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quarta-feira, 2 de março de 2011

Lançando na área

Hoje

Quando o dia amanheceu, hoje, 2 de março de 2011, os dissidentes do Clube dos 13 acordaram sob a ameaça de sofrerem sanções do CADE se as negociações (caso a caso) com a Rede Globo, para a transmissão do Brasileirão 2012/2014, ferirem a livre concorrência.

Também hoje o Sport acordou único campeão brasileiro de 1987, por decisão do senhor Francisco Alves (nome de cantor), juiz da 2ª Vara Federal de Pernambuco.

Tudo isso, hoje. Amanhã, ninguém sabe. O futuro a Deus pertence.

Falando nisso, hoje, mais uma vez desde 1989, Ricardo Teixeira acordou presidente da CBF.

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A perda do torcedor ilustre

Diz a lenda que o Cruzeiro tem apenas 18 torcedores. Não me refiro à Raposa de Belo Horizonte, mas ao seu homônimo de Porto Alegre, que, apesar da boa campanha no Gauchão 2011, perdeu a chance de ir à final da Taça Piratini, após derrota por 4 a 2 para o Grêmio. Pior do que isso, perdeu seu torcedor mais ilustre, o escritor Moacyr Scliar, membro da Academia Brasileira de Letras, falecido no mesmo domingo em que o Cruzeiro foi desclassificado, no Olímpico. Pobre Cruzeiro! Derrotado em campo, desfalcado em sua torcida, já tão escassa. E que desfalque!

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Pais e Filhos


Quem, apesar de boleiro, não caiu na ignorância da discriminação sexual – sim, infelizmente, os fatos mostram que há uma relação –, fica comovido em ouvir a modelo Lea T falar de sua vida e de sua luta para ser quem é. Considerada uma das principais top models do mundo, Lea T nasceu Leandro, um menino. Aos poucos descobriu e assumiu sua condição. Para sua sorte, encontrou no pai, o excepcional Toninho Cerezo, ídolo no Galo, no São Paulo, na Sampdoria e na seleção brasileira, um apoio. Ao não rechaçar o filho, tornada filha, Cerezo prova ser um pai de verdade, um craque dentro de campo e na vida.

Também comove a forma como Ronaldo aceitou a paternidade do garoto Alex, fruto de um relacionamento que tivera no Japão. Mais do que isso, Ronaldo passou a ser visto com freqüência junto a Alex e ao primogênito Ronald. Quem está acostumado à ênfase quase exclusiva na vida de baladas, escândalos e os casamentos desfeitos, é interessante notar esse lado “família” do Fenômeno. Da mesma forma que a aceitação de uma orientação sexual fora dos padrões convencionais, como no caso de Cerezo, a pronta acolhida de um filho – não apenas no âmbito formal, mas, sobretudo, afetivo – também é tarefa para homens fortes, para craques fora dos gramados. Que o diga o maior de todos os craques... dentro de campo.

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Perguntas e mais perguntas

Quem é o campeão brasileiro de 1987? Quem ficará com a Taça das Bolinhas? Qual será o estádio de abertura da Copa de 2014? O Fielzão será construído a tempo? O Morumbi, de fato, não reúne condições para abrigar a partida de abertura do Mundial? Por que vários clubes decidiram sair do Clube dos 13 justo agora, quando está marcada uma concorrência que, em tese, aumentará muito suas receitas? Negociações clube a clube são mais vantajosas a quem? Os valores de referência da licitação são os de mercado ou foram elaborados para forçar a Globo a pagar mais? Até quando Ricardo Teixeira será presidente da CBF? Quando sair, será presidente da FIFA? Teixeira lançaria Andrez Sanchez como seu sucessor? A homologação do título do Flamengo em 87 tem relação com sua possível saída do C13? A saída do Corinthians do C13 facilitará a construção do Fielzão e sua utilização na Copa 2014? Os títulos da Taça Brasil e do Robertão, homologados como títulos brasileiros, também serviram para cooptar clubes junto à CBF? A CBF e/ou a Rede Globo estão oferecendo alguma vantagem para os clubes saírem do C13? Por que a Record e a Rede TV! estão tão quietas? O vice-diretor de comunicação e marketing do São Paulo, Julio Casares, também é diretor de projetos especiais da Record? Por que a Globo não noticia o imbróglio envolvendo o C13 nos seus telejornais esportivos? Afora a ESPN, a TV Cultura e a Gazeta, quem fala do assunto? A quem interessa o quase monopólio exercido pela Rede Globo? Quão fundamental é o futebol para a sustentação do quase monopólio “global”? Ou é o futebol que precisa da Globo para vender todas as marcas e produtos a si associados? A imensa hegemonia da “vênus platinada” não lesa os clubes, os torcedores, os telespectadores, enfim, os brasileiros? Não fere o direito econômico, logo, não deveria ser passível de alguma medida do CADE? Tratando-se de uma concessão pública, a questão não envolve também interesse público, além de interesses comerciais privados? O futebol é uma mercadoria comum ou um bem cultural, logo, passível de tratamento especial, cujos brasileiros têm o direito constitucional ao acesso? No caso da negociação clube a clube, os times menores não tendem a ser prejudicados? Se o negócio for bom apenas aos grandes, o futebol brasileiro, como um todo, não tende a ser prejudicado? Tomando os exemplos norte-americanos, qual seria o melhor modelo de transmissão: o do beisebol, o da NFL, o da NBA? Como melhor conciliar os interesses comerciais da TV, dos clubes e os interesses esportivos do país? Como gerar bons negócios preservando o futebol e os torcedores? Quem está interessado nisso tudo?????

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O horário dos jogos

Independentemente de qual(is) emissora(s) transmita(m) os jogos do Brasileirão no ano que vem, caso haja o mínimo respeito pelos torcedores – e não apenas apreço por retornos comerciais e questões de grade da programação –, deve mudar os horários das partidas. Os jogos noturnos, que há algum tempo ocorriam por volta das 21 h, começam, hoje, às 22h. Desrespeito com o torcedor que vai ao estádio, e enfrenta muitas dificuldades para pegar a condução de volta para casa (em São Paulo, por exemplo, o metrô fecha à meia-noite), chega tarde e precisa trabalhar no dia seguinte. Desrespeito também ao torcedor que assiste à partida pela TV, já que vai dormir tarde e tem que acordar cedo outro dia. Mas, afinal, o que importa isso se o horário se encaixa perfeitamente na sequência dos imperdíveis JN e a novela “das oito”?!

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Por favor, derretam a Taça das Bolinhas

O Flamengo, finalmente – oportunamente, diria Ricardo Teixeira - , pode ser oficialmente considerado campeão brasileiro de 1987. Juntamente com o Sport, que não gostou nada disso. Hoje, como dito acima, recuperou na Justiça o direito de se dizer único campeão de 87. Caso o Mengo reverta isso – o que é bem possível – poderá se considerar o primeiro pentacampeão do campeonato brasileiro. Entenda-se bem: do campeonato brasileiro. Já o primeiro campeão brasileiro é o Santos, desde a homologação dos títulos da Taça Brasil como títulos brasileiros, pela CBF. Quer dizer, isso se considerarmos os campeões de fato, histórica ou cronologicamente tomados. No entanto, caso analisemos o primeiro campeão de direito, este é o São Paulo, já que o Flamengo só ganhou 87 e o Santos, os títulos de 61 a 65 e 68, em 2011. Haja confusão!!! Solução: façam com a famigerada Taça das Bolinhas o que não deveriam ter feito com a Jules Rimet: derretam-na!

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O apito lá e cá

Fico possesso com certos comentaristas que não se cansam de enaltecer a arbitragem na Europa, em comparação à nossa, porque “lá não se para o jogo por qualquer faltinha”. Na verdade, muitas vezes deixam de dar faltas em lances cujo desfecho deveria ser cartão vermelho imediato e abertura de ação judicial por tentativa de homicídio.

Acredito que o “estilo europeu” advenha, em boa medida, não de uma concepção de “deixar o jogo rolar”, mas por serem arbitrados por juízes bananas. Explico: o árbitro fica tímido diante de um jogador que se impõe; logo, tem medo de prejudicar seu time – especialmente quando joga em casa – e, mais ainda, de punir.

Quem assistiu à vitória do Totteinham sobre o Milan, por 1 a 0, em Milão, pela Liga dos Campeões, certamente ficou abismado com o showzinho à parte do “raçudo” (leia-se: destemperado e grosso) Gattuso e com a falta de pulso do árbitro francês Stephane Lannoy. Para quem não se lembra, Lannoy é o mesmo árbitro da partida Brasil 3x1 Costa do Marfim, na Copa 2010, em que: 1) Luis Fabiano marcou um golaço, após matar a bola com o braço; 2) Tioté não foi expulso após quase quebrar a perna de Elano; 3) Kaká foi expulso por cair na encenação de jogador adversário. Precisa falar mais alguma coisa?


Na partida do Milan, Gattuso e Lannoy poderiam formariam uma dupla: a besta fera e a besta quadrada. Enquanto o italiano deu chiliques, nervoso pelo resultado adverso em casa, agredindo dirigentes e jogadores do time adversário, o francês, além de não ter pulso para expulsá-lo, também deixou de mostrar o cartão vermelho a Flamini, do Milan, em entrada violentíssima que tirou o croata Corluka do jogo. De bom na partida, apenas as grandes defesas do brasileiro Gomez, goleiro do Tottheinham.

Em compensação, acompanhei às partidas Cruzeiro x Estudiantes e Fluminense x Nacional, ambas pela Libertadores e ambas apitadas por Carlos Amarilla. O paraguaio praticamente não apareceu; ou seja, fez excelentes arbitragens. Pulso firme e sempre em cima do lance, Amarilla deu aulas de como apitar. Detalhe: quem conhece futebol sabe que numa partida em que um time brasileiro aplica 5 gols em um argentino (ou vice-versa), como ocorreu em Cruzeiro x Estudiantes, tem tudo para descambar em violência. Mas não foi o que aconteceu, graças aos jogadores, mas, ainda, à condução da partida por Carlos Amarilla.

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Violência

Uma cena passou quase incólume no jogo Treze, da Paraíba, versus São Paulo, pela Copa do Brasil. Não que tenha deixado de ser mostrada (veja vídeo abaixo), mas cabe a pergunta: vai ficar por isso mesmo? Outros jogos serão realizados nesse estádio depois do ocorrido? Os protagonistas da lamentável cena serão punidos? Cabe alguma punição ao Treze?

Eis uma mostra da violência na sociedade brasileira. Por sorte, o desfecho não foi trágico, quer dizer, não houve mortos ou feridos. Por sorte...

Violência, aliás, que vitimou o ex-árbitro José Roberto Godói, baleado em tentativa de assalto, em São Paulo. Apesar de ferido, Godói resistiu e já recebeu alta. Por sorte...



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O artista e a celebridade, a bola e a imagem

Quem quiser acreditar, que acredite. Há quem leve muito a sério a estória de que Kaká de fato esteja pensando em vestir a camisa do Corinthians. Há outros, como eu, que pensa ser esse mais um exemplo de mania de grandeza do Timão (ão!, como na propaganda de cerveja). Talvez por influência das pré-temporadas em Itu.

Os que levam a coisa a sério têm como argumento principal o seguinte: Kaká ganharia muito dinheiro voltando ao Brasil. Mas, como? O Corinthians teria condições de lhe oferecer um salário maior que o hoje ganho no Real Madrid? Quem falou em salário?, responderiam: o dinheiro viria da exploração de sua imagem, o tal marketing pessoal.

Sim, eis a novidade destes tempos: o dinheiro da imagem supera o salário, antigamente conhecido como a remuneração do trabalho. A propósito, o próprio trabalho – o que se faz em campo, reflexo de talento aliado a horas e horas de treinamento – perdeu espaço para o que se faz fora, no âmbito particular. Ou melhor, acabou-se o tal âmbito particular: tudo fora do trabalho convencional continua a ser trabalho, o trabalho de venda da imagem. As diferentes mídias viraram a segunda casa – ou o segundo trabalho – de certos jogadores. Privacidade? Esqueçam. E, por favor, não reclamem da invasão!

Mais que jogar bola, driblar, dar assistência ou marcar gols, o negócio é firmar-se como um lucrativo garoto propagada. O negócio é explorar a própria imagem para vender marcas e produtos. De sandálias a cartões de crédito, de produtos de higiene a cervejas. Não é à toa que Ronaldo, ao sair do futebol, entrou direto no ramo do marketing esportivo, no “gerenciamento da imagem” do atleta. Anderson Silva, o lutador, é seu cliente. Kaká também poderia ser?

Nesse processo, ocorre com esportistas o mesmo que já ocorria com outros artistas. Atores e atrizes, por exemplo. Não importa a qualidade da arte demonstrada nas telas ou palcos, mas a repercussão das fotos e vídeos veiculados em revistas e programas de celebridades. Eis a palavra: celebridade. Pessoas tornadas ícones, forçosamente mitificadas, reinando nas várias mídias, cuja presença tem cada a vez menos relação com o talento ou a capacidade artística, esportiva ou seja lá de qual natureza for.

Parafraseando Benito di Paula: seria muito bom, seria muito se legal, se cantor, compositor, ator ou jogador de futebol pudesse ser, acima de tudo, celebridade.

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Ops, caiu de novo


Adilson Batista está em pleno inferno astral. Após a fatídica derrota para o Estudiantes na final da Libertadores 2009, quando deixou o Cruzeiro, após 3 bons anos, Adilson não teve vida longa em nenhum clube. No Corinthians, sua passagem foi associada ao declínio do time no Brasileirão 2010. Mano Menezes deixou o time do Parque São Jorge na liderança do campeonato quando assumiu a seleção brasileira, dando o lugar a Adilson. O que ninguém se lembra é que, nesse mesmo período, vários jogadores titulares ficaram contundidos, obrigando o novo treinador a improvisar em várias partidas.

Já no Santos, Adilson substituiu Dorival Junior – após o comando “tampão” de Marcelo Marttelote, hoje de volta –, que também saíra consagrado do clube, apesar de desacatado por Neymar. As inovações de Adilson não surtiram o efeito desejado. O time caiu no Paulistão e o técnico passou a sofrer críticas da torcida. Especialmente pela insistência em deixar Mailkon Leite e Zé Love na reserva.

As passagens curtas por Corinthians e Santos causam um grande prejuízo na imagem de Adilson, até há pouco visto como um técnico dos mais promissores do futebol brasileiro. Seria o caso de procurar a nova agência de Ronaldo?

JFQ

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lançando na Área

Assuntos escalados para discussões futuras.
(JFQ)


Robinho no Santos


Está confirmado: Robinho está de volta à Vila Belmiro, se bem que por pouco tempo. Espera-se que consiga retomar o futebol alegre que o consagrou. Meu caro primo Arnaldo, como se nota aí embaixo (“Dinheiro e Felicidade”), não parece estar muito otimista. Eu também tenho minhas dúvidas; menos pela vontade e qualidade de Robinho, mais pelo pouco tempo e pelas limitações do time do Santos, apesar de ali estarem Neymar, Giovanne e, quiçá, as jovens revelações da Copinha, Nikão e Alan Patrick. Sempre é bom lembrar que futebol é esporte coletivo; portanto, não basta ser craque, há que se entrosar para mostrar o talento. Sorte ao Santos e a Robinho. Se não for bem sucedido na empreitada, diga-se de passagem, até a presença do “rei das pedaladas” na Copa – algo inquestionável até há pouco – estará em risco.

Legião estrangeira na Copa deve diminuir

Nas Copas de 1982 e 1986 havia apenas 2 jogadores “estrangeiros” – jogadores que atuam fora do país – na seleção brasileira. De lá para cá, o número sempre aumentou (os “estrangeiros” na Copa da Itália chegaram à metade: 11; em 1994, nos EUA, eram 12; em 1998, na França, 13; em 2002, na Coréia do Sul/Japão, ligeira diminuição: 10. Na última Copa, em 2006, o “estrangeirismo” virou quase total, restando apenas 3 jogadores que atuavam no Brasil: Ricardinho, no Corinthians, Rogério Ceni e Mineiro, no São Paulo, lembrando que este último só foi convocado por causa da contusão de Edmílson. A Copa da África do Sul, apesar de ainda não sabermos os 23 convocados, pode marcar uma ligeira inflexão na tendência. Alguns jogadores que atuam aqui têm boa expectativa de convocação – uns mais, outros menos – tais como: Adriano (Flamengo), Robinho (Santos), Victor (Grêmio), Miranda (São Paulo), Kleber (Internacional) e Kléberson (Flamengo). E quem sabe não venham outros: Ronaldo, Roberto Carlos, Marcos, Fred...

Ronaldinho Gaúcho na Copa


Por falar nisso, a pergunta do momento é: Ronaldinho Gaúcho deve ou não ser convocado para a Copa? Particularmente, acho que sim. E que não pese contra o jogador o último jogo do Milan contra a Internazionale, muito menos o pênalti por ele perdido. Até Pelé já teve seus dias ruins. Ronaldinho, na minha modesta opinião, é o único verdadeiro craque que surgiu após Zidane. Melhor que Kaká, Cristiano Ronaldo e Messi. Porém, esteve em má fase por um longo tempo. Mas está de volta. Em boa fase, é imprescindível a qualquer equipe, inclusive à seleção brasileira. Além disso, pode ser utilizado como reserva de Kaká – com qualidade imensamente superior a Júlio Batista, o atual reserva – ou como um atacante aberto à esquerda – lembrando que Robinho está longe de sua melhor forma. Ou seja, traz qualidade e opções táticas a Dunga.
Em breve, o blog trará um espaço especial para discutir os 23 convocados do Brasil para a Copa da África do Sul. Solicitaremos comentários e escalações.

Do passe aos contratos de gaveta

Virou moda o troca-troca (ou seria “rouba-rouba”?) de jovens jogadores entre os grandes clubes paulistas. Marcelinho, que era do Corinthians, foi para o São Paulo. Lucas Piazon, antes no tricolor, foi parar no Timão. Ramos, também ex-São Paulo, veste agora a camisa do Palmeiras. E Nikão, que era do Palmeiras, foi para o Santos (tornando-se, inclusive, um dos destaques da última Taça São Paulo). A lógica é a seguinte: como a Lei Pelé, que regula o desporto no país, não permite contratos com jogadores menores de 16 anos, os clubes não têm como segurar seus jovens talentos do assédio dos outros clubes até essa idade. Na iminência da idade-limite, surgem as propostas e negociações, em muito motivadas por empresários e outros cujos bolsos engordam sobremaneira a cada transação. O problema é como isso afeta (e desmotiva) a chamada base dos clubes, ou seja, o investimento na descoberta e formação de novos craques. As saídas encontradas pelos clubes vão da emancipação do jogador – exemplo de Neymar, no Santos – ou os contratos de gaveta – exemplo do São Paulo. Neste caso, a Justiça vem derrubando tais contratos, não reconhecendo sua validade jurídica. Eis uma questão que não é tão simples, em que mocinhos e bandidos não são tão claros, se é que há bandidos e mocinhos no caso. Quanto a isso, um excelente artigo foi escrito pelo sempre competente Paulo Vinicius Coelho, o PVC (“A base do problema”, Folha de S.Paulo de 24/01/2010, página D5). A seguir, a quem interessar, link para acessar a Lei Pelé: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9615consol.htm

Quem tem poder no mundo da bola?

A propósito dos casos acima mencionados, Michel Platini, ex-craque da Juventus (Itália) e da França, atual presidente da UEFA, confederação européia da FIFA, já defendeu a proibição de transferências envolvendo jogadores menores de 18 anos. A medida, porém, choca-se com a lei europeia de livre circulação de trabalhadores. Leonardo, técnico do Milan, foi além: acha um absurdo a transferência desses jovens de um país a outro. É o caso de Messi, por exemplo. Só que Platini e Leonardo não têm poder para tornarem realidade suas ideias, bastante razoáveis, diga-se de passagem. Assim como parece não tê-lo o próprio presidente da FIFA, Joseph Blatter, defensor de restrições à “indústria de jogadores naturalizados”, temendo que um dia tenhamos uma Copa do Mundo disputada apenas por jogadores sul-americanos. Muito bem, só que a proposta não prosperou. Agora, se nem Blatter tem poder para promover mudanças, quem terá?

Naturalizações e “brasileiros” na Copa

O Brasil sentirá na pele a força dos “brasileiros” na Copa. Contra Portugal, no terceiro jogo, é muito provável que o escrete lusitano conte com os “brasileiros” Pepe, Deco e Liedson. Este último, aliás, já esteve bastante cotado a uma convocação para a seleção brasileira em 2003, quando atuava pelo Corinthians. Sorte sua; nesse caso, hoje não poderia atuar ao lado de Cristiano Ronaldo e outros de seus (neo) patrícios. Só que Liedson declarou, mesmo naturalizado português, que se considera brasileiro. Portanto, declarou algo óbvio, mas “politicamente incorreto” de se confirmar: as naturalizações no futebol são, em muitos casos, meros artifícios para que seleções sejam reforçadas. Problemas: Copa do Mundo não pressupõe o que de melhor cada país tem a oferecer? Não se trata de um confronto esportivo entre nações? Ou seguiria a mesma lógica dos clubes? No caso de jogadores “artificialmente nacionalizados” – e não me refiro aqui ao aspecto puramente legal, mas à ligação afetiva com as cores nacionais que o jogador representa em campo – não estaria ferindo um fundamento inerente à Copa do Mundo? Em uma metáfora assumidamente exagerada, se traçássemos um paralelo entre a Copa e uma guerra mundial, estaríamos diante de uma invasão de soldados mercenários. Pode haver seus benefícios, mas também há seus riscos a quem os contrata. Basta ler Maquiavel – em “O Príncipe” – para comprovar isso.

Boleiros, boleiros, negócios à parte

Há algum tempo foi moda dizer que todo clube deveria tornar-se empresa. A reboque da onda da modernização neoliberal dos anos 1990, o ideal seria que os clubes deixassem de ser meras associações e se tornassem empresas, com riscos, lucros, ações na bolsa, tudo o mais. Quem assim fizesse, tornar-se-ia, quase que automaticamente, moderno e eficiente. Quem se opusesse, por outro lado, estaria fadado à ineficiência, às derrotas, ao arcaísmo. Passado o tempo, passada a moda, o que temos? Quanto aos resultados em campo, não se pode confirmar ou negar o dito liberal. O Barcelona, por exemplo, que sempre se negou à moda, é o atual campeão do mundo, e vai muito bem, obrigado. Alguns dos que se tornaram empresa, também. No entanto, penso que o grande diferencial hoje está refletido na seguinte pergunta, comumente ouvida: quem é o dono do clube X ou do Y? Quem é o dono do Chelsea, do Manchester United, do City? É aquele bilionário russo? Seria aquele mafioso? Apesar de saber da tradição de rapinagem dos cartolas brasileiros, gosto de pensar que nossos clubes não têm “donos”. Especialmente o meu, para o qual reina a famosa ideia de que não é um time que tem uma torcida, mas uma torcida que tem um time. Penso que há uma moral da história aí: negócios lícitos e ilícitos independem de o clube ser ou não empresa.

Clube itinerante

O Grêmio Barueri pode lançar moda no Brasil: a moda do clube itinerante. É parecido com o comportamento das empresas na chamada “guerra fiscal”: instala-se na cidade em que o poder público local lhe dê mais vantagens. No âmbito fiscal é conhecido o principal malefício do zigue-zague: tudo se dá às custas do dinheiro público, do erário municipal. Também há suas vantagens, especialmente nos empregos gerados no município. E quanto aos clubes? Dizem que o fenômeno é comum em outros lugares; nos Estados Unidos, por exemplo. Agora, que é esquisito, isso é! O Grêmio Barueri Futebol Ltda. (sim, Ltda.!; aliás, isso explica alguma coisa...) não é mais um time de Barueri, mas, sim, de Presidente Prudente. E já luta para mudar de nome. Quer se chamar Grêmio Prudentino Futebol... Ltda. É certo que dinheiro é fundamental e deve ser considerado. Mas o fenômeno não se choca com a ideia de amor à camisa, às cores do time, a uma torcida consolidada na história e na tradição do clube? Ou isso já não tem mais a menor importância mesmo?

Drogas e futebol

Pena de dois anos de suspensão foi aplicada ao botafoguense Jobson por uso repetido de cocaína. Após ditos e desditos, afirmou Jobson ser usuário de crack, produto derivado da cocaína. Num trocadilho infame, a suspensão é também uma pena para o próprio futebol. Mas, sobretudo, é uma pena ao próprio Jobson: à sua pessoa, muito além do aspecto profissional. Não obstante, não seria razoável por parte do STJD a simples absolvição sob o argumento de o jogador ser uma vítima de problemas sociais. Apesar de sê-lo, sim. O doping no futebol parece associar-se muito mais a tais questões sociais do que à busca de melhores rendimentos físicos por meios ilícitos. Que o digam, além de Jobson, Júnior Baiano, Reinaldo, Maradona, entre tantos outros.

Drogas e publicidade

Não só contra as drogas ilícitas o meio esportivo em geral, e o futebolístico em particular, deveria travar combate ou, no mínimo, se contrapor. O mesmo deveria acontecer quanto às drogas lícitas. Não é isso, infelizmente, o que se vê. Como mostram as ricas campanhas publicitárias com jogadores conhecidos. E não se restringe aos dias de hoje. A famosa “lei de Gérson”, por exemplo, que reza querer o brasileiro tirar vantagem de tudo, surgiu em um comercial de cigarros, Vila Rica. Até então, pode-se dizer a bem de Gerson e de outros (Leônidas da Silva, vejam só, também fez propaganda de cigarro) que não havia a mesma consciência que há hoje sobre os malefícios causados pela nicotina à saúde. Só que não dá para conceder o mesmo “desconto” a jogadores que enchem as burras de dinheiro para promoverem cerveja, como se fosse um produto inofensivo.

É o caso do “brahmeiro” Ronaldo Fenômeno. Falando nisso, estou entendendo por que minha barriga anda parecida com a dele.




O relógio da TV à revelia de jogadores e torcedores

Quando comecei a me apaixonar pelo futebol, lá pelos longínquos anos 1980, lembro que os jogos, em geral, eram marcados para os domingos, às 17 horas, e para quartas, às 21 horas. Isso, quando a novela das oito era realmente às oito! Foram passando os anos e a televisão passou a impor os horários dos jogos ao sabor da sua grade de programação. Dessa forma, aos domingos os jogos passaram para as 16 horas (com horário de verão, inclusive), e às quartas, para as 21h45. Resultado: jogadores pelejando sob um sol cada vez mais escaldante, para que possamos assistir ao Faustão com mais tranquilidade, e torcedores saindo às pressas dos estádios, em tempo de pegar a condução de volta para casa ou dormindo menos que as recomendadas oito horas diárias para que consigam ver seu timinho do coração na TV até o apito final do árbitro.

Os campeonatos estaduais não devem acabar

Muita gente defende o fim dos campeonatos estaduais. O argumento principal é: ao que leva ser campeão paulista, carioca, gaúcho? Ou seja, todo campeonato parece valer somente se classifica para algum outro campeonato. Tá, mas até chegar a onde? Ao Mundial? Não, pois também dizem que os europeus não dão lá muita bola para o Mundial da FIFA. Então, valem os campeonatos só se levarem, em última instância, à Libertadores, Copa dos Campeões da Europa e afins? Não concordo. Os campeonatos estaduais valem – e muito! – por si sós. Valem pela tradição, pela história que têm no futebol. E valem, acima de tudo, por serem os principais momentos de acirramento das grandes rivalidades futebolísticas. Fla-Flu, Corinthians x Palmeiras, GreNal, BaVi, Cruzeiro x Atlético, dentre outros, cresceram como grandes clássicos por causa, em primeiríssimo lugar, dos estaduais. Valeria a pena abdicarmos disso? Houve um ano – 2002 – em que tentaram acabar com os estaduais, substituindo-os por torneios que abrangessem mais estados. Não deu certo. Tudo voltou como dantes no quartel de Abrantes já no ano seguinte. Uma saída para unir gregos e troianos seria tornar os estaduais classificatórios para a disputa da Copa do Brasil. Como já o foram para a Taça Brasil, entre 1959 e 1968, disputada pelos campeões estaduais. A Taça Brasil, por sua vez, também levava o campeão à Libertadores.

Richarlyson e a homofogia nos estádios

Richarlyson foi hostilizado pela sua própria torcida no jogo em que o São Paulo, desfalcado e jogando muito mal, empatou com o Mirassol. E o empate veio de um golaço do próprio Ricky, como gosta de ser chamado. Mesmo encoberto pelas vozes do locutor e dos comentaristas, em alguns momentos foi possível perceber os gritos da torcida – “bicha, bicha” – quando Richarlyson pegava na bola. Tais manifestações de homofobia já foram notadas antes, em outros jogos. Fico pensando quando os gays – e aqui não afirmo que Richarlyson seja ou não gay, mas, sim, uma vítima constante da ignorância homofóbica – terão seu momento de inflexão contra as violências discriminatórias que sofrem. Quando – e se – ocorrerá algo parecido com o episódio envolvendo o atacante Grafite e o zagueiro argentino Desábato, em um jogo entre São Paulo e Quilmes, da Argentina. Os negros parecem que já conquistaram um “up grade” importante em sua perpétua luta contra a discriminação, inclusive no futebol. Essa conquista virá aos gays algum dia? A propósito, vale a pena dar uma lida no artigo de Leandro Fortes, intitulado “Os novos negros”, publicado na Carta Capital. O artigo já é um pouquinho antigo, mas, infelizmente, continua atual. Eis o link:  http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5263. Outro artigo interessante é o de José Geraldo Couto, "Último reduto do macho", publicado na Folha de S.Paulo de 13/02/2010: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1302201015.htm