segunda-feira, 18 de julho de 2011

Japão supera os EUA e é campeão da Copa do Mundo feminina



O Japão é o novo campeão mundial do futebol feminino. Coroando uma campanha histórica e surpreendente, a seleção japonesa desbancou o favorito Estados Unidos na final deste domingo, em Frankfurt, na Alemanha, e ganhou nos pênaltis por 3 a 1, após um empate de 1 a 1 no tempo normal e outro 1 a 1 na prorrogação.

Sem nenhuma tradição no futebol feminino, o Japão tinha somado apenas três vitórias nas cinco edições anteriores do Mundial organizado pela Fifa - duas contra a Argentina e uma contra o Brasil. Dessa vez, porém, a seleção japonesa não se intimidou diante das grandes potências do esporte e foi avançando até o título inédito.

Na primeira fase do Mundial, o Japão somou duas vitórias (Nova Zelândia e México) e uma derrota (Inglaterra). Depois, já nas quartas de final, eliminou a anfitriã Alemanha. Na sequência, passou pela tradicional Suécia nas semifinais. E, por fim, derrotou os Estados Unidos, que buscavam o tricampeonato.

Os Estados Unidos já foram campeões mundiais duas vezes (1991 e 1999) e chegaram ao pódio nas outras três edições realizadas. Além disso, conquistaram três das quatro medalhas de ouro disputadas na história do futebol feminino na Olimpíada. E, para completar, eliminaram o Brasil da estrela Marta nas quartas de final da competição da Alemanha. Por isso, eram os favoritos na decisão deste domingo.

Diante de um público de 48.817 pessoas que lotou o estádio em Frankfurt, além da torcida do presidente Barack Obama, que acompanhou a final pela TV, os Estados Unidos começaram melhor, pressionando o adversário. E chegaram a mandar uma bola no travessão aos 27 minutos, com Wambach. Mas, aos poucos, o Japão equilibrou o jogo e passou a ter maior controle de bola.

Os gols, porém, saíram apenas no segundo tempo. Num rápido contra-ataque aos 23 minutos, Morgan, que tinha entrado no lugar de Cheney no intervalo, abriu o placar para os Estados Unidos. Mas o Japão empatou aos 34, quando Miyama aproveitou vacilo da zaga adversária e deixou tudo igual.

A decisão, então, foi para a prorrogação. E os Estados Unidos saíram novamente na frente, com uma cabeçada de Wambach aos 13 minutos do primeiro tempo. Mas o Japão voltou a empatar aos 11 da segunda etapa, quando Sawa também fez de cabeça, tornando-se a artilheira do Mundial (cinco gols) - Marta ficou com quatro.

Na disputa por pênaltis, as experientes jogadoras norte-americanas sentiram o nervosismo e desperdiçaram três cobranças - a goleira Kaihori defendeu os chutes de Boxx e Heath, enquanto Lloyd chutou por cima. Assim, os Estados Unidos marcou apenas com Wambach. Do lado do Japão, Nagasato também errou, mas Miyama, Sakaguchi e Kumagai fizeram os gols e garantiram o título inédito.

* Publicado pela agência Estado: http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,japao-vence-eua-e-e-campeao-do-mundial-feminino,746170,0.htm

Após terceira derrota consecutiva, Falcão é demitido do Inter


A sequência de resultados inconstantes do Internacional desde o começo do Campeonato Brasileiro fizeram o presidente Giovanni Luigi demitir o técnico Paulo Roberto Falcão e o responsável pelo departamento de futebol, Roberto Siegmann. A informação foi confirmada pelo cartola que deixa o comando do grupo profissional.

http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/brasileiro/serie-a/ultimas-noticias/2011/07/18/presidente-do-inter-demite-o-tecnico-falcao-e-o-responsavel-pelo-futebol.htm

Adilson Batista, o novo técnico do São Paulo

Nem mesmo os maus resultados obtidos em seus últimos trabalhos tiraram a empolgação de Adilson Batista. O treinador vai comandar o São Paulo a partir desta segunda-feira, quando será apresentado oficialmente no clube paulista.

Muito criticado em suas passagens por Corinthians, Santos e Atlético-PR, seus três últimos clubes, Adilson quer agora recuperar o status de treinador de ponta, que conseguiu ao conduzir o Cruzeiro ao segundo lugar da Libertadores de 2009.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Crítica à crítica

Virou lugar-comum a crítica de vários locutores e comentaristas esportivos sobre a arbitragem brasileira. Eis o bordão: “no Brasil, o árbitro apita qualquer faltinha”. O paradigma é a civilizada Europa, onde se deixa o jogo correr, não se amarra a partida com o apito. O falante Galvão Bueno, por exemplo, é um que adora bater nessa tecla, deixando em segundo plano as ponderações de um constrangido Arnaldo César Coelho. Para o comentarista de arbitragem, “a regra é clara”; e falta é falta!

No entanto, com o crescimento dessa crítica quase unânime – tem razão Nelson Rodrigues: toda unanimidade é burra, de fato! –, alguns árbitros passaram a tolerar lances mais ríspidos, como se fosse “coisa do jogo”. Com isso, algumas partidas beiram à perda de controle, com seguidas jogadas violentas.

Foi o que ocorreu ontem, no jogo entre Corinthians e Internacional. Apesar de vários lances violentos – com destaque para uma cotovelada de Bolívar em Liedson e outra, de Juan em Emerson –, o juizão Ricardo Marques Ribeiro deixou de reprimi-las apontando a falta ou mostrando cartão. No final, os dois únicos amarelos, dados a Zé Roberto e Gilberto, ambos do Inter, foi muito pouco para o que foi a partida. Deu sorte o senhor Ribeiro.

Às vezes, quando se papagaia muito uma coisa, esta passa a ser entendida como verdade absoluta. A quem pensa que a Europa é exemplo de arbitragem, talvez seja apropriada uma boa pesquisa sobre as contusões graves que ocorrem por lá, e uma análise do porquê certos “guerreiros” como Felipe Melo, Van Bommel ou Gatuso são, vez por outra, concebidos como craques.

JFQ

Para comemorar, sem se iludir



Copa América
Brasil 4x2 Equador

Há alguns dias, quando a seleção brasileira feminina bateu a Noruega por 3 a 0 e a masculina não passou de um empate sem gols contra a Venezuela, vários jornais publicaram foto de uma Marta esfuziante ao lado de um Neymar cabisbaixo. Na ocasião, comentei que, dada a natureza do futebol, não seria de se estranhar que num futuro próximo os semblantes dos retratados se invertessem. Por acaso, a situação das duas seleções se alteraram: enquanto a feminina voltou para casa, eliminada do Mundial (pela enésima vez) pelos EUA, o Brasil de Neymar segue na Copa América, classificado em primeiro no seu grupo.

Contudo, não se deve esquecer a natureza fugaz desse esporte. Da mesma forma, os gritos de gol na partida contra o Equador podem dar lugar ao silêncio vexatório depois do jogo contra o Paraguai, no próximo domingo. Tudo depende da continuidade ou não das evoluções – nem tantas assim, diga-se de passagem – notadas na última peleja. Vamos a ela.

Contra o Equador, as melhores novidades aconteceram do meio para frente: 1) Maicon mostrou-se ótima opção de ataque, nas passagens pela direita, qual um ponta das antigas; 2) Os três atacantes movimentaram-se bastante, não ficando presos a um espaço do campo, e, até que enfim, finalizaram várias vezes: Pato marcou dois gols, Neymar, outros dois, além de arriscar tiros até com exagero, e Robinho chutou bola na trave e marcou um gol legítimo, erroneamente anulado pela arbitragem. Como pontos negativos: 1) Ganso continua perdido, o que deve continuar enquanto não houver um parceiro no meio, como foi Jadson na partida contra o Paraguai; 2) Ramires está afoito, não servindo de opção para as subidas pelo meio ou como auxiliar de Lucas Leiva na marcação; 3) os zagueiros e o goleiro Júlio César, até pouco tempo, inquestionáveis, passaram a falhar com preocupante constância.

Parece ter havido uma inversão no desequilíbrio brasileiro. De uma equipe com boa defesa e articulação/ataque fraco, o que se viu na partida contra o Equador foi um escrete com tendência a marcar e sofrer gols com facilidade. Quanto ao ataque, apesar de Maicon ter jogado muito bem – o melhor em campo –, a seleção não pode depender apenas de suas jogadas pela direita. André Santos também deve servir como opção à esquerda e, principalmente, Ganso deve mostrar a que veio: ser o maestro do time, o ditador do ritmo no meio-campo brasileiro. Mas, repito, o problema de Ganso não é individual, assim como não era o de Messi; da mesma forma que o craque argentino encontrou em Gago um parceiro, Ganso precisa do seu, como foi Jadson. Por falar em Argentina, apesar da vitória brasileira, a seleção de Mano Menezes não demonstrou contra o Equador ter encontrado um padrão de jogo, como se pôde observar na partida dos hermanos contra a Costa Rica.

Quanto à defesa, alguns acertos devem ser feitos no posicionamento dos zagueiros e Júlio César, apesar das falhas – considero apenas o primeiro gol de Caecedo um frango, mas não o segundo –, continua sendo o melhor goleiro brasileiro e um dos melhores do mundo. Em que pesem os comentaristas que batem na tecla da má fase do arqueiro da Inter de Milão, não consigo enxergar Victor ou Jefferson como opções à altura de Júlio César. Enfim, ele merece crédito.

O problema maior está em Ramires: mal na marcação e à frente. Nem rouba as bolas com a pressão veloz outrora observada, nem serve de elemento surpresa a compor o ataque. Se Mano quiser ousar, Jadson seria uma opção, mas que acarretaria na presença de apenas um volante, Lucas Leiva, a ser compensada pela diminuição das subidas dos laterais e/ou em marcação à frente feita pelos atacantes. Aliás, por que o Brasil desistiu da postura de marcar no campo de ataque, como se viu no início do jogo contra a Venezuela?


De qualquer forma, há que se admitir que o Brasil melhorou contra o Equador. No entanto, há também que se lembrar – o placar final muitas vezes obscurece o enredo da partida – que a seleção mostrou um bom futebol apenas no segundo tempo. No primeiro, repetiram-se as mesmas falhas dos jogos anteriores. Para se ter uma ideia, ao final da primeira etapa o Brasil tinha 65% de posse de bola, mas finalizara 5 vezes, contra 6 do Equador. Ou seja, repetiam-se as estéreis trocas de passes das partidas anteriores.

Torçamos para que o Brasil do segundo tempo do jogo contra o Equador retorne contra o Paraguai. Melhor: além disso, que sane as deficiências demonstradas. Comemoremos a evolução, mas com os pés no chão; ainda há muito o que melhorar. A vitória, contudo, é fundamental do ponto de vista emocional: resultado e placar dão confiança, ajudam a desinibir os garotos para a continuidade do trabalho. Em outras palavras, é uma excelente motivação para que, após a partida de domingo, Neymar e companhia continuem a sair sorridentes nas fotos dos jornais.

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Sabe com quem está falando, professor?

Muito interessante a reação de Mano Menezes a cada gol feito pelo Brasil. Da comemoração no banco de reservas seguia-se o chamamento de algum jogador para instruções (broncas?), levando a reações de revolta por parte dos comandados. Lucas Leiva esboçou inconformidade em relação a alguma crítica do treinador e Thiago Silva chegou a jogar um copo d’água em claro sinal de discordância com alguma reprimenda do “professor”.

Apesar da relação hierárquica, fica a impressão de que o comandante é mais fraco que os comandados. Mais ou menos como se todos soubessem da fragilidade de Mano no cargo de treinador da seleção, podendo cair a cada má atuação do time, ao contrário de jogadores consagrados, certos de que voltarão ao selecionado nacional pelas mãos de um outro técnico.

Mais ou menos como o caso de Pelé que, expulso em uma partida amistosa, voltou a campo, enquanto o árbitro foi substituído. Surreal, pitoresco, etc., mas revelador de que ter estrela, e não apenas o cargo ou a função, é fundamental para manter-se no futebol.

A Mano ainda carece conquistar essa estrela.

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Em tempo: Ganso mostrou certa timidez ao ser substituído. Não que devesse vociferar contra o treinador, atitude imbecil de jogador marrento, até porque não fez boa partida. O meia do Santos saiu com semblante acanhado, mantendo-se assim no banco de reservas. Paulo Henrique precisa se convencer de que é um craque, não duvidar disso. Ganso tem estrela, mas, por ora, talvez esteja colocando em dúvida sua capacidade de brilhar.

JFQ

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A conquista de um sonho




Rafael Soares

Acredito que poucos se deram conta das vitórias conquistadas pelo Corinthians no seu Centenário. A primeira delas, e talvez a mais importante porque abriu caminho para as que se seguiram, foi a reestruturação da diretoria do clube. O Corinthians, semelhante a grande maioria dos clubes brasileiros, nunca havia conseguido emplacar uma administração profissional de seu futebol. A história do alvinegro paulista foi marcada por diretorias amadoras, escândalos, declarações acaloradas, negócios realizados por pura emoção ou que não beneficiavam em nada o clube.

No entanto, após umas das piores crises, que levou o clube ao inferno da segunda divisão, surgiu no Corinthians uma nova administração muito mais próxima ao modelo profissional que todos desejam. A marca Corinthians foi reconhecida como uma das mais importantes do país, gerando uma série de ações de marketing muito bem sucedidas, auferindo muitos recursos ao clube, além do reconhecimento internacional. O time passou por um grande período mantendo a base e o treinador, comportamento que permitiu o retorno a primeira divisão do futebol nacional, lhe rendeu títulos tanto regional quanto nacional e o colocou novamente na disputa do mais desejado título para os corinthianos, o da Copa Libertadores.

A Libertadores não foi conquistada, ainda, porém algo mais importante, e que parece passar desapercebido, sim. A construção de seu estádio, sonho mais antigo do que a conquista da América, foi garantida hoje. E mais, este estádio tão desejado e tão importante para seu crescimento e afirmação do clube como o mais importante do país, será nada mais nada menos do que a abertura da Copa do Mundo de 2014! Esta conquista, articulada no ano do Centenário, é muito mais importante do que a Libertadores, porque elevará o clube a um novo estágio e proporcionará muitos títulos, inclusive o da Libertadores.

* Rafael Soares, corinthiano, é colaborador do Ludopédicas.

Messi brilhou porque a Argentina mudou ou a Argentina mudou porque Messi brilhou?



Até que enfim, a Argentina mostrou bom futebol nesta Copa América. Mais do que isso, o grande ídolo Lionel Messi também desencantou. Pouco importa se o adversário era a Costa Rica. Os adversários anteriores, Bolívia e Colômbia, que empataram com os argentinos, também eram, no papel, muito inferiores; vale dizer, a Bolívia foi derrotada pela mesma Costa Rica por 2 a 0.

O que aconteceu, não nessa partida, em que a “verdadeira Argentina” se mostrou, mas nas anteriores, quando se viu a caricatura de uma das mais importantes seleções mundiais e do melhor jogador do planeta? Tenho uma hipótese: na partida contra a Costa Rica, o técnico Sergio Batista perdeu o medo de jogar apostando na vocação ofensiva e de toque de bola da Argentina. As quatro alterações que fez - saíram Cambiasso, Banega, Lavezzi e Tevez, entraram Gago, Aguero, Di Maria e Higuain -, menos pelos jogadores e mais pelo reenquadramento tático, possibilitou uma nova postura, uma nova dinâmica e, principalmente, que Messi pudesse jogar tudo o que sabe. E como ele sabe jogar!

Nas partidas contra Bolívia e Colômbia, Batista colocou Messi em uma cilada. Atrás dele, três volantes com características mais defensivas do que de armação; à frente, dois atacantes de lado de campo, cada qual muito isolado, à esquerda e à direita. O craque do Barça ficava sozinho com a responsabilidade de criar jogadas no meio e buscar Tevez e Lavezzi, que, apesar de movimentarem-se bastante, tendem a correr com a bola nos pés, não de receber a bola passada e finalizar de pronto.

A mudança mais ousada foi a colocação de um único volante de contenção - Mascherano - , compensada pela retenção dos laterais para função exclusiva de marcação; aliás, os pesados Zabaleta e Zanetti, ainda que bons jogadores (especialmente o último), atualmente não têm muitos recursos para o apoio.

Gago passou a auxiliar Messi no meio, participando da articulação e, não sendo “La Pulga” o único alvo a ser marcado, dificultou sobremaneira as ações defensivas costa-riquenhas no meio-campo. Além disso, para ajudar ainda mais as jogadas criadas por Messi nas assistências, calharam muitíssimo bem as três opções à frente, Aguero, Di Maria e Higuain. Todos se movimentaram muito e foram premiados com bolas açucaradas, no jeito para a finalização. Dessa forma, apesar da fase (ou característica?) de Higuain, que não consegue enfiar a bola para dentro, considerando a abundância de chances criadas e finalizações realizadas, os três gols foram até pouco.

Em suma, as mudanças no elenco e no esquema tático fizeram muito bem à Argentina e a Messi, que, finalmente, conseguiu melhores condições para mostrar que é, sem dúvida, o melhor jogador do mundo.

Além dos fatores acima, há que se ressaltar as consequências psicológicas positivas da boa receptividade da torcida de Córdoba sobre o escrete argentino. A começar pela presença no estádio do lendário Mário Kempes, que dá nome ao estádio. Isso também tirou muita pressão dos jogadores. Bem melhor do que começar as partidas questionando Messi por não cantar o hino nacional.

***

Lições para o Brasil

A mudança na seleção argentina pode bem servir de lição ao Brasil. Principalmente quanto à assunção de uma postura vencedora. Em outras palavras: para que se “arrisque” a jogar com apenas um volante, há que se estar convencido de que a equipe tem potencial para manter a bola na frente. Eis a lógica: manter a posse de bola e a ofensividade é uma maneira, quiçá a melhor, de proteger-se atrás. Em linguagem popular: o ataque é a melhor defesa.

No caso da articulação no meio, Jadson provou que pode ser o anteparo de Ganso (guardadas as devidas proporções, o nosso Messi). À frente, Lucas Silva poderia compor com Pato e Neymar um trio de ataque a se movimentar como fizeram Aguero, Di Maria e Higuain.

Ramires seria sacado, mas os laterais deveriam ficar mais atrás para não deixar a defesa desprotegida. De qualquer forma, nossos laterais têm mais recursos para apoiar do que os argentinos, o que, eventualmente, seria uma “vantagem comparativa” brasileira.

Claro que não se trata de uma fórmula que sirva a Barcelona, Argentina ou Brasil a qualquer hora e contra qualquer adversário. Cada um tem características, potencialidades e limites distintos, que devem ser sopesados quando das escolhas táticas. Entretanto, há que se considerar, ao menos como uma lição, o jogo da Argentina contra a Costa Rica. Até para que não se faça o samba de uma nota só, como Galvão Bueno, para quem tudo parece se resumir à falta de referência na área. A propósito, talvez seja o momento de o nobre locutor considerar que Ronaldo e Romário não jogam mais, e Fred, apesar de um jogador muito esforçado, pode não ser um salvador da pátria.

JFQ

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sina de freguesas



Mundial Feminino
Brasil 2(3) x 2(5) EUA

Sem fazer uma “profecia de fato”, bastante conveniente, mas também desleal, não era nada impossível vislumbrar que os EUA desclassificariam nossas meninas pela enésima vez. Os EUA estão para nossa seleção feminina assim como a França está para a masculina. Em que pese a inegável qualidade de Marta – a Pelé das mulheres –, o esporte bretão é coletivo e nossas meninas não estavam bem neste Mundial, apesar das vitórias. Na verdade, estavam mal tática e psicologicamente.

Em todos os jogos o Brasil demonstrou extrema dificuldade em armar jogadas de ataque, apelando inesgotavelmente para os chutões. A tal da ligação direta, de exceção tornou-se regra, assim como a dependência de Marta. As coisas só funcionavam depois que surgia um gol, em uma jogada fortuita, decorrente de um “detalhe”, como ensinou o mestre Parreira. Na frente no placar, nossas meninas tomavam-se de confiança, soltando-se no ataque e marcando mais gols. Ou seja, o componente psicológico sempre muito, muito forte nessa seleção feminina, que, é bom que se diga, não é a melhor que já tivemos. Além de Marta, Erika, Maurine, Rosana e Adréa merecem cuidados especiais para o futuro próximo do escrete canarinho. No caso de Cristiane, de boa capacidade técnica – embora já tenha se mostrado melhor –, há que se fazer um preparo mental especial: a atacante está extremamente individualista, pensando mais nela que no time, além de um tanto marrenta. Menos, Cris, menos!

As americanas, ainda que menos habilidosas, foram melhores na distribuição tática em campo e na concentração com que levaram a partida. Destaque para a bela goleira Hope Solo e para a capitã Wambach. Com menos de dois minutos de partida, aproveitando-se de uma desconcentração defensiva do Brasil, as americanas abriram o placar em uma infelicidade de Daiane: a brasileira, tentando interceptar o cruzamento na área, fez contra.


Daí até os 23 minutos do segundo tempo, a tônica foi o Brasil tentando se encontrar em campo e os EUA armando contra-ataques perigosos. E, por essas coisas do futebol, o que parecia ser um fato adverso, acabou servindo às nossas adversárias como força extra. Todo o estádio passou a vaiar a seleção brasileira e a apoiar as americanas após pênalti sofrido por Marta, que, ainda, acarretou a expulsão da zagueira Buehler. Além do pênalti, a árbitra Jacqui Mlksham, em péssima tarde, mandou voltar a cobrança após Cristiane praticamente recuar a bola para as mãos de Solo. Das duas possibilidades para justificar a nova cobrança, nem a goleira ter se adiantado (o que não aconteceu), nem a invasão da área por jogadora americana parece ter convencido aos torcedores que lotavam o estádio de Dresden de que as americanas não estavam sendo “garfadas”. Aliás, é sempre bom lembrar que pênalti é lance determinante para o resultado e, apesar de não estar na regra escrita, há certos usos e costumes, certas tolerâncias admitidas quase consensualmente por quem joga futebol. Por exemplo: adiantamento de goleiro ou invasão de área tem que ser acintosa para que se justifique a repetição da cobrança, o que, no caso, não ocorreu.

Marta assumiu a condição de batedora no lugar de Cristiane e converteu a cobrança. Dali em diante, o Brasil, embora tenha conquistado o empate, também passou a carregar um “fardo energético” (?): a aura do estádio passou conspirar pela vitória das americanas, tornadas vítimas da arbitragem e de certa malandragem brasileira (adendo: somos cada vez mais odiados nos campos “civilizados” da Europa por nosso estigma de malandragem; Neymar que o diga). Isso persistiu mesmo depois do golaço de Marta no início da prorrogação, que parecia selar um destino diferente dessa vez. A incessante luta das adversárias, porém, juntamente com a força negativa direcionada a Marta e companhia, assim como o interminável medo de sermos feliz contra as representantes de Tio Sam (em jargão boleiro: freguesia), culminou no gol de empate no último lance da prorrogação e à derrota nos pênaltis. Aliás, com pênalti perdido por Daiane, justamente a jogadora que fizera o gol contra e que jamais deveria ter sido relacionada para as cobranças pelo técnico Kleiton Lima.

De positivo ficou a marca de 12 gols de Marta, a maior artilheira de todas as Copas junto com a alemã Prinz. E a lição para as Olimpíadas do ano que vem: não basta ter Marta, há que se acertar o time em campo e, fundamental, a cabeça das meninas. Além do mais, quando se enfrentar os EUA, seria recomendável alguma macumbazinha, só para garantir.

Além do Brasil, também a Alemanha, quiçá a grande favorita ao título, foi eliminada do Mundial. Nas semifinais, os EUA pegam a França e o Japão pega a Suécia.


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Como ontem não era dia do Brasil, além da eliminação no Mundial feminino, também os meninos do sub-17 perderam para a Alemanha, por 4 a 3, na disputa do terceiro lugar no mundial da categoria. O México, país anfitrião, conquistou o título ao vencer o Uruguai por 2 a 0.

JFQ

Pardal Menezes, a volta de Ganso e o apagão defensivo



Copa América
Brasil 2x2 Paraguai

Acompanhando seus colegas de (passado) gigantismo, Argentina e Uruguai, o Brasil novamente decepcionou. Não pelo resultado – empate com o Paraguai não é vexatório, ainda mais na atual conjuntura –, mas pelo modo como a seleção de Mano Menezes deixou escapar o resultado positivo em um jogo cujas rédeas pareciam em suas mãos.

Três destaques: o retorno de Ganso, senão a um futebol brilhante, a uma boa atuação; o apagão da defesa, até então o ponto forte do time; e a fase “professor Pardal” que acometeu o treinador da seleção.

Se Paulo Henrique não fizera uma boa partida na estreia – na verdade, só não foi substituído por absoluta benevolência e confiança de Mano –, contra o Paraguai procurou a bola e protagonizou boas jogadas. Em especial, procurou fazer o que dele se espera: distribuição de jogadas e assistências precisas. Infelizmente, no momento em que isso se deu, os companheiros de ataque e das laterais não ajudaram. A presença de Jadson no meio ajudou Ganso a produzir mais; no entanto, o jogador a menos no ataque parece ter confundido Pato e Neymar, perdidos e confusos. Além disso, nem Daniel Alves, nem André Santos apoiaram as subidas para o ataque, não se sabe se por instrução do treinador ou por incapacidade momentânea, uma vez que o apoio é uma das principais características de ambos.

Aliás, Dani Alves e André Santos fizeram por merecer críticas também na atuação defensiva. Causaram tamanho descontentamento que podem até ceder suas vagas de titulares a Maicon e Adriano, na partida contra o Equador. Os dois gols do Paraguai – que não fez muito mais do que os gols – saíram de falhas bisonhas e seguidas do sistema defensivo. Nos dois gols, os paraguaios aproveitaram a falha de posicionamento de Daniel Alves, bem como de cobertura dos zagueiros Lúcio e Thiago Silva e do lateral André Santos. Juro que cheguei a pensar que a coisa era de propósito, sei lá, talvez como um protesto pela proibição de discursos religiosos como nos tempos de Dunga (será?). Contudo, prefiro crer que foi apenas um momento ruim. Muito ruim! Lúcio e Thiago Silva, além das falhas na marcação, abusaram das tentativas de ligação direta. Justo no dia em que Ganso estava bem na articulação e auxiliado por Jadson!

Por falar em Jadson, o contestado jogador foi a primeira “invenção” do professor Pardal Menezes. Como na partida contra a Venezuela, em que se via problemas no meio e Mano colocou um atacante, Jadson só era opção para início de jogo contra o Paraguai na cabeça do técnico. Elano e Lucas Silva, até pelas alterações anteriores feitas por Mano, eram opções mais esperadas. Não que o treinador deixe Jadson de lado – muito pelo contrário! –, mas parecia certo que no seu esquema só caberia um articulador, no caso, Ganso. Bem, o fato é que a opção deu certo, pelo menos por alguns minutos. Mais do que isso: Jadson foi o autor de um golaço que colocou o Brasil na frente. Só que, para contrariar o ditado futebolístico, Mano resolveu mexer em time que estava ganhando. Após convencer a muitos de que fizera a escolha certa, tirou Jadson para colocar Elano. Qual seria a intenção do treinador? A desvendar.

A seleção tomou os gols já citados, frutos da competência paraguaia, especialmente dos atacantes Santa Cruz e Valdez e do meia Lucas Barrios, e da incompetência defensiva, e passou a ser dominado. No momento em que o meio-campo era perdido, Mano mexeu no ataque. Parece ter ouvido o clamor de Galvão Bueno: falta o atacante de área, falta a referência, falta o centroavante!!!! Só faltou gritar: falta o Rrrrrrrrrrrroooonaaallllldo!!!! Mano colocou Fred, seu novo talismã, que aproveitou ótima assistência de Ganso para marcar o gol de empate no fechar das cortinas.

O empate não foi bom, mas ficou a sensação de que poderia ter sido pior. E, apesar dos pesares, o Brasil está numa situação até menos preocupante que a de Argentina e Uruguai. Ademais, para que é chegado a “superstições estatísticas”, quando o período pré-Copa é ruim é porque o Mundial promete, e vice-versa.

Agora, é bom Mano Menezes colocar as barbas de molho. Já deve haver muita gente dentro e fora da CBF convencida de que Muricy Ramalho não recusaria um convite pela segunda vez.

JFQ

Teixeira por Teixeira

Juca Kfouri


Dá até pena.

As declarações de Ricardo Teixeira, o cartola que comanda o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo no Brasil, à repórter Daniela Pinheiro, da revista "Piauí", são uma saraivada de tiros nos próprios pés.

Fora as balas perdidas em devaneios que os fatos não comprovam, como por exemplo a menção às pesquisas que aprovam seu trabalho na CBF. Fosse assim, por que ele fugiria de qualquer evento público no país? Por que foi vaiado na festa da própria CBF no fim do ano passado, no Theatro Municipal do Rio? Ou por que ouviu o coro que ouviu até da elite que estava na premiação do último Mundial de futebol de areia em Copacabana?

Outro tiro que erra o alvo é o que tenta convencer os leitores de que não foram as manobras protelatórias de seus advogados, pagos pela CBF, que conseguiram levar ao arquivo boa parte das denúncias que teve de responder na Justiça.

Mas nada disso surpreende.

Nem mesmo sua arrogância e o vocabulário destemperado, de baixo calão, típico de quem usa o discurso para esconder o sentimento, embora faça questão de revelar seu indiscutível poder.

Poder, como ele mesmo diz, de fazer maldades, de negar credenciamentos e até de constranger os amigos, ao deixar mal, por exemplo, o jornalismo da Rede Globo que, segundo ele, lhe seria subserviente.

Mas poder que não o faz nem ter credibilidade nem ser querido, apesar de achar que merece pois imagina que ganhou as duas Copas do Mundo conquistadas em sua gestão interminável.

Apesar disso, fica evidente que Teixeira sofre.

Porque quem crê nele? Nem sua pequena filha, que protagoniza episódio delicioso na reportagem, ao se surpreender com a repentina mudança de candidato apoiado por ele na recente eleição da Fifa e levar um beliscão por baixo da mesa para calar-se e deixar de ser inconveniente.

Que o ex-sogro, João Havelange, aos 95 anos, o tenha na conta e diga que ele é a própria definição de malandragem ("no bom sentido, claro") é compreensível. Mas que ele, ainda aos 64, fale que um portal como o UOL dá traço, ou que faz parte, com a Folha, o "Lance!" e a "ESPN", de uma "patota" é digno de internação, porque só Freud explica.

Teixeira imaginou que uma publicação com laços com o banco Itaú, patrocinador da CBF e da Copa, o pouparia. Enganou-se e falou demais.

Deu bom-dia a cavalo.


* Publicado na Folha de S.Paulo, em 10/07/2011.

Obs: A entrevista concedida por Ricardo Teixeira à Revista Piauí: http://blogprosecontras.blogspot.com/2011/07/entrevista-de-ricardo-teixeira-revista.html

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Carpegiani é demitido do São Paulo


Paulo César Carpegiani não é mais técnico do São Paulo. Em reunião na tarde desta quinta-feira, a diretoria do clube decidiu pela saída do treinador que não resistiu a mais uma derrota, dessa vez para o Flamengo, a terceira seguida no Campeonato Brasileiro.

A solução para a Argentina está no Brasil



A Argentina empatou mais uma vez. De novo, um modorrento zero a zero. Depois da Bolívia, a Colômbia foi a barreira intransponível para os hermanos nesta Copa América. A equipe de Sergio Batista não consegue criar jogadas. A razão talvez seja o esquema montado pelo próprio treinador. Atrás, há uma barreira de três volantes - Banega, Cambiasso e Mascherano - e dois laterais que pouco sobem - Zabaleta e o interminável Zanetti. Na frente, dois atacantes isolados - Lavezzi e Tevez - e o "melhor do mundo", Messi, com a duríssima tarefa de fazer a ligação e ainda chegar para compor o ataque. Messi não está bem, mas, ainda que estivesse, o esquema de Batista o sobrecarrega. As opções no banco são outros atacantes - Higuaín, Aguero, Di Maria, Milito. No entanto, o problema é a articulação no meio.



Tivesse assistido à partida do Cruzeiro contra o Grêmio, também ontem, o técnico argentino talvez ficasse com uma (outra) pulga atrás da orelha: será que esse Montillo não seria útil à nossa sofrida seleção? Oh, se seria! E caso dê uma espiada nesse mesmo país vizinho e rival, veria que há outras opções: D'Alessandro e Conca. Mas o melhor mesmo seria Montillo, em ótima fase. Como não o convocou, melhor para o Cruzeiro.

JFQ

terça-feira, 5 de julho de 2011

Gato por Lebre, Pato por Ganso, La Pulga por El Pibe, Marta por Marta



O final de semana foi movimentado para o futebol. No México, nossa seleção sub-17 garantiu vaga nas semifinais do Mundial da categoria, após vitória contra o Japão, por 3 a 2. Na Alemanha, pelo Mundial feminino, Marta e companhia garantiram a classificação antecipada para os mata-matas, depois de golear a Noruega, por 3 a 0. Finalmente, na Argentina, a seleção de Mano Menezes não passou de um 0 a 0 contra a Venezuela, seleção que resolveu dar trabalho ao Brasil nos últimos tempos. Com este resultado, nossa seleção juntou-se às arquirrivais Argentina e Uruguai como protagonistas das surpresas na estreia do torneio continental. O time de Messi não passou de um empate contra a Bolívia, por 1 a 1, mesmo placar da equipe comandada por Oscar Tabárez, também correndo atrás, contra o Peru. Mas, tratando-se de futebol, os placares não dizem tudo...

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Messi para Cristo

No país acostumado a tratar Diego Armando Maradona, El Pibe Doro, como um verdadeiro deus, os hermanos resolveram tomar Lionel Messi, La Pulga, para Cristo. O melhor do mundo não convence seus compatriotas, que tomaram Carlito Tevez como o verdadeiro ídolo pátrio. Explica-se: além da pecha de que Messi joga muito no Barça e pouco com a camisa argentina, há o histórico de ter passado toda a carreira, desde a infância, em campos espanhóis. Enquanto isso, Tevez foi ídolo no Boca.


O problema maior é a velha história de tomar um ídolo como redentor. A Argentina – talvez a imprensa mais do que os próprios torcedores – comete o mesmo erro, para não dizer vício, de achar que um grande jogador é capaz de substituir um time bem montado. O Barcelona, por exemplo – como já disse neste blog milhares de vezes –, não é dependente de Messi, apesar deste ser, óbvio, sua grande estrela. Kaká é outro exemplo: na última Copa foi "eleito" salvador da pátria, quiçá como uma última esperança de salvação de uma equipe que não convencia, quiçá para mascarar essa evidência. Ou seja, dá-se a culpa em um jogador pelas mazelas de todo um time. (Obs: não é exatamente este o caso de Ganso no último jogo do Brasil, apesar de haver semelhanças quanto à função de principal jogador).

Outra questão é a comparação entre Messi e Maradona: eis a grande diferença entre ambos. Dieguito resolvia sozinho – que o digam a fraca Argentina de 86 e o limitado Nápoli de 90 –, o que pode ter deixado os hermanos mal acostumados, enquanto Messi depende de bons companheiros ao seu lado.

O técnico Sergio Batista também deu sua parcela de contribuição para o resultado, não apenas por sobrecarregar Messi, mas por abusar do defensivismo contra uma seleção não tão perigosa. Três volantes – Banega, Cambiasso e Mascherano – é um exagero, um “dunguismo” desnecessário, e que não dá ao articulador do time as melhores condições de construir as jogadas. Justo a Messi, que tem Xavi e Iniesta ao lado para armar as jogadas de ataque do Barça! Para piorar, Tevez foi colocado como segundo atacante, um tanto isolado, enquanto o limitado Lavezze fazia as vezes de centroavante.

Há que se considerar, ainda, os méritos da seleção boliviana, bastante aplicada. Assim como a venezuelana e a peruana nos seus respectivos jogos. Sim, não há mais bobos no futebol. Além de não ter nada igual a disputar uma competição sem qualquer pressão para vencê-la.

Aposta: Na próxima partida, entra Aguero, Higuaín ou Di Maria. Talvez dois deles.

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Entre o princípio e o fim, o detalhe do gol... ou da falta dele


Adryan, revelação do Flamengo e da seleção sub-17


Quem vê apenas os placares dos jogos, não sabe o enredo, às vezes dramático, construído para se chegar a eles. Na partida em que a seleção sub-17 se classificou para as semifinais do Mundial disputado no México, os 3 a 2 podem ser resumidos assim: uma partida em que o Brasil manteve o domínio, fazendo 3 a 0, até que deu uma pane no final. O Japão se aproveitou, em menos de 10 minutos marcou dois gols e, talvez, nossos garotos tenham tido a sorte de que não havia mais tempo para o empate japonês. Agora o Brasil pega o Uruguai na semifinal, com a lição de que não pode bobear, ainda que a vitória pareça irreversível. Na outra semifinal, a Alemanha enfrenta o México. Destaque para a jovem revelação Adryan, que já havia se destacado no Flamengo, na conquista da Taça São Paulo de Juniors: é uma grande promessa.

No caso das seleções principais masculina e feminina, houve uma quase unanimidade em apontar Marta como gênio e Neymar como uma decepção. Em três ou quatro jornais que vi, as manchetes vinham com fotos dos dois, ela comemorando, ele cabisbaixo. Quem toma o placar de 3 a 0 e a informação de que Marta marcou dois, sendo o primeiro um golaço, e que Neymar não conseguiu marcar um golzinho sequer na Venezuela, confirma a ideia transmitida pelas fotos nos jornais. No entanto, há que se ressaltar que a seleção feminina jogava muito mal até o gol de Marta. A atuação das meninas não foi além do que jogaram – ou deixaram de jogar – contra a Austrália. O gol de Marta – após cometer falta, diga-se de passagem, não marcada pela arbitragem – abriu caminho para o resultado e para a arte que se viu após. Vá entender as mulheres! Ou melhor: vá entender o futebol! A melhor explicação, creio, está justamente no gol, esse detalhe, como dizia Parreira, capaz de mudar toda uma tendência, toda a história de uma partida, às vezes de um campeonato.

Só que esse mesmo detalhe – no caso, é um detalhe de fato, um tanto inexplicável de se dizer o porquê de ter ocorrido aqui e não alhures – não aconteceu na partida contra a Venezuela. Ah, se aquele chute de Alexandre Pato não tivesse ficado no travessão! O Brasil começou implacável contra os venezuelanos. Os jogadores entenderam bem a proposta “catalã” de marcar a saída adversária: nos primeiros sete minutos, sete roubadas de bola no campo de ataque. Porém, como o esforço não foi idêntico nas finalizações, o time de Mano Menezes acabou arrefecendo seu ímpeto e entrando na modorrenta troca de passes sem objetividade. Sem o gol no início – que, quem sabe, poderia ter aberto a porteira para uma goleada – a seleção se perdeu em campo.

Sobre as imagens dos jornais, em que pese haver sentido na Marta sorridente e no lamurioso Neymar, não é nada impossível que nos próximos jogos os dois sejam novamente vistos com semblantes totalmente diferentes. A depender de um detalhe capaz de trazer o equilíbrio emocional necessário para os talentosos redescobrirem, de um momento a outro, o talento que jamais deixaram de ter.

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Desculpas e “comprometimento”


O empate sem gols contra a Venezuela gerou uma série de explicações. Ou melhor, de desculpas, muitas delas nada criativas. O frio e o gramado cheio de buracos e areia são os fatores cuja citação é feita com mais vergonha. Além deles, há a pressão da estreia e a “nova” realidade do futebol mundial, onde “não há mais bobos”. Que o digam, além do Brasil, a Argentina e o Uruguai, que também não passaram de um empate contra Bolívia e Peru!

Aí a explicação já ganha certa sofisticação: a equipe adversária jogou fechada, dificultando as ações ofensivas do Brasil. Tal justificativa, contudo, recai no “dunguismo” de que a seleção só joga bem contra outras grandes seleções, que jogam mais abertas, que também têm a obrigação de vencer. Então, tá. É melhor jogar contra os fortes, o perigo são os fracos... No curto período de Mano, porém, já perdemos para Argentina e França, além de empatar com a Venezuela.

O pior “dunguismo”, porém, não foi esse, mas um certo “comprometimento”, palavra sacrossanta na época do antecessor de Mano, que significava, em suma, que jogadores que vinham de longo tempo no grupo sejam mantidos, ainda que outros estejam em melhor fase. Isso explica, por exemplo, os tantos volantes convocados para a Copa e as ausências de opções, até mesmo táticas, ao se deixar de levar para a África do Sul jogadores como Neymar e Ganso.

Mas, no caso de Mano, o tal comprometimento se deu justamente com Ganso. O santista, tido como fundamental para o novo esquema da seleção, foi mantido na partida, ainda que claramente estivesse perdido em campo e errando muitos passes. Os “milaneses” Robinho e Pato, que vinham relativamente bem – para mim, Pato foi o melhor brasileiro na partida –, saíram para dar lugar a Fred – por que Fred ? – e Lucas; Ganso e o esquema foram preservados. Eis o comprometimento: a preservação de um jogador e de um esquema a qualquer custo. Mano confiou até o fim que, mais cedo ou mais tarde, em um lance, as coisas dariam certo e se encaixariam. Há de se respeitar a opção do treinador. No entanto, também há que se preocupar com o fato de que alternativas táticas devem ser consideradas e que o técnico tem que ser corajoso para tirar de campo quem for necessário.



O problema do Brasil não era tanto o ataque – apesar de as finalizações serem um ponto a se melhorar, e muito! –, mas, sobretudo, a articulação. Sem a bola, o Brasil marcava à frente e a roubava até com certa facilidade. Mas, mesmo com a bola nos pés durante a maior parte do jogo, não sabia como chegar ao gol venezuelano. Pelos lados, tanto André Santos como Daniel Alves não apoiaram com eficiência. Pelo meio, Ramires partia destrambelhado com a bola, sem passar para ninguém, até trombar no marcador adversário. E Ganso, o principal responsável pela articulação das jogadas – quiçá, sobrecarregado –, subia à frente e muitas vezes não voltava para assumir sua principal função de distribuir a bola no meio-campo.

Aposta: Elano deve jogar na próxima partida, com o objetivo de ajudar Ganso no meio, mas sem se descuidar da marcação. Ramires ou Robinho deve pagar o pato (ou o ganso?).

Por fim, uma explicação que merece crédito: a falta de entrosamento. Só se faz o esquema sair do papel e ir à prática com muita repetição, muitas tentativas e erros, muitos jogos. E o Brasil de Mano jogou pouco. Para ser exato, o time considerado ideal, tirando uma “peça” aqui, outra ali, só atuou contra os Estados Unidos e contra a Venezuela, a primeira e a última partidas sob o comando de Mano Menezes. Sim, há que se ter paciência e confiança na capacidade do treinador. Que, aliás, já provou merecê-la. No entanto, este também há de nos convencer que possui um plano B ou C, caso o jogo não esteja fluindo. Se pudesse palpitar, diria que este plano alternativo passa necessariamente por Lucas, o do São Paulo.

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De bico também pode

Neymar precisa entender que gol de bico também vale. A propósito, eis um problema que nada tem a ver com o treinador, cujas declarações cobrando objetividade do jovem talento santista são abundantes na imprensa. Neymar precisa perder o cacoete do preciosismo. Ouvir o que diz Mano e, se quiser, rever o que fazia muito o hoje responsável pela gestão de sua carreira, Ronaldo Fenômeno.

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Falta de fair-play e falta (e abuso de) autoridade

Um lance foi muito comentado na partida entre Brasil e Venezuela. Com o jogador venezuelano Miku caído, Ganso prosseguiu uma jogada. Sem ouvir ou sem perceber os clamores para que chutasse a bola para fora de campo, Paulo Henrique tocou para Neymar que arrematou para fora do gol. Ato contínuo, os jogadores da Venezuela partiram para cima, reclamando da “atitude anti-desportiva” de PH. Para piorar, na saída para o intervalo, o técnico venezuelano César Farias partiu para cima de Neymar para tirar satisfações, ao que teria sido empurrado por Mano Menezes.

O que chama a atenção no “causo” não é apenas a falta de fair-play deste ou daquele lado, mas a falta e o abuso de autoridade. No caso de Ganso, não consigo entender por que um jogador deve parar a jogada para o atendimento de outro, e não o árbitro. A ideia é que o juiz não tem autoridade para parar a partida, dependendo do “bom senso” de quem tenha a posse momentânea da bola. Com certo exagero, é como o Estado deixar de assumir responsabilidades que são suas, fingindo que aquelas são dos cidadãos. Quer dizer, os venezuelanos deveriam ter partido em cima do juizão, e não do jogador brasileiro.

Por outro lado, a atitude do treinador da Venezuela, “tirando satisfações” – o que, ressalte-se, é muito comum também entre jogadores dentro de campo, especialmente quando avaliam que outros estão simulando faltas – é outra falta de fair-play, para não dizer um abuso da autoridade, dada a condição de “professor”, não apenas decorrente da falta de bom senso, mas também do vácuo de autoridade deixado pela arbitragem.

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O último bobo e o fim dos gigantes

Bolívia, Peru e Venezuela fizeram bonito na estreia. Não venceram, mas deixaram de ser goleadas – melhor: deixaram de perder! – pelos “gigantes” Argentina, Uruguai e Brasil, todos campeões mundiais.

Lembro-me quando era uma vergonha não golear a Colômbia ou o Equador. Há muito isso deixou de existir, já que após Valderrama e companhia, de um lado, e Aguinaga e companhia, de outro, essas duas seleções passaram a ser bem mais respeitadas. Outras, como o Peru e a Bolívia, oscilam momentos bons e ruins. Já a Venezuela, apenas há pouco tempo ganhou o status de “time a ser respeitado”. Penso que a Venezuela, inclusive, seja o último dos "bobos" sul-americanos, deixando o continente sem essa espécie futebolística. Melhor para o esporte bretão. Muito embora os outrora gigantes – mesmo o Uruguai, também há pouco renascido à condição de “uma das melhores seleções” – tenham, por seu lado, se apequenado. Ainda assim, aposto: Brasil, Argentina ou Uruguai será o campeão desta Copa América.

JFQ

Por uma solução realmente majestosa

Após o 5 a 0 contra o São Paulo, com direito a frango do ídolo Rogério Ceni, o diretor de marketing do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, lançou a campanha: faltam 19 gols para o Timão fazer o centésimo sobre Ceni. A provocação é uma resposta ao tão propalado centésimo gol do goleiro, feito sobre o alvinegro, em partida realizada em março. Além disso, é mais uma resposta – como se não bastasse o baile no último jogo – aos tricolores que afirmavam que Rogério faria o centésimo gol, pela segunda vez, contra o arquirrival, já que a FIFA reconhece apenas 99 dos tentos anotados pelo arqueiro.


Essas são provocações que fazem parte do futebol. A rivalidade entre as torcidas é um ingrediente fundamental para que o esporte bretão seja tão popular e, por que não dizer, elemento relevante na cultura nacional. E a rivalidade entre corinthianos e são-paulinos, em particular, no chamado Clássico Majestoso, é uma das principais, indubitavelmente, do futebol brasileiro.

Intróito feito, há que se realçar uma disputa nada majestosa que vem se travando entre alvinegros e tricolores. Uma disputa que vai muito além das quatro linhas e que abrange dinheiro público e a possibilidade de desenvolvimento de uma região carente da capital paulista.


O último capítulo da novela do estádio da Copa do Mundo de 2014 foi a aprovação de R$ 420 milhões em incentivos fiscais pela Câmara Municipal de São Paulo para a construção Fielzão, projeto de “casa” do Corinthians. Após dois turnos de votações, os incentivos foram aprovados por 39 votos contra 15 e uma abstenção. Além disso, foi aprovado substitutivo do Executivo que condiciona os incentivos à realização da abertura da Copa do Mundo em São Paulo e que o governo abra em até 60 dias um novo edital para que haja isenção fiscal para as empresas interessadas em se instalar na Zona Leste.

Em minha modesta opinião, sopesados os prós e contras, os custos e benefícios da aprovação ou não, a solução parece ter sido razoável. Há bons argumentos de lado a lado, assim como há discursos demagógicos e eleitoreiros para atingir, por um lado, os que não admitem que São Paulo esteja fora do Mundial ou, por outro lado, aqueles que associam tudo o que diz respeito à Copa com falta de ética, com corrupção e, na melhor das hipóteses, com falta de mentalidade cidadã. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Do jeito que ficou, como amante do futebol e como cidadão paulistano, confesso que fiquei satisfeito. Contempla o desejo – legítimo! – da maior cidade do país em participar deste evento caríssimo (em todos os sentidos) aos brasileiros, os interesses – também legítimos! – de inserção da Zona Leste no desenvolvimento da capital e as cautelas – fundamentais! – para que recursos públicos não sejam aplicados tão-somente para a contemplação de interesses privados e/ou em projetos indevidos.

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Este desfecho, contudo, não se deu sem discussões ríspidas e acusações. Acusações, inclusive, de que interesses e sentimentos clubísticos estariam acima do interesse público. No caso, interesses e sentimentos de corinthianos e de são-paulinos.

O mais engraçado é que tanto os favoráveis à concessão das isenções, como os contrários, arrogam-se na condição de patriotas em defesa do bem nacional. Afloram-se os ímpetos de grandiosidade patriótica naqueles que bradam pela necessidade da concessão, num indisfarçável tom de chantagem, uma vez que sem elas não haverá estádio paulista na Copa, uma vergonha municipal, estadual e nacional, além de que a pobre região de Itaquera jamais terá semelhante oportunidade de desenvolvimento econômico e social. Já os contrários vociferam pela injustiça, falta de ética e inconstitucionalidade das isenções, tratando-se de um clube rico e de uma empreiteira milionária, beneficiados por uma graça estatal, via de regra, negada aos comuns empreendedores.

O fato é que a Copa está aí e São Paulo, por meio de seus representantes, precisa decidir se quer ou não participar do evento. Claro que a questão não é tão simples, há outros tópicos a serem considerados. Não foi São Paulo – a cidade – que tirou o estádio do Morumbi logo no início, considerado palco certo da abertura. Também os cidadãos paulistanos não foram consultados se desejavam que seus recursos fossem investidos neste evento, muito embora seja bem provável uma aprovação maciça à participação da cidade na Copa, em que pese o discurso moralista de quem não se conforma até agora que o Brasil tenha sido escolhida para ser a sede da Copa de 2014 e também das Olimpíadas de 2016.


A propósito, apesar de legítimo o voto contrário aos benefícios fiscais à Odebrecht e ao Corinthians dado vereador Aurélio Miguel, campeão olímpico e conselheiro do São Paulo Futebol Clube, bem como por outros onze membros da edilidade paulistana, parece um tanto forçada a atitude de, perdida a batalha no plenária da Câmara, recorrer ao Ministério Público aventando a inconstitucionalidade da medida.

Enfim, tanto os favoráveis como os contrários aos benefícios podem fundamentar seus votos nas razões e interesses mais condizentes com o interesse público, como podem valer-se das motivações mais torpes. Não é o ser a favor ou ser contra, pura e simplesmente, que evidenciará o patriotismo ou a malandragem implícita na decisão do “nobre” edil. Ainda assim, o resultado do imbróglio talvez tenha sido o melhor, dada a circunstância.

JFQ

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Como votaram os vereadores

Sim

Adolfo Quintas (PSDB)

Agnaldo Timóteo (PR)

Alfredinho (PT)

Atílio Francisco (PRB)

Carlos Apolinário (DEM)

Claudinho (PSDB)

Claudio Prado (PDT)

Dalton Silvano (sem partido)

David Soares (PSC)

Domingos Dissei (DEM)

Edir Sales (DEM)

Eliseu Gabriel (PSB)

Everson Marcos de Oliveira (PSDB)

Francisco Chagas (PT)

Gilson Barreto (PSDB)

Goulart (PMDB)

Ítalo Cardoso (PT)

Jamil Murad (PCdoB)

José Américo (PT)

José Police Neto (sem partido)

José Rolim (PSDB)

Juliana Cardoso (PT)

Juscelino Gadelha (sem partido)

Marta Costa (DEM)

Milton Leite (DEM)

Milton Ferreira (PPS) Natalini (sem partido)

Netinho de Paula (PCdoB)

Noemi Nonato (PSB)

Paulo Frange (PTB)

Quito Formiga (PR)

Roberto Tripoli (PV)

Salomão (PSDB)

Senival Moura (PT)

Souza Santos (sem partido)

Toninho Paiva (PR)

Ushitaro Kamia (DEM)

Victor Kobayashi (PSDB)

Wadih Mutran (PP)

Não

Abou Anni (PV)

Adilson Amadeu (PTB)

Antonio Carlos Rodrigues (PR)

Arselino Tatto (PT)

Attila Russomanno (PP)

Aurelio Miguel (PR)

Aurélio Nomura (PV)

Carlos Neder (PT)

Chico Macena (PT)

Claudio Fonseca (PPS)

Donato (PT)

José Ferreira, o Zelão (PT)

Marco Aurélio Cunha (DEM)

Sandra Tadeu (DEM)

Tião Farias (PSDB)

Não votou

Celso Jatene (PTB)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O vôo de Falcão e a crise do Galo



O Atlético Mineiro parece ter se especializado em apagões durante as partidas. Contra o Flamengo, no último domingo, o time de Dorival Junior ia muito bem, vencia por 1 a 0, até que Ronaldinho Gaúcho, com um golaço, empatou a partida. Se ficasse por aí, ainda vai. O problema é que outros três gols flamenguistas se seguiram, selando o placar final de 4x1 para a equipe carioca, e demonstrando a extrema fragilidade defensiva que acomete o time mineiro ao sofrer um gol.

Ontem, jogando diante de sua torcida, em Sete Lagoas, a história não foi muito diferente. Até o placar foi semelhante: 4 a 0 para o Internacional. Todos os gols foram marcados no segundo tempo. Ou seja, para o Atlético, o princípio segundo o qual onde passa um boi, passa uma boiada, está virando lei.

O problema do Galo parece até mais psicológico do que técnico ou tático. Dorival Junior, que já salvou o time de um iminente (segundo) rebaixamento no ano passado, terá que ir além das boas “peças” e da sua organização em campo para fazer um campeonato em que o Atlético, uma vez mais, não passe o constante sufoco do risco de retornar à Série B. Quanto aos jogadores, muito embora haja setores carentes, não se pode dizer que um elenco composto, dentre outros, por Rever, Dudu Cearense, Richarlyson, Daniel Carvalho, Guilherme e Mancini é um elenco fraco. Talvez tenha uma média de idade um pouco acima do desejável, mas não é ruim.

Quanto ao esquema de jogo, o Atlético marca bem e procura tomar as ações, especialmente com Richarlyson e Daniel Carvalho, em busca dos atacantes, Magno Alves e Guilherme. No entanto, Guilherme, apesar de rápido, não está bem, errando passes e fracassando nas tentativas de superar os zagueiros. Além disso, o Galo não consegue recompor seu sistema defensivo quando perde a bola; daí, vários dos contra-ataques adversários resultarem em gol.

Sim, tanto o Flamengo como o Inter tiveram méritos; e muitos! Porém, há algo de muito errado pelos lados do alvinegro de Belo Horizonte, especialmente na cabeça dos seus jogadores, e que ajuda a explicar as duas goleadas consecutivas.

Por outro lado, o Inter parece ter voltado a ocupar – como nos últimos anos – seu posto na lista de favoritos ao título. Falcão conseguiu dar um novo encaixe ao Colorado, já bastante entrosado – a maioria dos jogadores atua junta há um bom tempo –, com destaque para três (mais ou menos) novos reforços: Leandro Damião, Zé Roberto e Oscar. Este último, aliás, fez uma partida primorosa ontem, dando assistência, distribuindo bolas e marcando gol.

Se era contestado nos primeiros jogos, Falcão, que chegou a se desentender com seus antigos colegas de imprensa, mostra que não retornou aos campos à toa. É bom que o levem a sério.

JFQ