campeão da Libertadores pelo Inter.

Outra curiosidade é que os dois times se enfrentarão no próximo domingo. Não pela Libertadores, mas pelo campeonato brasileiro. Mera coincidência. Os jogos pelas semifinais da Libertadores acontecem apenas depois da Copa do Mundo.


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O campeão voltou?




O São Paulo passou como um trator pelo Cruzeiro. Duas vitórias por dois a zero, ambas com gols de Dagoberto e Hernanes. Ambas com grandes atuações de Marlos e Fernandão. A grande diferença entre os jogos é que, no segundo, infelizmente, houve uma participação decisiva também do árbitro.

Para ficar claro: o São Paulo não obteve sua classificação por causa da expulsão indevida de Kléber; o Tricolor conquistara uma vantagem importantíssima em Belo Horizonte, e dificilmente deixaria escapar a classificação. Porém, o exagero da interpretação de Jorge Larrionda sobre a mão do atacante cruzeirense no rosto de Richarlyson foi decisivo para que a Raposa não oferecesse qualquer ameaça na partida do Morumbi. Interpretações são sempre relativas, subjetivas, coisa e tal. Porém, não apenas pelo pouquíssimo tempo de jogo – que, a rigor, não é critério para que se dê ou não o cartão vermelho –, mas pelo lance em si, é difícil considerar que o senhor Larrionda tenha acertado na sua decisão.

O árbitro uruguaio considerou agressão o gesto de Kléber de abrir os braços quando da aproximação de Richarlyson. Essa atitude – proteger-se abrindo os braços – pode ser inconveniente, às vezes merecedora de cartão? Sim, às vezes: quando o jogador, de forma ríspida, atinge o rosto do adversário. Mas dificilmente será comparável a uma cotovelada, uma agressão propriamente dita, merecedora de cartão vermelho. O fato é que Kléber não agrediu Richarlyson; no máximo, disputou a jogada de forma atabalhoada. Para ser sincero, não achei sequer merecedor de cartão amarelo. O que ficou claro, interpretações à parte, é que Oscar Larrionda apita no grito. Duvido que daria o cartão vermelho não fosse a reação de Richarlyson e os apupos da torcida. Aliás, caso o entendimento de Larrionda fosse aplicado por todos os árbitros, muitos jogadores deveriam ser expulsos a cada jogo. Dentinho, do Corinthians, e Fábio Rochembach, do Grêmio, por exemplo, nunca mais ficariam 90 minutos completos em campo.

Há que se louvar a melhora que o São Paulo teve nesses dois jogos contra o Cruzeiro. Marlos, que já vinha se firmando como uma das principais peças na articulação do meio para a frente, assume a condição de jogador fundamental no esquema são-paulino. Arranca muito bem, iniciando a distribuição de bola para o ataque tricolor, e chega bem à frente. Porém, ainda falta melhorar a conclusão. Marlos costuma chutar mal e fraco ao gol adversário. Sanada essa insuficiência, será um jogador ainda mais perigoso, nos moldes do seu companheiro Hernanes.

A propósito, o ambidestro meio-campo são-paulino voltou a jogar seu melhor futebol, após longa fase de perda de brilho. Hernanes voltou a ser perigoso como antes, marcando atrás e chegando para aplicar seus tirombaços a gol, seja de direita, seja de esquerda. Para isso, deve-se reconhecer a participação de Fernandão. O novo reforço do time não deve ser considerado um gênio que mudou a história são-paulina, mas certamente, abriu ao São Paulo a possibilidade de um novo esquema ofensivo, servindo de pivô para as chegadas dos homens de trás. O ataque do São Paulo, sem a menor dúvida, tornou-se muito mais perigoso depois de sua chegada.

Arrisco-me a dizer que o São Paulo está com pinta de campeão. Assume a condição de favorito. Claro, ponderando-se tal condição com o velho discurso de que em clássicos, dado o peso do adversário, favoritismo não é certeza de vitória. Aliás, que o digam Corinthians e Cruzeiro, também considerados favoritos em seus confrontos, respectivamente, contra o Flamengo e contra o próprio São Paulo.

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O humano e o grito



O ex-jogador Sócrates, hoje comentarista, tem uma tese de que o futebol, acima de tudo, deve ser analisado pelo seu prisma humano. O futebol é encantador não só por conta dos esquemas táticos, das belas jogadas, da plasticidade dos lances. O futebol é encantador porque revela o ser humano na sua essência, seu lado racional e, sobretudo emocional, assim como os modos como se dão as relações humanas com suas belezas e mazelas. Faço esse intróito tosco – me perdoem – apenas para salientar que o árbitro, coitado, também está à mercê da imensa carga emocional que envolve uma partida. Não apenas os jogadores são vitimados ou fortalecidos pela vibração da torcida, que ora os eleva, ora os enterra, como também o juizão é passível dessa onda emocional.

Jorge Larrionda não agiu impulsivamente, muito menos racionalmente, ao expulsar Kléber. Foi levado pelo forte impulso emocional vindo do grito da torcida são-paulina no momento em que Richarlyson contorcia-se no chão. Arnaldo César Coelho, aliás, foi muito feliz ao definir a arbitragem de Larrionda: um bom árbitro, mas que apita no grito. Pelo grito, agiu (reagiu?), expulsando erroneamente Kleber. Sim, Larrionda errou. E errar é humano.

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A garra que vem dos pampas


Se o São Paulo assumiu a aura de “time de Libertadores”, o Internacional mostrou toda a tradição da bravura dos pampas. Para que esse espírito florescesse de vez, nada melhor do que disputar a vaga nas semifinais contra uma equipe argentina. Mais: o atual campeão do torneio.

Os dois jogos foram disputadíssimos, duros como se era de esperar. O Colorado, vale lembrar, conta com jogadores argentinos (Abbondanzieri, D’Alessandro, Guiñazu), com o uruguaio Sorondo, além do técnico Jorge Fossati, também uruguaio. Ou seja, essa mesclado elenco sul-americano, aliado à força gaúcha, resulta no melhor espírito de Libertadores. É o que se viu contra o Estudiantes.

Da mesma forma que na partida em Porto Alegre, o Inter resolveu a parada a poucos minutos do fim. Perdendo por 2x0 desde o primeiro tempo – destaque para o lançamento de Verón, cracaço, mesmo veterano, no primeiro gol do Estudiantes –, o Colorado partiu para o tudo ou nada. Mas só aos 43 do segundo tempo, em um passe milimétrico de Andrezinho, Giuliano tocou no canto, selando a classificação da equipe brasileira.

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O instável Flamengo, enfim, caiu


Não deu para o Flamengo. Apesar da vitória por 2x1, a vaga ficou para o Universidad de Chile, que vencera no Maracanã por 4x3. O Mengo foi brioso, lutou, mas chegou ao resultado previsível da instabilidade que demonstrou durante todo o torneio. Desde o começo, o Flamengo esteve no fio da navalha. Ainda na primeira fase, passando pelas oitavas contra o Corinthians, culminando na desclassificação de ontem, o rubro-negro oscilou bons e maus momentos na Libertadores. Eis um torneio em que estabilidade, no caso, expressão de um time bem estruturado, é fundamental para qualquer pretensão de título. Resta agora partir com tudo para o bicampeonato brasileiro (ou seria o hepta? O hexa?). E torcer para que a ameaça de crise, que também se mostrou claudicante desde o começo do ano, não acabe por estourar de vez agora.

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Campeão Mundial sem ser campeão da Libertadores?
O Chivas Guadalajara, que entrou já nas oitavas de final, também está classificado. Vai pegar o Universidade de Chile e tem boas chances de chegar às finais. Se isso acontecer, e o time mexicano for o campeão, quem vai ao Mundial da Fifa é o vice. Os times do México são convidados para o torneio sul-americano; a vaga no Mundial a que podem almejar é a decorrente do título da Concacaf, torneio referente às Américas Central e do Norte. E tal vaga já está preenchida para o Mundial deste ano: é do mexicano Pachuca.

Ou seja, caso o Chivas vença a Libertadores 2010, e o vice vá a Dubai no final do ano para representar a América do Sul, pode haver um campeão mundial que não venceu a Libertadores. Assim como o Corinthians em 2000. No caso, esse time seria o São Paulo ou o Internacional.

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Reforçando: as semifinais da Libertadores serão jogadas só depois da Copa do Mundo.

JFQ

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Os jogos de ida das quartas da Libertadores

Para os mais apressados, os jogos de ida das quartas de final da Libertadores foram marcados pela quase definição dos classificados. Para os mais cautelosos, porém, qualquer previsão é extremamente temerária.

O Chivas Guadalajara entrou “com o bonde andando”, mas entrou com tudo no torneio. Jogando em casa, arrasou o Libertad, do Paraguai, por 3x0. Para se classificar, pode perder por até dois gols de diferença. Se marcar um gol, pode perder por três gols. Lembrando que, caso o Chivas seja o campeão da Libertadores, o vice é que terá a vaga para o Mundial da FIFA. Só o Pachuca, campeão da Concacaf, representará o México em Dubai, no final do ano.

Quem se deu muito mal foi o Flamengo. Perdeu em pleno Maracanã para o Universidad de Chile por 3x2. Mas o jogo poderia muito bem ter acabado 10x10, tantas foram as oportunidades de gol incrivelmente perdidas. Agora o Mengo tem a missão duríssima de vencer o Universidad em pleno Chile, onde a pressão da torcida é muito forte, por dois gols de diferença. Reverter essa situação é possível, muito difícil, porém possível. De qualquer forma, o time carioca mostra ser o mais instável dos brasileiros na Libertadores.

O vexame do rubro-negro carioca não se limitou ao placar. Perguntado sobre as vaias e xingamentos vindos dos próprios torcedores do próprio Flamengo, descontentes com a atuação do time, a reação de Bruno não foi das mais tranquilas. “Estou me lixando para eles”, foi sua resposta. Depois de brigar com Andrade, desdenhando do ex-comandante por “nunca ter ganho nada” (Andrade venceu 5 brasileiros, foi um ótimo jogador, muito melhor que Bruno!), depois de soltar a pérola sobre sair no tapa com a própria mulher, agora Bruno lixa-se para quem paga ingresso e lota os estádios para ver o seu time. Conclusão inescapável: Bruno, calado, é um poeta! Além do destempero, a originalidade também não é o forte do goleiro. Afinal, estar se lixando também é o pensamento de certos deputados a respeito daqueles que os elegem, não é mesmo?!

Cruzeiro e São Paulo fizeram o segundo embate brasileiro da Libertadores. Mesmo jogando fora de casa, o Tricolor foi um time equilibrado, sólido na defesa e perigoso no ataque, durante toda a partida. Aliás, creio que tenha sido a melhor partida do São Paulo este ano. Não há como deixar de creditar ao estreante Fernandão boa parte dos méritos pelo resultado. Fernandão foi um exímio pivô – função que muitos queriam que Washington desempenhasse, apesar de não ser essa sua melhor característica –, preparando bolas para Hernanes, Marlos, Dagoberto e quem mais chegasse. Além dele próprio mostrar capacidade de desempenhar a função de matador.

O fato é que, com Washington, o time precisa jogar em sua função. A eficiência ofensiva, nesse caso, seria aumentada com um esquema 4-3-3, com dois segundos atacantes – no caso, Dagoberto e Fernandinho –, abertos nas pontos, a servir o “coração valente” na área. Como Ricardo Gomes é avesso a essa esquema, não admitindo perder meio-campo em prol de um atacante a mais, Fernandão passa a ser a opção ideal.

Além dele, Marlos e Hernanes articularam muito bem as jogadas de ataque, conduzindo a bola do meio para a frente. Na ligação, Dagoberto mostrou sua rapidez. Na zaga, mesmo com a ausência de Miranda, Xandão e Alex Silva cumpriram bem suas funções. Cicinho também foi bem, mostrando que aos pouco retoma seu melhor futebol. Rogério Ceni foi decisivo quando requisitado. O ponto fraco do São Paulo foi a marcação de Thiago Ribeiro nas escapadas pela direita, que, para sorte dos são-paulinos, não se transformaram em gol.

O já ganhou é sempre temerário e a humildade deve ser sempre valorizada. Mas, para mim, a vaga do Tricolor para as semifinais está garantida. Mais do que isso: a atuação do São Paulo o coloca como um dos grandes favoritos ao título. Muito embora, ser favorito nesta Libertadores revelou-se condição que dá um certo azar...

No jogo de ontem, o Internacional, jogando em casa e empurrado por uma torcida entusiasmada, enfrentou um páreo duríssimo: o Estudiantes, atual campeão da Libertadores. O jogo foi brigado e a bola só entrou a poucos minutos do final. Porém, o golzinho do uruguaio Sorondo pode ter sido o gol da classificação do Colorado. Apesar da necessária cautela – é bom lembrar que o Estudiantes em casa é fortíssimo –, acredito na classificação do Inter. O que resultaria no terceiro confronto de brasileiros desta Libertadores.

JFQ

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Opinião de Torcedor

Abaixo, comentários de torcedores sobre o confronto entre São Paulo e Cruzeiro pela Libertadores:




"Apesar de ser uma opinião suspeita, acho que o tricolor passa do Cruzeiro. O primeiro jogo vai ser truncado e aposto num placar 1 x 1, com destaque para a eficiência da zaga tricolor (Miranda vai dar conta do Kleber e o Alex Silva vai anular o Thiago Ribeiro). Já o segundo jogo vai ser bem mais aberto, tanto pelo fato do São Paulo jogar em casa e, por isso, se soltar mais ao ataque, como pelo Cruzeiro que vai tentar marcar um gol na casa do adversário a todo custo. Será um jogo bem mais interessante para quem gosta de futebol bem jogado, mas acredito que se não ocorrer expulsões bobas (tem ocorrido com frequência em jogos importantes) o São Paulo ganhará por um placar magro, mas que o levará as semi."

Rogério Ceron, são-paulino.


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"Acho que é grande a chance de o Cruzeiro enfrentar o Estudiantes em uma final novamente. Apesar de ainda haver indefinições em três jogos, na minha opinião, os confrontos nas quartas serão: Cruzeiro X São Paulo; Estudiantes X Inter; Chivas X Libertad; Flamengo X Universidad de Chile. Destes, caso Cruzeiro, Estudiantes, Flamengo e Chivas avancem, por exemplo, o Cruzeiro enfrentará o Flamengo na semi-final, e o Estudiantes pegará o Chivas. Se os dois avançarem, o que eu considero provável, teremos uma reedição do duelo!"

William, cruzeirense (www.cruzeiroonline.blogspot.com)

Mais um duelo brasileiro na Libertadores




Hoje tem mais um duelo de brasileiros pela Copa Libertadores. O Cruzeiro pega o São Paulo, em Belo Horizonte, no primeiro jogo das quartas de final. Promessa de uma partida muito disputada e emocionante.

O Cruzeiro, há um bom tempo comandado por Adilson Batista, tem uma formação leve, rápida, com bons laterais – Jonathan e Diego Renan – , e bons atacantes: Kleber e Thiago Ribeiro, este último em ótima fase. Também no meio-campo conta com a experiência de Gilberto, convocado para a Copa na posição de lateral. Ou seja, o São Paulo terá uma missão duríssima de conter o ímpeto da Raposa, que joga em casa, onde costuma ter um ataque fatal.


Por outro lado, o São Paulo, com um time mais pesado, sem tanta mobilidade, tem uma defesa bem estruturada. O grande problema do Tricolor nesta Libertadores tem sido não transformar em gols as várias situações que cria na área adversária. No entanto, hoje é dia de estréia de Fernandão, em quem se deposita as esperanças de solucionar aquele problema. O trabalho do atacante será facilitado caso as subidas de Marlos e Hernantes funcionem, assim como os cruzamentos de Jorge Vagner – ex-companheiro de Fernandão também no Internacional. Vale lembrar: dado o regulamento, marcar gol na casa do adversário é fundamental para a classificação.


É um clássico, um confronto entre dois grandes times, cada qual com sua característica, e que não deve ficar no 0x0. Além de ser um confronto sem favoritos.


JFQ

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Na Conta


Como havia perdido por 3x1 o primeiro jogo, o Internacional tinha a difícil missão de vencer o Banfield, atual campeão argentino, por 2x0 para se classificar às oitavas. Foi exatamente o que conseguiu. Incentivado por sua torcida, que lotou o Beira Rio, o Colorado se impôs desde o início. Logo de cara, D’Alessandro acertou um tirombaço na trave do Banfield. Ainda no primeiro tempo, Alecssandro marcou o primeiro. No segundo, Walter garantiu o gol da classificação. Méritos ao Inter, que não apenas marcou os gols necessários como impediu que o Banfield fizesse o seu, forçando o time gaúcho a buscar o terceiro tento.

Com a classificação, o Colorado é o quarto brasileiro classificado para as quartas de final. Ou seja, o Brasil terá nessa fase a metade dos times ainda em disputa.

O Internacional pegará nada menos que o atual campeão da Libertadores: o também argentino Estudiantes.

JFQ

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Valeu, Fiel!


Ronaldo não foi o fiasco do primeiro jogo, Elias estava ligadíssimo, Dentinho, ligeiro como sempre, o time, com a garra tradicional. Porém, para mim, o grande destaque corinthiano ontem foi a torcida. Descontada a atitude bocó de algum “torcedor”, tragado pela imbecil moda da luzinha de raio laser na cara dos adversários, o comportamento da Fiel foi grandioso. Mais do que isso: emocionante, inesquecível! Antes, durante e depois da partida.

No decorrer da semana que antecedia ao jogo, sabedora da difícil missão do time, milhares de torcedores foram aos treinos incentivar os jogadores. Notem o termo: incentivar, não pressionar. No Pacaembu, a torcida esgotou todos os ingressos e, munida de apitos, bandeiras e dos tradicionais gritos de guerra, empurrou o Timão até o fim. É claro que no ocaso da partida, naquele momento em que o saudoso Fiori Gigliotti narrava “crepúsculo de jogo, torcida brasileira”, a Fiel mais rezava do que propriamente torcia, pedindo aos céus o milagre do gol. E ele só não veio na falta cobrada por Chicão porque milagrosa foi a defesa de Bruno.

Só que o mais bonito – lindo mesmo – foi a manifestação da torcida ao final do jogo. Confesso que fiquei com nó na garganta e com um imenso orgulho de ser corinthiano. Em vez das vaias, cobranças e ameaças contra os jogadores, como na eliminação para o Palmeiras em 2000, ao contrário da tentativa de invasão de campo, como se vira na derrota para o River Plate em 2006, enfim, em vez de contribuir para a geração uma nova crise que fatalmente desestabilizaria o time daqui em diante, a Fiel mostrou que continuará sendo um importante apoio. A torcida amadureceu? Quem sabe. É fato que a dor, o sofrimento – sentimento tão corinthiano –, ajuda a tornar os espíritos mais sóbrios, serenos, fortalecidos. Talvez por conta do calejar de sonhos frustrados na Libertadores, a Fiel tenha descoberto que melhor que o desespero é a resignação honrosa e a persistência. Quiçá, compreendeu que o sonho não acabou: foi, uma vez mais, adiado.


O Corinthians, dado o comportamento da Fiel, não sai da Libertadores em crise, mas em paz. Claro, uma paz sem-graça, sob frustração, mas uma paz necessária à continuação do trabalho de Mano Menezes, competente treinador que já nos trouxe de volta à primeirona e nos deu dois títulos.

Sim, o Corinthians mais uma vez foi eliminado da Libertadores. Por mais algum tempo será lembrado pelos arquirrivais de que jamais levantou essa taça, alimentando ainda mais sua obsessão por conquistá-la. Parênteses: sustento a tese de que o Corinthians necessita de algum sofrimento como motivador histórico, tendo substituído o sofrimento do jejum de títulos pelo sofrimento da obsessão pela Libertadores; ou seja, esse sofrimento, de uma forma ou de outra, cumpre uma função, diria, existencial para o time e para os torcedores. Sem sofrimento, não há garra, não há luta de verdade, não há Corinthians. Fecha parênteses.

O centenário virou “sem ter nada”? Talvez. E daí? Há que se aprender que no futebol, não há espaço apenas para a lógica, a eficiência, a dita competência produtiva: os resultados. O futebol é – e jamais deixará de ser – o universo emocionante da caixinha de surpresas, do sobrenatural de Almeida, do imponderável. Ganhar ou perder, sim, fazem parte desse mais-do-que-esporte, dessa cosmologia chamada futebol. Para vivê-la em plenitude, deve-se aprender tanto a ser vitorioso como derrotado. Quem não se convence disso, embrutece a alma, vira um xiita enraivecido, valorizando as frustrações e não percebendo as próprias conquistas. Da eliminação de ontem, deve-se levantar a ideia de que não faltou competência aos jogadores, não faltou empenho, garra. O Corinthians, simplesmente, perdeu. Creio que a torcida, mesmo chateada, reconheceu isso.

O mais importante é que a Fiel mostrou, de fato, que nunca abandonará o Timão. Logo que terminou o jogo, recebi uma mensagem do meu cunhado, corinthiano roxo, dizendo: “Amanhã é dia de sair com a camisa do Timão”. Essa intenção, pelo jeito, generalizou-se. Hoje já vi vários corinthianos ostentando, orgulhosos, nosso manto sagrado.


A Libertadores um dia virá, assim como veio o “desjejum” em 77 e o Brasileiro em 90. Mas é bom saber que não depende da Libertadores o amor incondicional dessa massa de milhões de brasileiros apaixonados pelo escudo do Corinthians. Afinal, como diz a música do corinthiano Toquinho, “ser corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro”.

JFQ
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Em tempo: Infelizmente, não há como deixar de mencionar certos fatos. Hoje, o muro do Parque São Jorge apareceu pichado. Além disso, houve briga na saída do estádio.

Essas ações de uns tantos vândalos, contudo, não invalidam a beleza proporcionada pela massa da torcida corinthiana. Aliás, é importante não confundir vândalos com torcedores. (JFQ)

Como tinha que ser

Previa-se um jogo emocionante, e assim foi. O Corinthians partiu para cima do Flamengo, pressionando desde o começo. Ao final do primeiro tempo, o Corinthians tinha algo em torno de 65% de posse de bola contra 35% do Flamengo. Mais do que isso: o Corinthians terminava o primeiro tempo com o placar de 2x0, suficiente para classificar-se às quartas.


Quem não conhece Libertadores ou não tem a real consciência do tamanho desses dois times, pode ter pensado que as favas estavam contadas. Ledo engano. Logo no início do segundo tempo, Kléberson entrou, o Flamengo melhorou, e eis que Vágner Love, até então apagado, surgiu na entrada da área para bater cruzado no canto esquerdo de Felipe. Seria o gol da classificação.



O Corinthians sentiu o baque e o cansaço pela frenética movimentação do primeiro tempo. Com extrema dificuldade para furar a zaga flamenguista, ainda viu o time da Gávea contra-atacar perigosamente algumas vezes. No finalzinho, quase conseguiu o gol salvador em falta cobrada por Chicão, defendida brilhantemente por Bruno.

Final: Corinthians, eliminado, 2 x 1 Flamengo, classificado. Jogo emocionante, como tinha que ser. Fosse quem fosse o vencedor do confronto.

Pelas quartas, o Mengo vai enfrentar o Universidad do Chile ou o Alianza Lima. Provavelmente o primeiro.

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Se cuida, Tricolor!

O São Paulo, que se classificou aos trancos e barrancos contra o Universitário, do Peru, vai enfrentar seu algoz do ano passado. Mais do que isso, o Cruzeiro foi o time brasileiro que passou pelas oitavas de modo mais consistente e convincente. Venceu em casa por 3x1 e fora por 3x0 de um outro tricampeão mundial, o Nacional, do Uruguai. É claro que, assim como o futebol uruguaio, o Nacional não é mais aquele do passado, em que pese, em todos os sentidos, a sua tradicional camisa. De qualquer forma, o Cruzeiro está crescendo e já figura como um dos mais sérios postulantes ao título que deixou escorregar das mãoes em 2009, contra o Estudiantes.


Clássico é clássico, não há favoritos. Mas o São Paulo precisa mostrar que é capaz de jogar mais do que jogou até aqui. Principalmente, precisa converter em gols as oportunidades que cria. Ironicamente, é o que vêm fazendo bem a dupla de ataque cruzeirense, Thiago Ribeiro e Kleber, ambos com passagem discreta pelo Morumbi.

JFQ

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O espírito de 84

Perdoem-me os adversários e os rivais mais tradicionais, cruéis secadores nesse momento crucial. Peço licença para falar como torcedor. Afinal, trata-se de Libertadores, nossa obsessão.

O ano: 1984. Campeonato brasileiro, quartas de final. No primeiro jogo, o timaço do Flamengo aplicara “só” 2x0 no frágil Corinthians. Quer dizer, frágil em termos, já que era o bicampeão paulista e ainda contando com o genial doutor Sócrates. Do lado do Mengo, contudo, talvez o mais genial jogador daquele tempo em todo o mundo: Zico. Para piorar, além do Galinho, o rubro-negro contava com um jovem atacante baiano chamado Bebeto, ligeiro que só ele.

No entanto, perguntando aos corinthianos – que jamais havia levantado um título nacional, ao contrário do adversário, nada menos que o então campeão brasileiro –, o otimismo era observado com facilidade. A frase recorrente na Fiel em relação ao jogo de volta, em que o Corinthians precisava de uma vitória por dois gols de diferença para garantir a classificação: “O Timão pode até não se classificar, mas é certeza que ganha do Flamengo. Certeza!”. Impressionante: esse era o espírito geral dos corinthianos, valentes como nunca. Perdido por perdido, truco! E se o Flamengo é grande, o Corinthians é imenso. E o jogo é na nossa casa.

Resultado: o Corinthians entrou arrasando, como uma jamanta desembestada, muito embora tenha sofrido seus calafrios no começo da partida, sobretudo com as investidas de Zico e Bebeto. Mas o ataque foi um verdadeiro furacão sobre o gol do pobre goleiro argentino Fillol. Quando se deu por si, o alvinegro já tinha os dois gols a favor no placar. Só que, como se escutasse os gritos de “não para, não para, não para”, popularizado tantos anos depois, continuou em cima do poderoso time da Gávea e fez mais dois: 4x0. Ao final, ainda tomou um gol esquisito em uma bola prensada entre Paulinho e Adílio, que encobriu Carlos. Os 4x1, placar final, coroou a garra corinthiana com a justíssima classificação.

Se a história se repete, mesmo como farsa, que se repita hoje no Pacaembu. Que renasça o espírito de 84. Afinal, aqui é Corinthians!

JFQ


No meio da semana, a Gaviões foi em peso ao treino do Corinthians para incentivar o time.
Esse é o espírito!

O susto e a humildade


O São Paulo, segundo entre os melhores primeiros colocados na fase de grupos, teve a “sorte” de pegar o “fraco” Universitário, do Peru, nas oitavas. Mas o que era para ser um passeio mostrou-se um martírio. Está certo que o Tricolor teve lá seus deméritos pelo imprevisto sofrimento, especialmente pela incompetência em concretizar as tantas oportunidades de gol criadas. Culpa dos atacantes, de Ricardo Gomes? Um pouco de cada, mas não é só.

Após o 0x0 na casa do adversário, ontem, outro 0x0 que bem poderia ter sido 5x0, tantas foram as vezes que o São Paulo chegou próximo ao gol do Universitário. Por fim, pênaltis e eis que se reafirma pela enésima vez o heroísmo de Rogério Ceni, o maior ídolo da história são-paulina. Para ficar ainda mais dramático e heroico, quis o destino que Ceni perdesse a sua cobrança, forçando com que sua responsabilidade como goleiro – sim, é bom lembrar que é essa a posição de Rogério: goleiro – aumentasse exponencialmente. Não deu outra: Rogério pegou duas cobranças, uma outra foi chutada para fora e, mesmo dando coices e relinchando imponentemente, a zebra não cavalgou no Morumbi. O São Paulo classificou-se para as quartas e deve pegar, provavelmente, o Cruzeiro, seu algoz em 2009. Aguenta, coração!

Do susto Tricolor, vale dizer, fica uma lição importantíssima, inclusive para mim. Eu, que até ontem estava convicto de que um brasileiro será o campeão da Libertadores e que o vitorioso na disputa de hoje entre Corinthians e Flamengo estará na final do torneio – especialmente porque o Velez, até então, um possível e o mais difícil adversário antes da final, foi eliminado pelo Chivas –, precisei rever meus conceitos. Há que se entender que Libertadores é Libertadores, que não há nada fácil, assim como nada perdido. O Universitário, do Peru, fez lembrar, não apenas ao São Paulo, mas a todos os brasileiros, que os Banfields, Libertads e Universidads da vida não são favas contadas em termos de classificação. Aliás, isso não é novo, apesar de termos – eu, pelo menos, faço o mea culpa – dificuldade em aprender. Afinal, o Once Caldas não foi campeão em 2004? A LDU não venceu o Fluminense, que eliminara São Paulo e Boca Juniors, em 2008? Agora, também me lembro do brioso Santo André, que por muito pouco não tirou a taça das mãos do todo-poderoso Santos. Penso na Copa e já começo a respeitar a Coréia do Norte...

Enfim, para se vencer uma Libertadores, assim como, por que não dizer, as incontáveis adversidades da vida, é fundamental que se tenha eficiência e muita garra. Mas, além disso, é imprescindível um outro ingrediente: humildade.

JFQ

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Os brasileiros na primeira rodada das oitavas da Libertadores

Vantagem importante para o Flamengo

O clássico das multidões foi realmente emocionante. Além de feliz para os flamenguistas e absolutamente frustrante para os corinthianos. O Timão, mesmo com um a mais desde a metade do primeiro tempo, não soube aproveitar a vantagem. Pior, perdeu uma chance de ouro de obter um resultado excelente na casa do adversário e, para acabar, saiu derrotado e sem marcar gol na casa do adversário, fundamental no sistema de disputa que vigora a partir das oitavas. Em suma, tudo de errado que aconteceu com o Corinthians no Maracanã precisa se inverter no Pacaembu na próxima quarta-feira: precisa vencer o Rubro-Negro por dois gols de diferença ou, vencendo por um, não pode tomar gol. Bastante complicado.

Por outro lado, o Flamengo, mesmo em condições adversas, conseguiu um placar que aumenta muito suas possibilidades de classificação. Não apenas pela vitória simples, mas pelo fato de não ter tomado gols em casa.

Futebol, futebol mesmo, só no segundo tempo, quando a chuva deu uma trégua. O gramado alagado não permitiu que a bola corresse durante boa parte da partida. Em tese, isso era bom para o Corinthians por ser o visitante – tradicionalmente fica mais recuado, destruindo as jogadas do time da casa, empurrado por sua torcida –, além de ter um time mais pesado que o do Flamengo. A chuva, por exemplo, atrapalhou a subida dos laterais rubro-negros, um dos pontos fortes da equipe carioca, haja vista a participação tímida de Juan e, principalmente, de Léo Moura. Muito embora deva ser reconhecida a boa marcação de Roberto Carlos e Moacir, que ainda subiram bastante ao ataque, ajudados pelo fato de o Timão ter um jogador a mais.

Juan, mesmo contido em campo e um pouco sobrecarregado na marcação de Dentinho, protagonizou o lance crucial da vitória do Mengo. Em uma finta dentro da área foi atingido ingenuamente por Moacir, acarretando o pênalti que Adriano converteu. Azar para o lateral alvinegro, que não fez uma má partida, mas cometeu um erro que pode ter custado as pretensões de seu time em alcançar o primeiro título sul-americano no ano do centenário.

Pelo contrário, o goleiro do Timão, Júlio César, exalou insegurança durante toda a partida, mas foi responsável por uma grande defesa em uma cabeçada à queima-roupa de Adriano. O segundo gol tornaria a classificação do Corinthians praticamente impossível.

Destaque positivo para o empenho do time do Flamengo, empurrado por sua grande torcida, e para o árbitro, o paraguaio Carlos Amarilla, sempre seguro, em cima do lance, com o jogo sob controle. Destaque negativo para a falta de alternativas de ataque do time corinthiano – aliás, onde esteve Elias, o fator surpresa? –, especialmente para Ronaldo.

Ronaldo fez apenas uma jogada boa, no final, quando passou por David e cruzou a bola que só não entrou nas redes flamenguistas porque Iarley atrapalhou a cabeçada certa do companheiro Jorge Henrique. No mais, o “Fenômeno” resumiu-se a inúmeras e frustradas tentativas de “passar no meio” dos zagueiros flamenguistas e em erros – infantis? – ao tentar dominar a bola. Mal-comparando, o também pesado Adriano, ontem, perto de Ronaldo parecia um menino serelepe.

No Pacaembu, na próxima semana, o Corinthians tem a obrigação de partir para cima do Flamengo. Se fosse eu Mano Menezes – graças a Deus, não sou – partiria da tese que o Flamengo marcará gol, ou seja, o Corinthians terá mesmo que fazer dois de diferença. Assim, deve montar uma equipe bem mais leve e ofensiva, voltando ao 4-3-3 do ano passado, com Dentinho e Jorge Henrique abertos pelas pontas, mas voltando para marcar. E, caso Ronaldo demonstre a mesma falta de futebol dos últimos jogos, não pode ter medo de substituí-lo por Iarley ou Souza, antes que não haja mais tempo para mais nada. O fator emocional também é importantíssimo, e aí entra a torcida: a Fiel deve mostrar a grandeza do seu apoio ao Timão, da mesma forma que o fez a torcida do Mengo no Maracanã.

No caso do Flamengo, a quem atribuo uns 70% de chance de passar para as quartas, a principal arma deve ser a subida dos dois laterais. E não pode sequer pensar em recuar, chamando o Corinthians para cima. Deve produzir o temor dos corinthianos desde o início, lembrando que tem uma dupla de atacantes do mais alto nível. Além de ter um grande jogador no banco, Petkovic, que pode ser bastante conveniente para essa partida.

Por fim, lanço uma tese à guisa de provocação para as duas mais populares torcidas do Brasil: estou convicto de que qualquer um dos dois que passar às quartas estará na final da Libertadores, provavelmente contra outro brasileiro. Isso porque, pelo chaveamento, o Velez, que concebo como o único time de peso que teriam até a final, dificilmente passará para a próxima fase após a derrota por 3x0 para o Chivas, no México.

Portanto, a Corinthians e Flamengo todo esforço é pouco para conseguir a classificação na próxima semana. No Pacaembu, é matar ou morrer. E quem sobreviver, quiçá, terá motivos suficientes para ostentar a expectativa de conquistar a América.

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O ciclo de Ronaldo


Em sabatina realizada pela Folha de S.Paulo no ano passado, na qual estive presente, Ronaldo disse algo interessante. Lembrou o Fenômeno que saiu brigado do Barcelona, do Real Madri, da Internazionale e do Milan. Na oportunidade da sabatina, repleta de corinthianos deslumbrados na platéia – eu incluído –, Ronaldo estava em alta: havia conquistado recentemente a Copa do Brasil e o Paulista, invicto. Mas isso não impediu que eu ficasse com a pulga atrás da orelha: será que também no Corinthians, após uma fase de sinergia total com a Fiel, Ronaldo entraria em declínio e em crise com a torcida?

Temo que isso possa estar em vias de acontecer. Basta que o Corinthians seja eliminado da Libertadores com mais uma pífia atuação de Ronaldo.

O Fenômeno parece ter como motivador principal em toda sua carreira a superação. Sempre buscou superar situações adversas, especialmente relacionadas com graves contusões nos joelhos. Para isso, muitas vezes mostrou sua garra e seu talento, marcando gols e conquistando títulos quando quase todos o tinham como acabado. Foi assim na Copa de 2002, foi assim no Corinthians em 2009.

Contudo, as superações na carreira de Ronaldo sempre tiveram um sentido específico: a seleção brasileira e a participação nas Copas. Tenho cá comigo que Ronaldo, quando veio para o Timão, tinha consigo mesmo o objetivo de chegar a sua quinta Copa do Mundo. E muitos pediram, até há pouco, sua convocação. Entretanto, com o declínio vertiginoso de seu futebol, não apenas a opinião pública como o próprio jogador parecem estar convencidos de que a seleção para o Fenômeno é coisa para o passado, para a história.

A pergunta é: descartada a amarelinha, Ronaldo estaria mesmo disposto a prosseguir na carreira com a mesma força de antes? A camisa do Timão, por si só, e o sonho alvinegro da Libertadores seriam motivações suficientes para o Fenômeno dar a volta por cima pela enésima vez? Neste momento, superação não diz respeito mais a contusões, mas ao controle do peso, à disciplina pessoal. Sem posar de careta, qual jogador profissional nos dias de hoje consegue manter um alto rendimento fumando dois maços de cigarro por dia, se é verdade o que foi veiculado na imprensa?

Em suma, minha dúvida diz respeito ao lado pessoal, íntimo mesmo, do Fenômeno. Após longa e brilhante carreira, Ronaldo deve estar pensando mais em curtir a vida plena e livremente, contando com todo o dinheiro e fama que angariou, por méritos, durante sua carreira. Aliás, já anunciou aposentadoria para o final de 2011. Talvez seria o caso de perguntar: não faria mais sentido aposentar-se já?

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Raio Laser nos olhos dos outros é colírio?

Não precisa ser tão “modernoso”, do tipo militante do fair play e atitudes pretensamente civilizatórias nos campos de futebol para considerar para lá de arcaica a atitude de alguns torcedores. Em especial, refiro-me ao uso das luzinhas verdes de raio laser apontadas para os olhos de jogadores adversários. Já se tornou moda no Maracanã e apareceu também no Morumbi e em outros estádios. Na partida de ontem entre Flamengo e Corinthians, o árbitro chegou a parar o jogo e os próprios jogadores rubro-negros gesticularam para que os “malandrões” deixassem a artimanha de lado. Um dos torcedores foi pego pela câmera da Globo, sendo passível de fácil reconhecimento. No ato! Diante disso, teriam as autoridades tomado alguma providência? Será que o sujeito sofreu ou sofrerá algum tipo de punição ou estará de “arma em punho” novamente na próxima partida?

O uso das luzinhas pela torcida é do mesmo rol de expedientes carcomidos como deixar o vestiário adversário sem água, jogar pedras nos ônibus, impedir que os jogadores durmam nas concentrações, etc. Basta, não?! Ninguém precisa mais de babaquices desse tipo para ajudar o time do coração. Aliás, isso não deve ser considerado como uma forma de torcer. Na verdade, é mais uma forma de estragar o espetáculo.

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São Paulo

O São Paulo empatou fora, mas, apesar da expulsão de Richarlyson e de jogar com um a menos boa parte do jogo, ficou com a sensação de que poderia ter vencido. Criou várias chances reais de gol, sem conseguir aproveitá-las. No entanto, a classificação deve vir no Morumbi, e tudo indica que seja tranquila. Prejuízo maior foi a contusão de Cicinho, que estava evoluindo em seu futebol.

Parabéns a Rogério Ceni, que completou 900 jogos pelo Tricolor. Como jogador que mais vestiu a camisa de uma equipe brasileira, Ceni só perde para Ademir da Guia, por apenas um jogo (Ademir vestiu a camisa do Palmeiras 901 vezes), Roberto Dinamite (jogou 1.110 vezes pelo Vasco) e Pelé (1.115 vezes pelo Santos).

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Internacional

Além do Corinthians, outro que se complicou foi o Internacional. 3x1 para o Banfield, atual campeão argentino. Mesmo jogando em casa a partida de volta, o Colorado não contará com Kléber, importante peça da equipe. O lateral foi expulso após pisar sobre um jogador do time adversário. Vendo o lance, não consegui definir se houve a intenção ou se o choque foi ocasional. Missão duríssima para o Inter, certamente a pior dentre todos os brasileiros que disputam a taça.

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Cruzeiro


Em Belo Horizonte, o Cruzeiro pegou o Nacional, do Uruguai, tricampeão mundial. Quem fez a diferença para a Raposa foi Thiago Ribeiro, autor dos três gols na vitória por 3x1. O time não pode relaxar contra o Nacional, que, ainda que não seja o mesmo dos áureos tempos, continua tendo uma camisa de peso.

Porém, o Cruzeiro só perde a classificação em Montevidéu se bobear muito. Caso confirme a classificação, o provável adversário é o São Paulo, como no ano passado. Mais um ótimo confronto entre brasileiros nesta Libertadores.


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Argentinos x Mexicanos

Falando em argentinos, o Estudiantes venceu o mexicano San Luis por 1x0 e o Velez foi goleado por 3x0 pelo Chivas Guadalajara. As duas partidas foram no México. Reforço o que disse acima: olhando o chaveamento do lado do Corinthians e do Flamengo, e considerando que o Velez dificilmente conseguirá reverter o estrago sofrido no jogo de ida, dou meu palpite: quem passar para as quartas de final entre Timão e Mengo estará na final da Libertadores 2010. Pode escrever.

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A Sul-Americana, enfim, será disputada seriamente

Até que enfim, a CONMEBOL tomou uma atitude que deveria ter sido tomada há muito tempo. Decidiu que o campeão da Copa Sul-Americana – aquele torneio para o qual se classificam praticamente todos os times que disputam o Brasileirão, afora os classificados para a Libertadores e os rebaixados –, doravante, terá uma vaga para a Libertadores. Agora sim, os brasileiros terão motivo para não fazerem seus jogos com o famoso time misto, mais reservas que titulares, e buscarem esse título até agora visto com justificado menosprezo.

JFQ

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O clássico do povo em seu confronto mais importante



De acordo com pesquisa do Datafolha, publicada ontem, dia 27 de abril, na Folha de S.Paulo, as torcidas de Flamengo e Corinthians, juntas, representam 31% de todas as torcidas do Brasil, acima de 16 anos de idade. São, aproximadamente, 17% de flamenguistas e 14% do corinthianos. Contando, inclusive, os 25% que declararam não torcer para nenhum time. Ou seja, considerando apenas os brasileiros acima de 16 anos que dizem torcer para algum time, Corinthians e Flamengo respondem por mais de 41% dos torcedores. Cerca de 40,5 milhões de brasileiros! O Datafolha também concluiu que há um empate técnico entre as duas maiores torcidas, mas não vou entrar nessa discussão.

Em suma, não apenas São Jorge, mas grande parte dos brasileiros está dividida entre rubro-negros cariocas e alvinegros paulistas. E, independentemente de onde estejam corinthianos e flamenguistas, hoje e na próxima semana estarão com um baita frio na barriga. Nervosos, porém esperançosos de que seus times passem à próxima fase da Libertadores.

Na condição de corinthiano, em que pese o nervosismo, considero o momento histórico para o futebol brasileiro. Trata-se, nada mais nada menos, que o mais importante confronto da história entre os dois mais populares times do Brasil! O país vai parar, não tenho dúvidas.

Vale dizer, esse chamado “clássico das multidões” ou “clássico do povo” nunca protagonizou uma grande decisão nacional ou internacional. Apenas a Supercopa de 1991, disputado em jogo único entre o campeão brasileiro e o campeão da Copa do Brasil, na época, respectivamente, o Corinthians e o Flamengo. Ironicamente, hoje os títulos estão invertidos. Nesse embate o Corinthians venceu por 1x0, gol de Neto.
Porém, os dois confrontos mais importantes, tanto um, como o outro, de tirar o fôlego, foram a quartas de final do Brasileirão de 1984 e as da Copa do Brasil de 1989.

Em 84, o Flamengo, contando com um timaço e com seu ídolo Zico, venceu o Timão por 2x0 no jogo de ida, no Maracanã. O Corinthians, também com um bom time e com seu ídolo Sócrates, entrou em campo, na volta, no Morumbi, e aplicou um robusto 4x1 no Flamengo, eliminando o rubro-negro do campeonato em que era o campeão. Diga-se de passagem, o Corinthians também era bicampeão paulista, na vigência da sua famosa democracia.

Independentemente de quem venceu e quem perdeu, foi um dos mais emocionantes confrontos do futebol brasileiro. Como se não bastasse estar em campo dois dos seus maiores craques de todos os tempos, Zico e Sócrates.

Veja os melhores momentos desse jogo, clicando no link: http://www.youtube.com/watch?v=zTctdfhW_WA
Em 89 veio a vingança. No jogo de ida, no mesmo Maracanã, o Flamengo aplicou também um 2x0 no Corinthians. Na volta, no Morumbi, o Corinthians vencia por 4x1, o que lhe daria a classificação para as semifinais pelo maior saldo de gols. Contudo, no finalzinho da partida, eis que surge Junior, outro craque do Mengo, para marcar o gol da classificação do time da Gávea, pelo critério dos gols fora de casa.

Também vale uma espiada no link: http://www.youtube.com/watch?v=lMK3kCaBuPc

Nos clássicos entre Corinthians e Flamengo também estão registrados alguns gols antológicos. Cito dois: o gol de Neto, no Maracanã, do meio do campo, no ângulo direito do goleiro Gilmar Rinaldi, e o gol genial de Romário, no Pacaembu, em que dá um elástico desconcertante em Amaral.


Enfim, será o clássico dos clássicos das multidões. Um belo espetáculo para os adoradores do futebol. Uma dura prova para os corações de 40 e tantos milhões de brasileiros, flamenguistas e corinthianos.

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Gigantes em crise, mas gigantes


Muito das atenções do confronto entre Flamengo e Corinthians estarão voltadas a seus respectivos ídolos maiores (em todos os sentidos), Adriano e Ronaldo. Atenção que se justifica pelo histórico de craques que ambos construíram, mas também pela crise que os dois, de uma forma ou de outra, vêm passando em suas vidas pessoais e nos gramados.

Quanto a Adriano, por exemplo, vale citar notícia veiculada no programa Bola na Rede, da RedeTV!, do dia 18/4, em que Fernando Vanucci lançou uma bomba. De acordo com o apresentador, algumas fontes que mantêm na CBF confirmaram a informação de que o jogador Adriano, que sabidamente tem problemas com o álcool, corre o sério risco de não ir à Copa. E não se trata "apenas" da dependência química, do sobrepeso ou do pênalti perdido contra o Botafogo. Caso Adriano seja preterido por Dunga, a gota d’água terá sido a ausência do jogador na partida em que o Flamengo foi derrotado pelo Universidad Católica. O problema é que Adriano, que não viajou ao Chile alegando contusão, teria organizado uma festança enquanto seu time era derrotado por 2x0. Dunga já estaria até a tampa com o Imperador.

Sobre Ronaldo, a informação é que o Fenômeno está fumando dois maços de cigarro por dia. Especula-se: em função de problemas pessoais. Aliás, tanto os problemas íntimos como o tabagismo explicam bastante da queda de rendimento que Ronaldo vem demonstrando em campo. Mano Menezes, o técnico do Timão, lançou uma emenda pior que o soneto, afirmando que o cigarro não faz mal a Ronaldo. Pelo contrário, o cigarro faz mal a qualquer um, especialmente a atletas profissionais.

De qualquer forma, com problemas ou sem problemas, a presença de Adriano e Ronaldo certamente agigantará ainda mais esse clássico que naturalmente já tem proporções enormes.


JFQ