Mostrando postagens com marcador Campeonato Paulista 2011. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Campeonato Paulista 2011. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Caiu na rede, é bi!



Em um jogo morno (para dizer o mínimo), ainda mais se tratando de uma final, o Santos conquistou o bicampeonato paulista. O Peixe não foi brilhante, mas jogou para o gasto contra um Corinthians nada inspirado, incapaz de furar a sólida defesa formada por Muricy. Além do mais, o Timão mostrou falhas na defesa e incompetência na ligação entre o meio e o ataque. Aliás, não fossem os frangos tomados por Júlio César e Rafael, os goleiros passariam despercebidos na partida. Enfim, a peleja vista ontem, na Vila, ficou muito aquém daqueles emocionantes jogos finais do ano passado, contra um forte Santo André, ironicamente, um dos rebaixados em 2011.

À parte o ruim jogo final, o Santos mereceu o título pelo que fez durante o campeonato. Ou melhor, pela ótima equipe que vem montando, a bem da verdade, com a mente mais voltada à Libertadores do que ao Paulista.

São Paulo e Palmeiras foram as equipes que mais levaram a sério o campeonato, talvez por serem as que levantaram a taça há mais tempo, chegando nas duas primeiras posições ao fim da primeira fase. Mas, considerando o regulamento – tardiamente criticado – e a competência dos adversários nos jogos decisivos, nem um, nem outro estiveram presentes na final.

O Santos, que primou em 2010 pela força ofensiva, aplicando várias goleadas, na era Muricy vem se mostrando um time mais “equilibrado” – para usar um jargão da moda. Na minha modesta opinião, trata-se de um time mais preocupado com a defesa do que propriamente equilibrado, já que, não necessariamente, a melhora nos números defensivos deveria recair na queda do número de gols marcados. O fato é que o Peixe está vencendo, conquistando títulos e seguindo na busca por outros.

Hegemonia santista nos anos 2000

Após vencer do mesmo Corinthians em 1984, com o famoso gol de Serginho Chulapa, o Santos ficou 22 anos sem faturar um campeonato paulista. Antes de voltar às conquistas estaduais, banais na era Pelé, o Peixe faturou dois brasileiros: em 2002 (contra o Corinthians, de novo) e em 2004.

Aberta a porteira, contudo, passou uma boiada de conquistas santistas no Paulistão: dois bicampeonatos, em 2006/2007 e em 2010/2011. E só não esteve na final em 2008, disputada entre Palmeiras e Ponte Preta, já que tem 2009 foi vice-campeão, para variar, contra o Corinthians.

Enfim, com 5 títulos em 11 disputados, ninguém venceu mais campeonatos paulistas no século XXI do que o Santos. Ou seja, neste momento, é mais do que verdadeira a frase inicial do hino: “agora quem dá bola é o Santos”.

JFQ

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Opinião de Torcedor



O Santos será o campeão paulista de 2011, simplesmente porque "agora quem dá bola é o Santos" ou, se preferir, porque só ele tem os melhores jogadores do Brassssiiiiillllllllllllll.

Sandra Regina Ignácio, santista.

***

O Corinthians será campeão porque estamos num ano ímpar.

Wlademir Corazzari Jr, corinthiano.

***
Depois da era Pelé, está voltando o ciclo do Santos campeão.

Fernando Miyadaira, santista.

***

O Corinthians é sempre forte na final. Além disso, o Santos está cansado pelo excesso de viagens e jogos.

Mário Borges, corinthiano.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Favorito, sim!


Santos 0x1 Palmeiras

No início do Paulistão, o Palmeiras era, talvez, o representante dos quatro grandes no qual a maioria dos comentaristas esportivos menos botava fé. Apesar do comando de Felipão, o Verdão era – e continua sendo – o grande com elenco mais limitado tecnicamente. Ainda mais se considerarmos que Valdívia, a grande contratação do clube, passa por longo período afastado dos gramados por lesão. Bem como o eterno ídolo Marcos.

A rigor, o Palmeiras tem um grande jogador – Kleber, o gladiador – e um veterano, digamos, que impõe respeito – Marcos Assunção. No mais, trata-se de um elenco de jogadores regulares. Porém, pelo que vêm mostrando no campeonato, esses mesmos jogadores compensam a menor qualidade técnica com rigorosa disciplina tática. Quiçá, dos grandes, o aquele com padrão de jogo mais bem definido. O que faz desse time, com todos os méritos, o líder do campeonato e tão favorito ao título quantos os demais grandes.

Na partida de ontem, em que, ironicamente, o Peixe mostrou dificuldades em jogar embaixo d’água, o escrete de Felipão soube impor sua vigorosa marcação sobre Elano, Ganso, Neymar e companhia. Aliás, afora Neymar, que mostrou bastante empenho – mas longe do brilho costumeiro –, as demais estrelas santistas estiveram irreconhecíveis. Principalmente Ganso, que errou passes curtos e teve a bola roubada algumas vezes. No entanto, a má atuação do time da Vila não desvaloriza em nada a eficiência – ou o equilíbrio, termo da moda – demonstrada pelo Palmeiras. Pelo contrário, foi o Palmeiras que soube se impor e determinar seu ritmo ao adversário.

Cicinho foi implacável na marcação de Neymar. Rivaldo mostrou a aplicação de sempre, marcando e arriscando perigosas subidas ao ataque. Márcio Araújo, Danilo e Thiago Heleno compuseram um paredão quase intransponível à frente de Deola. Patrik mostrou habilidade e ótima visão de jogo ao deixar Kleber na cara de Rafael para fazer o gol da vitória.

O gladiador – o Rooney brasileiro, se me permitem a comparação –comprovou a boa fase, movimentando-se constantemente, buscando a bola no meio e partindo para o ataque, na base da velocidade e da força.

Seu companheiro de ataque, Adriano, iniciou a partida demonstrando excessivo nervosismo, assim com Neymar, e deu lugar a Luan. O substituto entrou muito bem. Arrisco até a dizer que a entrada de Luan foi o divisor de águas da partida, dando ao Palmeiras maior poder de articulação e ataque, além da eficiência defensiva, seu ponto mais forte.

***

São Paulo 1x0 Mirassol

O São Paulo passou por maus bocados contra o bom Mirassol, na Arena Barueri. Sofreu investidas perigosas e até tomou bola na trave. Em um jogo bastante equilibrado, foi salvo pela genialidade de Lucas, autor do gol de placa que garantiu os três pontos do Tricolor. Será difícil a Mano Menezes não colocar o garoto no time titular da seleção.

Botafogo 0x0 Corinthians

Já o Corinthians fez partida sofrível contra o fraco Botafogo, em Ribeirão Preto. O pobre Liedson passou os 90 minutos de jogo à procura de alguém que lhe servisse a bola em condições de marcar. Em vão. O 0 a 0 foi o resultado mais justo, uma vez que as regras do jogo não preveem a possibilidade de placar negativo.

JFQ

terça-feira, 29 de março de 2011

Cem gols. Sem tabus



É claro que houve planos táticos, desenhos de jogadas ofensivas e defensivas bem ou mal executadas, de lado a lado. Mas o jogo entre São Paulo e Corinthians - que fez jus ao apelido de Majestoso –, disputado e Barueri, foi marcado mesmo pela emoção. Não foi uma partida para se analisar, para se ver com imparcialidade, mas para torcer. O embate teve espírito de batalha, de disputa aguerrida, muito mais do que disciplina tática. Apesar de não gostar do termo, os jogadores foram muito mais “guerreiros” em busca da gloriosa vitória de seu brasão do que “peças” supostamente posicionadas e movimentadas pelos técnicos-professores.

Além de tudo, foi uma partida histórica. Tanto pela queda do tabu – ou, se me permitem o neologismo tosco, o “retabu”, já que se tratava de uma reversão de tabu, primeiro favorável ao Tricolor, depois, ao Timão – como pela espetacular marca de 100 gols alcançada pelo, por que não dizer, lendário Rogério Ceni.

O São Paulo dominou a partida durante o primeiro tempo. Teve mais ímpeto, buscou seus objetivos, apesar de também ter sofrido boas investidas mosqueteiras. Dagoberto movimentou-se muito, criando opções no ataque. Fernandinho, em tarde inspirada, promoveu suas velozes arrancadas pela esquerda. Ah, quando a essa dupla juntarem-se Lucas e Luís Fabiano! Do lado corinthiano, Dentinho era o mais perigoso, apesar de mostrar, desde o começo, que o ímpeto por revidar a marcação implacável o trairia a qualquer momento.

Os jogadores não se avexaram em arriscar chutes de longe. Na sua segunda tentativa, Dagoberto, inexplicavelmente desmarcado, acertou um tirombaço no canto esquerdo de Júlio César. São Paulo, 1 a 0. O jogo que estava relativamente equilibrado passou a pender para o lado são-paulino. E o grande ídolo da história do clube, Rogério Ceni, começou a brilhar. No final do primeiro tempo, mostrou um reflexo incrível ao defender bola desviada na área por Jorge Henrique.

Iniciado o segundo tempo, empurrado pela torcida que dominava a Arena Barueri, o São Paulo chegou logo ao segundo, ou, dependendo do ponto de vista, ao centésimo. Fernandinho fintou Ralf, que tirou o pé para evitar a falta na entrada da área. Em seguida, o atacante tricolor repetiu a finta em Alessandro, que caiu na armadilha: falta, na medida para o gol histórico de Ceni. Qual o milésimo de Pelé ou o de Romário, ambos de pênalti, o lance de bola parada permitiu às câmeras que se posicionassem para registrar a história do melhor ângulo. E assim se fez: bola no ângulo esquerdo (direito do goleiro Júlio César), o alvo preferido de Rogério. São Paulo, 2 a 0 e merecidíssima parada para a festa dos 100 gols. Com direito a tirar a camisa e ao consequente cartão amarelo ao goleiro-artilheiro-lenda, sem qualquer reclamação.


Como se não bastasse, logo em seguida, Dagoberto partiu pela esquerda e tomou uma dura entrada de Alessandro. Cartão vermelho direito – e merecido – e pinta de goleada tricolor. Não obstante, como clássico é clássico e este tinha algo de mágico, eis que o próprio Dagoberto também foi expulso – e também com méritos – e Dentinho diminui o placar, também com um tirombaço de fora da área: 2 a 1, com pinta de reviravolta corinthiana.

Mas, como que para provar que o dia era mesmo tricolor, o mesmo Dentinho, estupidamente, revidou uma entrada de Rodrigo Souto com um chute (de leve) em lugar para lá de sensível nos homens, se é que me entendem. Dentinho foi expulso e o Corinthians se viu mais uma vez com um a menos em campo.

Mas a inferioridade numérica não impediu que o Timão insistisse até o último minuto. E, destaque-se, a segunda etapa foi até os 51 minutos, muito bem acrescidos pelo bom árbitro Guilherme Ceretta de Lima, em irrepreensível atuação, que sopesou muito bem as expulsões, as substituições e a cera são-paulina. No finalzinho, quase o Corinthians manteve o tabu com um golaço de bicicleta do até então apagado Liedson, defendida magistralmente pelo encantado Rogério Ceni.

Final da história: São Paulo 2x1 Corinthians. No dia do centésimo gol do maior goleiro-artilheiro da história do futebol, o centenário Timão ainda viu cair por terra a invencibilidade que sustentava há quase quatro anos.

***

Adeus, freguesia

Além das vitórias e, especialmente, das vitórias em final de campeonato, o tabu é outro meio de se manter acessa a rivalidade entre os times de futebol e seus torcedores. Muitas vezes, o tabu pesa até mais do que a própria conquista do título. O corinthiano Juca Kfouri, por exemplo, já declarou que o tabu contra o Santos, que durou 11 anos, incomodava-lhe muito mais do que a “fila” sem títulos, os 23 anos que o Timão passou sem levantar uma taça. Vale dizer, após o Corinthians encerrar o incômodo jejum contra o time da Vila Belmiro, que durou de 1957 até 1968, de 1976 a 1983 foi ele o invencível contra o Santos. Aliás, parece haver uma tendência de reviravoltas de tabus, como que um time, antes achincalhado pelo adversário, reunisse todos os esforços para a vingança.

Outros tabus ocorreram entre São Paulo e Corinthians. Só que no caso deste encerrado no domingo, há algo especialmente interessante: a reviravolta automática. De 13 jogos sem perder, o Tricolor amargou 11 sem ganhar (obs: há uma dupla contagem no empate entre a última vitória tricolor e a primeira vitória mosqueteira).

A angústia de quem não vence é terrível e a sensação de desforra contra quem passou longo tempo tirando sarro é maravilhosa. É o feitiço que se volta contra o feiticeiro. Eu, particularmente, admito: como corinthiano, preferia a permanência do tabu ao próprio título paulista deste ano. Após ficar quatro anos ouvindo as gozações dos amigos são-paulinos, caiu como uma benção a sequência de onze partidas sem derrotas. Mas, como não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe, um dia finda a alegria arrogante dos supostos invencíveis e o amargura dos que não conseguiam sentir o gosto da vitória.

Parabéns aos são-paulinos, tomados pela sensação de alívio que há quase quatro anos, em outubro de 2007, com um gol de Betão, eu também senti.

Em tempo: no mesmo domingo, também acabou o tabu de 8 anos entre Vila Nova e Atlético, ambos de Goiás (1x0). Parabéns, também, à torcida do Vila.

***

Parabéns à arbitragem

Guilherme Ceretta de Lima fez um trabalho irrepreensível no Majestoso disputado em Barueri. Há que se destacar que não se tratava de um jogo fácil. Muito pelo contrário! E Ceretta não amarelou em momento algum, tomando decisões no ato, com convicção e correção. Ressalto as três expulsões e os 6 minutos de acréscimo, muito bem justificados pela tempo gasto nas substituições, após mostrar o cartão vermelho e em vários momentos em que a equipe tricolor recorreu à tradicional cera. A propósito, o próprio Rogério Ceni, antes de cobrar um tiro de meta, admitiu a um repórter de campo da Globo que gastaria 30 segundos.

Tudo somado, não há o que reclamar da atuação do árbitro na partida que marcou, enfim, a vitória do São Paulo sobre o Corinthians.

***

Muito além dos 100 gols


O goleiro Rogério Ceni atingiu a impressionante marca de 100 gols. Para se ter uma ideia, imediatamente atrás dele estão o paraguaio Chilavert, com 62 gols, o colombiano Higuita, com 41, o mexicano Jorge Campos e o búlgaro Ivankov, ambos com 40 gols.

Os goleiros-artilheiros marcam praticamente todos os seus gols ou de falta ou de pênalti. A maioria deles, mais desta do que daquela forma. Ceni e Campos são exceções: fizeram mais gols de falta de que de pênalti.

No caso de Rogério, foram 56 de falta contra 44 de pênalti, em que pese alguns comentaristas contabilizarem um dos gols de falta como sendo de bola rolando (em cobrança de falta na partida entre São Paulo e Cruzeiro, em 2006, Ceni rolou a bola, que foi parada pelo companheiro e chutada pelo goleiro às redes adversárias).

O mais impressionante é que Rogério, 18º maior artilheiro do São Paulo, ao lado de Renato “Pé Murcho”, também é o maior artilheiro do time na Libertadores da América, com 11 gols. Detalhe: considerando os dois anos que o goleiro são-paulino ainda pretende jogar, pode-se esperar um aumento razoável na sua estatística de gols.

No entanto, a importância de Ceni vai muito além dos gols. Desde 1997, quando assumiu a condição de goleiro titular do Tricolor – a qual nunca mais perdeu –, Rogério participou decisivamente de diversas conquistas, com destaque para os Brasileiros de 2006 a 2008, a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2005. Para não falar das Copas de 2002 e 2006, em que Ceni participou na reserva.

Não apenas como artilheiro, mas também como um exímio arqueiro e, sobretudo, como uma liderança inconteste, Rogério Ceni transformou-se em um jogador lendário na história do São Paulo e do futebol brasileiro e mundial.

Os 100 gols de Rogério Ceni

JFQ

quinta-feira, 24 de março de 2011

O triplo sonho dominical do Tricolor


Mesmo com a derrota são-paulina para o Paulista de Jundiaí (3x2) e com a vitória corinthiana sobre o Oeste de Itápolis (3x0), ontem, a expectativa do tricolor paulista deve ser maior que a do alvinegro para o clássico que travarão no próximo domingo, em Barueri. Explica-se: no próximo Majestoso, como é chamada a peleja entre São Paulo e Corinthians, o time do Morumbi sonha em obter três conquistas marcantes, ao mesmo tempo. Se o São Paulo vencer, acabará com um incômodo tabu que terá durado, aproximadamente, três anos e meio ou 11 jogos sem vencer o arquirrival (7 vitórias corinthianas e 4 empates).

De quebra, o São Paulo tirará o Corinthians da liderança e, caso o Palmeiras não vença o Bragantino, no próximo sábado, retornará à ponta do Paulistão. Por fim, se Rogério Ceni marcar um gol, será o centésimo de sua carreira, número para lá de simbólico em se tratando de um goleiro. Aliás, Ceni já é o goleiro com mais gols na história do futebol, seguido pelo paraguaio Chilavert, já aposentado, que conta “apenas” 62 gols no currículo. Vale lembrar que a FIFA reconhece 97 gols do goleiro são-paulino, deixando de somar dois deles, marcados em amistosos.

Sobre o tabu atual, o interessante é que o Timão reverteu a “freguesia”, isto é, a sina de resultados favoráveis sobre o rival, já que de março de 2003 a outubro de 2007 foi ele, Corinthians, que não conseguiu vencer o Tricolor (13 jogos, com 8 derrotas e 5 empates). Detalhe: o empate de 1 a 1 em partida pelo Brasileirão, ocorrida em 14/07/2007, é considerada tanto por são-paulinos como por corinthianos como pertencente ao “seu” tabu. Isto porque tal partida está justamente entre a última vitória do São Paulo (3 a 1, em 11/02/2007) e a primeira vitória do Corinthians (1 a 0, em 14/10/2007, com o famoso gol de Betão). Portanto, são-paulinos e corinthianos podem colocá-la na “sua” sequência de partidas em que permaneceu invicto diante do outro (ver quadro abaixo).

Uma curiosidade: a “reversão de tabus” parece uma tradição do mosqueteiro, que passou 11 anos sem vencer o Santos e, em seguida, ficou 7 sem derrotas para o time da Vila Belmiro. Outra curiosidade: a última vez que o Corinthians venceu o São Paulo antes do tabu pró-Tricolor foi no dia 22/03/2003, na final do Paulistão desse ano, quando, assim como hoje, Ceni defendia o gol do time do Morumbi e Liedson era o principal atacante do Timão.


JFQ

segunda-feira, 21 de março de 2011

“Basco” 2x0 “Botafugo”, e outros jogos



No dia em que Obama discursou no Teatro Municipal do Rio, citando a partida Vasco x Botafogo – nas palavras do presidente americano, “Basco” e “Botafugo” –, após ter ganho uma camisa do Flamengo de Patrícia Amorim, o futebol brasileiro não lhe prestou a devida homenagem. A não ser pelo citado clássico alvinegro carioca, que teve, sim, emoções e gols (destaque para a atuação do goleiro botafoguense Jefferson e para o golaço do vascaíno Eder Luís), os grandes do Rio e de São Paulo judiaram da bola.

O Flamengo não passou do 0 a 0 contra o fraco Cabofriense, resultado ruim, mesmo se considerarmos as ausências de Thiago Neves e Ronaldinho Gaúcho. O Palmeiras também não conseguiu passar pelo não menos fraco São Caetano: 1 a 1. Mesmo o Corinthians e o São Paulo, que venceram por 1 golzinhos seus “poderosos” adversários – respectivamente, o Americana e o Grêmio Prudente –, ficaram longe de um desempenho digno do esporte bretão.

Que seja apenas uma nhaca trazida por Obama. Que a leve consigo para o Chile e além.

JFQ

terça-feira, 1 de março de 2011

Choque-Rei aquático



Após espera de uma hora, concluiu-se que São Paulo e Palmeiras poderiam jogar futebol sob a chuva que caiu no Morumbi, no último domingo. As imagens dos torcedores nadando – literalmente – nas arquibancadas do estádio são impressionantes. Assim como a ótima drenagem do gramado que, de fato, mostrou sua eficiência.

Valeu a espera. As duas equipes, cada qual com seu estilo, fizeram uma boa partida, muito embora tenham exagerado na “vontade”: neologismo para violência.

O São Paulo veio mais uma vez com a nova formação implantada por Carpegiani: um 3-5-2, que deixa o jogo do tricolor fluir melhor, aproveitando as melhores características de seus jogadores. Atrás, Miranda, Alex Silva e Rodolfo compõem a zaga e dão cobertura para que Jean, pela direita, e Juan, pela esquerda, fiquem mais avançados. Casemiro e Carlinhos Paraíba – este mais solto, aquele mais contido – são os volantes, enquanto Lucas tem a incumbência de fazer a bola girar do meio para o ataque, juntamente com Dagoberto e Fernandinho. No entanto, Felipão, sabedor da importância e da qualidade do jovem talento são-paulino, impôs forte marcação em Lucas, praticamente o anulando na partida. Fernandinho, mais restrito ao lado esquerdo, e Dagoberto, o mais livre para atuar em todas as regiões do campo, acabam de montar o esquema que prescinde de centroavante, mas não o torna menos ofensivo e perigoso.

Já o Verdão tem uma postura mais pesada, porém equilibrada. O Palmeiras cadencia mais a bola, até por não ter jogadores tão leves e, especialmente, tão técnicos como o São Paulo. Aliás, esse é o grande problema do Palmeiras: afora Valdívia – ainda aquém do seu melhor futebol – e de Kleber, é um time de jogadores regulares, esforçados. Dada a movimentação rápida do São Paulo, o Palmeiras se viu obrigado a segurar Cicinho atrás, perdendo uma boa opção de ataque. Além dele, Márcio Araújo, Marcos Assunção e o lateral esquerdo Gabriel Silva também pouco subiram – até pela necessidade de conter o ímpeto ofensivo do adversário –, fazendo voltar a ladainha mais ouvida no Parque Antártica: Kleber fica isolado na frente, precisa de um companheiro de ataque. Luan e Tinga não têm a qualidade necessária para formar um time que amedronte os adversários, e Valdívia, como já dito, vem de longo período de recuperação.

Se o gol de Fernandinho fez com que o Tricolor vislumbrasse um cenário otimista de contra-ataques fulminantes, a reação impulsiva de Alex Silva e sua decorrente expulsão fizeram com que o Palmeiras reequilibrasse as forças, crescendo em campo. Em que pese o São Paulo, durante um bom tempo, ter sido melhor, ainda que com um jogador a menos.

Felipão, antevendo tendência de o árbitro “compensar” a expulsão do zagueiro são-paulino, tirou de campo os jogadores que haviam tomado cartão amarelo. Leandro Amaro entrou no lugar de Danilo e Marcos Assunção deu lugar a João Vitor. No entanto, a substituição mais decisiva foi a de Adriano “Michael Jackson” no lugar de Luan. O jogador deu mais velocidade às chegadas do Palmeiras e se aproximou de Kleber, tornando o ataque mais eficiente. Como se não bastasse, fez o gol de empate, em belo chute cruzado no canto esquerdo de Rogério Ceni.

Carpegiani, por outro lado, promoveu substituições que tornaram seu time mais lento e desarticulado. A entrada de Xandão, para recompor o sistema de três zagueiros, no lugar de Fernandinho, fez o tricolor perder força no ataque. Rivaldo, no lugar de Lucas, e William José, no lugar de Dagoberto, apesar de boas opções, não corresponderam às expectativas.

Final: 1 a 1. Embaixo de tanta água, até que São Paulo e Palmeiras fizeram uma partida, se não brilhante, digna de um verdadeiro Choque-Rei.

***

Quem tirará satisfação de Alex Silva?



Parabéns ao árbitro Marcelo Ribeiro de Souza. Apesar das reclamações de parte a parte – na minha opinião, decorrentes muito mais do nervosismo gerado pelas dúvidas sobre a realização da partida após tanta chuva do que, propriamente, por erros de arbitragem –, Souza fez um excelente trabalho. Soube esperar, soube decidir e soube fazer a escolha certa: realizar a partida. Ademais, soube punir Alex Silva por uma atitude que, além de um ímpeto, é uma modinha ridícula oriunda dos “civilizados” gramados europeus: a modinha de tirar satisfação de adversário por suposta simulação.

Sim, a simulação é anti-jogo e deve ser prontamente punida pelo árbitro. Ressalte-se: pelo árbitro! Se um jogador faz as vezes de árbitro ou de “profissional ofendido” pela atitude antiética de outro, também deve ser punido. Simplesmente porque não lhe cabe tal atitude.

Infelizmente, há modas na Europa que são copiadas por nossos jogadores. Em vez de copiarmos o que somente há de bom, copiamos também as bobagens. O “tirar satisfação” é uma delas. Assim como o tal do fair play, em que, quando um jogador aparenta estar machucado, o outro deve jogar a bola para fora de campo para seu atendimento. Sim, está certo. Mais certo, ainda, seria o árbitro parar a partida para o atendimento, já que a responsabilidade por avaliar e decidir é dele, não dos jogadores.

No caso de Alex Silva, sua atitude foi decisiva para o crescimento do Palmeiras na partida, quiçá para o resultado final. Será que seus companheiros, a diretoria ou a torcida são-paulina têm o direito de “tirar satisfação” de Alex por isso?

***

Jogar, cair e reclamar

Valdívia é um excelente jogador. Ainda está sem ritmo de jogo, mas, quando o adquirir, promete ser uma das sensações do campeonato. Porém, o chileno precisa perder o vício da catimba. Por mais faltas que sofra, Valdívia a aumenta à enésima potência. Um esbarrão nele tem o mesmo efeito de um cruzado de direta de Mike Tyson no auge da carreira. Além do teatro, seguem-se as reclamações, muitas vezes acintosas, para as quais ganha a companhia de Kleber.

Se o excesso de “civilização à européia” de Alex Silva é criticável, também o é o excesso de “catimba sul-americana”. Talvez o melhor futebol esteja no meio do caminho.

JFQ

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Vingança e homenagem



Corinthians 3x1 Santos

Em tarde de muita chuva no Pacaembu, o Corinthians manteve a invencibilidade no Paulistão – além de mais uma vitória sobre arquirrivais –, aplicando um convincente 3 a 1 sobre o Santos. Sobretudo, foi uma tarde de homenagem a Ronaldo, o ídolo recém-aposentado.

Antes da partida, o Fenômeno, acompanhado dos filhos Ronald e Alex, desceu ao gramado vestindo uma camisa em que afirma amor eterno ao Corinthians. Discursou, agradeceu, recebeu uma placa das mãos do presidente corinthiano e reforçou a condição de “mais um louco no bando de loucos”. Os ex-colegas de clube entraram em campo com uma outra camisa em que se lia “Ronaldo, eternamente em nossos corações”. Além disso, na camisa de jogo, cada jogador tinha o número 9 nas costas.

Tudo muito bom, bela homenagem. Só que o melhor estava por vir. Elenco compenetrado, sabedor da pedreira que era o adversário, o Timão impôs forte marcação e foi implacável nos ataques. Fábio Santos revelou uma qualidade pouco conhecida da sua nova torcida: a de grande batedor de faltas. Marcou um golaço.

Se a qualidade do chute de longa distância de Fábio Santos não era tão conhecida, ninguém poderia alegar desconhecimento quanto à mesma qualidade em Elano. O que não impediu que o ex-titular de Dunga mandasse um tirombaço indefensável no ângulo esquerdo de Júlio César: 1 a 1.

O segundo tempo começou e com ele, a tempestade. Mas quem se adaptou muito bem à água não foi o Peixe, e sim, o Mosqueteiro. À la Robinho, Dentinho entrou na área santista às pedaladas e qual o Rogério da final de 2002, Adriano perdeu o tempo da bola e derrubou o corinthiano. Pênalti convertido por Fábio Santos, o artilheiro do dia. Vingança consolidada.

Só que a partida não tinha acabado. Se Dentinho repetira o Robinho de 2002, Liedson resolveu repetir Ronaldo – o homenageado do dia – na final do Paulistão de 2009. O golaço de Liedson, encobrindo Rafael, foi imediatamente associado àquele de Ronaldo em cima de Fábio Costa, certamente o mais bonito que o Fenômeno fez com a camisa do Timão.

Após a vexatória desclassificação da Libertadores, o Corinthians parece ter começado a engrenar. Destaque para Liedson, uma excepcional – apesar de tardia – contratação. Destaque também para Ralf, que a cada jogo vem provando ser um dos melhores volantes em campos brasileiros.

O Santos, por sua vez, continua bem na tabela e, pelo menos no papel, a ser um grande time, talvez o melhor do país na atualidade. Apesar disso, Adilson Batista começa a ouvir os gritos hostis de parte da insatisfeita torcida santista. Gritos, aliás, parecidos com os que ouviu há pouco tempo justamente no Corinthians. Os próximos jogos serão decisivos para seu futuro no Santos. A insistência em Diogo, no lugar de Zé Love, e em deixar o rápido Maikon Leite no banco, podem abreviar sua passagem pela Vila Belmiro.

***

Líder limitado

Mogi Mirim 0x0 Palmeiras


Mesmo permanecendo líder, o Palmeiras vem cada vez mais demonstrando suas fragilidades. Assim como a árdua missão em fazer uma boa campanha com um elenco nitidamente limitado. Kleber merece cada vez mais o apelido de Gladiador, tamanha a luta para vencer zagas adversárias praticamente sozinho. Apesar da volta de Valdívia, ainda longe de sua melhor forma, não é o chileno o atacante capaz de formar boa dupla de ataque com Kleber. Falta um matador, um atacante de peso, com faro de gol. Felipão gostaria de ter Grafite, hoje no futebol alemão, mas a diretoria já sinaliza que a contratação é difícil. Enquanto isso, o Palmeiras vai de Kleber, Valdívia e uma série de jogadores, na melhor das hipóteses, razoáveis.

O goleiro João Paulo, do Mogi, foi o nome da partida. Um verdadeiro paredão diante de tentativas infindáveis do Palmeiras, que, diga-se de passagem, também tomou seus sustos.

O Palmeiras ainda é líder, mas já se pode notar uma queda na empolgação da torcida após série de vitórias sucessivas. E suadas.

***

Oito mais oitenta

São Paulo 4x0 Bragantino


Para mim, o São Paulo é o favorito à conquista do título paulista de 2011. Carpegiani parece ter encontrado, finalmente, a fórmula de organização das jogadas de ataque que há muito tentava com Marlos, após a saída de Hernanes. A solução responde pelo nome de Lucas. O garoto resolveu se emancipar e mostrar que não é apenas uma promessa, mas uma realidade. Com Dagoberto e Fernandinho abertos – prescindindo de um centroavante e de organizadores de jogada com característica de cadenciar as jogadas, como Fernandão –, e Lucas vindo de trás, os ataques são-paulinos aumentaram a velocidade e a eficácia. Com triangulações rápidas e bastante objetivas, em poucos toques a bola surge nos pés de algum atacante frente a frente com o goleiro.

Na partida contra o Bragantino, isso foi uma constante. E os gols surgiram, um atrás do outro.

Além de Lucas, Casemiro e William José mostram a força tricolor da garotada. Aliada à experiência de veteranos como Rivaldo e o ídolo maior Rogério Ceni, o São Paulo tem tudo para se fortalecer cada vez mais.

JFQ

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Antes tarde do que nunca


Paulistão 2011
Corinthians 4x0 Ituano

Ironia das ironias: o Corinthians pós-trauma da pré-Libertadores oferece boas razões para que a Fiel tenha esperanças. Após o desastre contra o Tolima, foram duas vitórias: uma contra o arquirrival Palmeiras, outra contra o fraco Ituano, mas com goleada e bela atuação de Liedson e Morais.

Sem ofender Ronaldo – de quem sou fã incondicional –, mas, apesar da fragilidade do Ituano, Liedson passou a impressão de que o Corinthians voltou a jogar com onze jogadores.

Também Morais, mesmo jogando pouco tempo nas últimas duas partidas, voltou a apresentar sua melhor forma: a dos tempos de Vasco.

Fica clara a tendência de desmanche no Parque São Jorge, de fim de um ciclo e começo de outro. Bruno César está, no mínimo, “de castigo”. O que é um risco para o Corinthians, já que se trata de um ótimo jogador. Bruno César não pode ficar de fora, mesmo tendo Morais em boa forma, além de Danilo e Ramirez. É uma incógnita, de qualquer forma, seu destino na equipe. Ou fora dela.

Roberto Carlos despediu-se melancolicamente, sob o pretexto de preservar sua segurança e de sua família, ameaçadas após a eliminação. Acredite quem quiser.

E Ronaldo? Bem, Ronaldo espera um novo bom momento para se aposentar. Ou - há quem aposte - transferir-se para o Flamengo.

JFQ

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Clássico é clássico

Clássico é clássico. Ou seja, não importa se um dos times está numa conjuntura favorável e o outro em pleno inferno astral: em um clássico, qualquer resultado é possível. Ontem, o princípio valeu até para o rubgy e o futebol americano. No rugby, o Brasil, pela primeira vez na história, venceu a Argentina (vão precisar refazer aquela propaganda que exalta o crescimento do esporte no nosso país, mencionando o feito histórico). No Super Bowl, o principal jogo daquele rugby de capacetes que os norte-americanos chamam de futebol, o franco-favorito Pittsburgh Steelers viu a zebra Green Bay Packers, que quase não se classificou para os playoffs finais, levantar a 45ª taça.


Voltando ao futebol de verdade, jogado com os pés, Palmeiras x Corinthians, pelo Paulistão, Botafogo x Fluminense, pelo Carioca, e Brasil x Argentina, pelo Sul-Americano Sub-20, reforçaram o princípio.

***

São Júlio César

Em tarde inspiradíssima do goleiro corinthiano Júlio César, o Timão frustrou as expectativas – de alguns corinthianos, inclusive – de que passaria por mais um vexame após a derrota para o Tolima, o que seria a pá de cal sobre Tite, Ronaldo, Andrés Sanchez e companhia. Mas, apesar de ter maior volume de jogo, mais posse de bola e, sobretudo, mais chances reais de gol, o Palmeiras, líder do Paulistão, se viu derrotado pelo arquirrival em uma das duas únicas subidas perigosas do Corinthians. Além do gol de Alessandro, o Timão só ameaçou a meta alviverde em um chute à queima-roupa de Jucilei, defendido por “são” Marcos.

No entanto, quem andou fazendo milagres foi mesmo Júlio César. O goleiro corinthiano fez nove defesas, sendo quatro bastante difíceis. O que mostra a evolução desse jovem talento do Parque São Jorge. Como se não bastasse, Júlio César também contou com aquilo que nove entre dez comentaristas mencionam como pré-requisito de todo bom goleiro: sorte. Em dois lances, o gol palmeirense só não saiu por conta do rodrigueano Sobrenatural de Almeida. No primeiro, após rebatida do goleiro corinthiano, o zagueiro Maurício Ramos, frente a frente com o gol livre, chutou para fora. No segundo, um lance inacreditável, já nos estertores da peleja, em que, após outra rebatida, a bola foi cabeceada na trave por Patrick, bateu nas costas de Chicão e foi agarrada por “são” Júlio César em cima da linha.

Apesar da superioridade palmeirense, como futebol é bola na rede, comemorou o Timão, que soube se defender e marcar o tento da vitória.

No Palmeiras, destaque para Adriano, que deu grande movimentação ao time logo que entrou no lugar de Tinga. Destaque também para a “ausência” de Cicinho, apagadíssimo em campo, e para a evidente necessidade de um companheiro de ataque para Kleber. Que venha Valdívia.

No Corinthians, além de Júlio César, destaque para Ralf, sempre eficiente na marcação, para a renascida determinação de Jucilei e para a evidente incapacidade de Edno em cumprir a função de um atacante realmente perigoso. Que venha Liedson.

***

Loco é quem me diz...


Na partida entre Botafogo e Fluminense aconteceu de tudo. Pênaltis polêmicos, pênalti com cavadinha (dois), pênalti marcado, pênalti perdido, expulsões, substituições criticadas, cinco gols e até convite para churrasco. Isso mesmo. Perguntado após o jogo sobre entrevero com Fred, o botafoguense “Loco” Abreu, disse que o atacante tricolor se enervara por sua recusa em ir a um churrasco que faria logo mais.

Como se não bastasse, para comprovar que o apelido vem bem a calhar, Abreu cobrou dois pênaltis – um polêmico, outro inexistente – com a tradicional cavadinha. No primeiro, Diego Cavallieri pegou facilmente; no segundo, converteu.

O grande destaque em campo foi Renato Cajá, que marcou gol, deu assistência para outro de Herrera, além de chutes sempre perigosos de fora da área.

O Fluminense, então líder do grupo e favorito, também viu sua superioridade em tese cair na real. Em que pese o chororô contra a arbitragem (neste caso, chororô com razão de ser, partido do pessoal das Laranjeiras), o Botafogo faturou três gols, três pontos e a chance de escapar do Flamengo nas semifinais da Taça Guanabara.

***

Complexo de Felipe Melo

Também o Brasil foi vítima da maldição dos favoritos nos clássicos deste domingo. Acima de tudo, foi vítima de si mesmo, de seu nervosismo. Enfrentando uma Argentina que, pelo retrospecto no torneio sul-americano, assusta muito menos que outros escretes hermanos do passado, o Brasil deixou-se levar pela ansiedade e, talvez, pela pressa em resolver sua classificação para o Mundial da Colômbia e para as Olimpíadas de Londres.

Logo no início, nossa seleção perdeu o zagueiro e capitão Bruno Uvini, contundido. Com a zaga enfraquecida, sofreu com as investidas do bom atacante argentino Funes Mori. Logo aos 7 minutos, Mori disputou uma bola com o zagueiro Juan que, num ímpeto de Felipe Melo, aplicou-lhe um sopapo dentro da área. Resultado: pênalti para a Argentina e Juan expulso. O mesmo Funes Mori bateu e converteu a cobrança. Ney Franco foi obrigado a sacrificar o atacante Oscar para repor a zaga.

Mesmo jogando com a zaga reserva (Romário e Saimon) e com um a menos, o Brasil era mais perigoso. Neymar passou a se movimentar por todo o campo – e, da mesma forma, foi duramente caçado pelos marcadores argentinos. Lucas também participou mais da articulação de jogadas. Aos 10 do segundo tempo, em um chute de fora da área, William marcou um golaço.

Com o empate, o Brasil deu mais espaços à Argentina, que contra-atacou pouco quando esteve em vantagem no placar. A Argentina chegou ao segundo gol em uma bobeira da defesa brasileira, que assistiu Iturbe entrar costurando até ficar na cara de Gabriel. Resultado: 2 a 1, Argentina.

Daí para frente o Brasil foi nervosismo puro. E ineficiência para chegar ao gol argentino. Para piorar, Neymar, irritado com as constantes faltas sofridas, tomou cartão amarelo por reclamação e está fora da próxima partida.

Em suma, o Brasil está agora em segundo lugar – o que basta para ir às Olimpíadas –, restando duas partidas para acabar o Sul-Americano. Porém, no próximo confronto, contra o Equador, a equipe não contará com Bruno Uvini, Juan e Neymar. Se não vencer, o Brasil pode ver muito longe uma vaga que já dava como certa.

JFQ

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Rodada de clássicos nos estaduais


Santos 2x0 São Paulo

A última rodada dos estaduais foi marcada por clássicos. Além disso, por bons jogos e belos gols.

Pelo Paulistão, o Santos confirmou sua condição de favorito ao bicampeonato, impondo um placar de 2 a 0 sobre o São Paulo, ainda no primeiro tempo. O jogo foi bastante disputado, com maior volume de jogo do Tricolor – principalmente na segunda etapa – e maior eficiência defensiva e ofensiva do Peixe. O Santos, aliás, reforçou as expectativas de que o ano de 2011 promete. O time é líder do campeonato, Adilson Batista parece ter conseguido organizar a equipe à sua maneira, Elano entrou muito bem e já posa de líder no meio campo (creio que, em breve, será chamado para a seleção) e, como se não bastasse, o Santos não conta ainda com Arouca, Neymar, Ganso e, talvez, tenha de volta Zé Love. Em suma, trata-se de um timaço, quiçá o melhor do país, no papel, e, como se pode constatar nas cinco primeiras rodadas do Paulistão, também em campo.

Sem exageros, o meio-campo formado por Elano, Arouca e Ganso, a mim parece um dos melhores do mundo na atualidade. Se Keirrison voltar a jogar perto do futebol que o consagrou no Coritiba, fará um ataque infernal com Neymar e Maikon Leite. Vale lembrar que este, contudo, deve ir para o Palmeiras na metade do ano.

O São Paulo mostrou garra, esforço, mas não passou muito disso. A equipe de Carpeggiani carece de um padrão de jogo definido, e de fugir da mesmice nas jogadas de Dagoberto e Fernandinho, ou mesmo de Marlon, que mostram velocidade, ímpetos de avançar na zaga adversária, mas pouca produção de gols. Para piorar, Fernandão não anda bem. Falta ao Tricolor, depois da saída de Ricardo Oliveira, um matador. Além de um articulador ou, no mínimo, um “esboço de maestro”, depois da saída de Hernanes. A boa expectativa fica por conta da dupla de laterais Ilsinho e Juan que, se bem aproveitados, poderão constituir o ponto positivo do time do Morumbi. Além das revelações Lucas e Casemiro, que também voltam ao time em breve, logo que terminar o Sul-Americano Sub-20.

***

Portuguesa 0x2 Palmeiras

O Palmeiras deu mais uma prova de sua ascensão. A equipe ainda é bastante limitada, ainda não conta com a presença de seu melhor jogador – Valdívia –, mas já se mostra superior àquela sofrível equipe do ano passado. Não que o futebol apresentado seja brilhante, longe disso. Mas Felipão parece estar encontrando o ponto ideal do que espera de uma equipe competitiva, sopesadas as limitações de elenco. O lateral Cicinho, vindo do Santo André, vem se destacando jogo a jogo, inclusive com um golaço contra a Portuguesa. Os 2 a 0 no clássico (a propósito, continua a se considerar clássico jogos contra a Lusa?) foi mais do que justo pelo futebol mostrado pelo Verdão, que continua a ser um time esforçado, com a diferença de que agora está conseguindo somar seus valiosos pontinhos e colocar-se bem no campeonato.

Além de Cicinho, destaque para Marcos, que retornou, pela enésima vez, jogando bem. Destaque também para Kleber, menos “gladiador” que no Cruzeiro, mas eficaz na condição mista de xerifão da frente, pivô e garçon do ataque palmeirense.

***

São Bernardo 2x2 Corinthians

O Corinthians empatou mais uma vez. Agora, contra o São Bernardo, no histórico estádio da Vila Euclides, onde, sob o comando de Lula, ocorreram as famosas greves de 1978. O ex-presidente, aliás, assistiu à partida, vestido com uniforme metade Corinthians, metade São Bernardo. Saída tucana, poderiam dizer seus mais irônicos críticos.

Com a cabeça voltada para o jogo de quarta contra o Tolima, pela Libertadores, o Corinthians jogou com equipe predominantemente reserva. Se o empate não foi um bom resultado – também não foi desastroso –, a boa notícia ficou por conta da atuação do peruano “Catito” Ramirez. Rápido pelos lados do campo, finta e tabela muito bem e, marcou um golaço, revelando-se grande chutador de fora da área.

Além da atuação de Ramirez, outra boa notícia para os corinthianos deve ser o anúncio nesta semana das contratações do volante Cristian e do atacante luso-brasileiro Liedson. Neste caso, melhor será que as novidades possam atuar na Libertadores, o que depende da classificação do time na partida de quarta-feira.

***

Flamengo 2x1 Vasco da Gama

Foi nítida a superioridade do Flamengo contra o Vasco. A equipe cruzmaltina, coitada, até mostrou empenho, principalmente na segunda etapa. Mas a inferioridade técnica não impediu a vitória do arquirrival, sem muito esforço, diga-se de passagem. Basta ver a atuação de Felipe, goleiro flamenguista, e do ótimo Fernando Praz, goleiro vascaíno: este foi muito mais acionado e fez boas defesas, enquanto aquele demonstrou uma performance burocrática e “para o gasto”.

Para além do aspecto técnico e tático, o lado psicológico – ou até, a aura – dos dois clubes revelou-se no clássico. A Gávea está em estado de graça com seus novos reforços. Thiago Neves, mesmo distante de sua melhor forma, mostrou a qualidade de grande jogador com um golaço e boa distribuição de jogadas do meio para frente. Ronaldinho Gaúcho, que assistiu à partida de camarote, ao lado da presidente Patrícia Amorim, já provocou o esgotamento dos ingressos da próxima partida do Mengo, contra o Nova Iguaçú, quando estreará com a camisa rubro-negra.

O Vasco, por outro lado, vive uma crise de bastidores, após bate-boca entre seu presidente Roberto Dinamite – cuja gestão vem sendo bastante criticada – o Carlos Alberto, principal jogador do elenco cruzmaltino. Para não dizer que é o pior time do campeonato carioca (perdeu todos os jogos), sem chances de chegar às semifinais.

As semifinais da Taça Guanabara, pelo que tudo indica, deve ser entre Botafogo x Resende ou Boavista e Flamengo x Fluminense, os dois últimos campeões brasileiros. Em tempo: promete ser o melhor Fla-Flu dos últimos anos.

***

Grêmio 2x1 Internacional


No último domingo também houve um inusitado Grenal em terras uruguaias. O principal clássico gaúcho ocorreu na cidade de Rivera, no país vizinho. Tanto o Grêmio – com a cabeça voltada para o jogo de quarta contra o Liverpool, pela Libertadores – como o Inter usaram suas equipes B. O técnico gremista Renato Gaúcho sequer foi a Rivera. O suposto desprestígio ao Grenal, contudo, não foi o bastante para que a partida fosse emocionante: 2x1 para o Grêmio, de virada.

JFQ