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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Japão supera os EUA e é campeão da Copa do Mundo feminina



O Japão é o novo campeão mundial do futebol feminino. Coroando uma campanha histórica e surpreendente, a seleção japonesa desbancou o favorito Estados Unidos na final deste domingo, em Frankfurt, na Alemanha, e ganhou nos pênaltis por 3 a 1, após um empate de 1 a 1 no tempo normal e outro 1 a 1 na prorrogação.

Sem nenhuma tradição no futebol feminino, o Japão tinha somado apenas três vitórias nas cinco edições anteriores do Mundial organizado pela Fifa - duas contra a Argentina e uma contra o Brasil. Dessa vez, porém, a seleção japonesa não se intimidou diante das grandes potências do esporte e foi avançando até o título inédito.

Na primeira fase do Mundial, o Japão somou duas vitórias (Nova Zelândia e México) e uma derrota (Inglaterra). Depois, já nas quartas de final, eliminou a anfitriã Alemanha. Na sequência, passou pela tradicional Suécia nas semifinais. E, por fim, derrotou os Estados Unidos, que buscavam o tricampeonato.

Os Estados Unidos já foram campeões mundiais duas vezes (1991 e 1999) e chegaram ao pódio nas outras três edições realizadas. Além disso, conquistaram três das quatro medalhas de ouro disputadas na história do futebol feminino na Olimpíada. E, para completar, eliminaram o Brasil da estrela Marta nas quartas de final da competição da Alemanha. Por isso, eram os favoritos na decisão deste domingo.

Diante de um público de 48.817 pessoas que lotou o estádio em Frankfurt, além da torcida do presidente Barack Obama, que acompanhou a final pela TV, os Estados Unidos começaram melhor, pressionando o adversário. E chegaram a mandar uma bola no travessão aos 27 minutos, com Wambach. Mas, aos poucos, o Japão equilibrou o jogo e passou a ter maior controle de bola.

Os gols, porém, saíram apenas no segundo tempo. Num rápido contra-ataque aos 23 minutos, Morgan, que tinha entrado no lugar de Cheney no intervalo, abriu o placar para os Estados Unidos. Mas o Japão empatou aos 34, quando Miyama aproveitou vacilo da zaga adversária e deixou tudo igual.

A decisão, então, foi para a prorrogação. E os Estados Unidos saíram novamente na frente, com uma cabeçada de Wambach aos 13 minutos do primeiro tempo. Mas o Japão voltou a empatar aos 11 da segunda etapa, quando Sawa também fez de cabeça, tornando-se a artilheira do Mundial (cinco gols) - Marta ficou com quatro.

Na disputa por pênaltis, as experientes jogadoras norte-americanas sentiram o nervosismo e desperdiçaram três cobranças - a goleira Kaihori defendeu os chutes de Boxx e Heath, enquanto Lloyd chutou por cima. Assim, os Estados Unidos marcou apenas com Wambach. Do lado do Japão, Nagasato também errou, mas Miyama, Sakaguchi e Kumagai fizeram os gols e garantiram o título inédito.

* Publicado pela agência Estado: http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,japao-vence-eua-e-e-campeao-do-mundial-feminino,746170,0.htm

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sina de freguesas



Mundial Feminino
Brasil 2(3) x 2(5) EUA

Sem fazer uma “profecia de fato”, bastante conveniente, mas também desleal, não era nada impossível vislumbrar que os EUA desclassificariam nossas meninas pela enésima vez. Os EUA estão para nossa seleção feminina assim como a França está para a masculina. Em que pese a inegável qualidade de Marta – a Pelé das mulheres –, o esporte bretão é coletivo e nossas meninas não estavam bem neste Mundial, apesar das vitórias. Na verdade, estavam mal tática e psicologicamente.

Em todos os jogos o Brasil demonstrou extrema dificuldade em armar jogadas de ataque, apelando inesgotavelmente para os chutões. A tal da ligação direta, de exceção tornou-se regra, assim como a dependência de Marta. As coisas só funcionavam depois que surgia um gol, em uma jogada fortuita, decorrente de um “detalhe”, como ensinou o mestre Parreira. Na frente no placar, nossas meninas tomavam-se de confiança, soltando-se no ataque e marcando mais gols. Ou seja, o componente psicológico sempre muito, muito forte nessa seleção feminina, que, é bom que se diga, não é a melhor que já tivemos. Além de Marta, Erika, Maurine, Rosana e Adréa merecem cuidados especiais para o futuro próximo do escrete canarinho. No caso de Cristiane, de boa capacidade técnica – embora já tenha se mostrado melhor –, há que se fazer um preparo mental especial: a atacante está extremamente individualista, pensando mais nela que no time, além de um tanto marrenta. Menos, Cris, menos!

As americanas, ainda que menos habilidosas, foram melhores na distribuição tática em campo e na concentração com que levaram a partida. Destaque para a bela goleira Hope Solo e para a capitã Wambach. Com menos de dois minutos de partida, aproveitando-se de uma desconcentração defensiva do Brasil, as americanas abriram o placar em uma infelicidade de Daiane: a brasileira, tentando interceptar o cruzamento na área, fez contra.


Daí até os 23 minutos do segundo tempo, a tônica foi o Brasil tentando se encontrar em campo e os EUA armando contra-ataques perigosos. E, por essas coisas do futebol, o que parecia ser um fato adverso, acabou servindo às nossas adversárias como força extra. Todo o estádio passou a vaiar a seleção brasileira e a apoiar as americanas após pênalti sofrido por Marta, que, ainda, acarretou a expulsão da zagueira Buehler. Além do pênalti, a árbitra Jacqui Mlksham, em péssima tarde, mandou voltar a cobrança após Cristiane praticamente recuar a bola para as mãos de Solo. Das duas possibilidades para justificar a nova cobrança, nem a goleira ter se adiantado (o que não aconteceu), nem a invasão da área por jogadora americana parece ter convencido aos torcedores que lotavam o estádio de Dresden de que as americanas não estavam sendo “garfadas”. Aliás, é sempre bom lembrar que pênalti é lance determinante para o resultado e, apesar de não estar na regra escrita, há certos usos e costumes, certas tolerâncias admitidas quase consensualmente por quem joga futebol. Por exemplo: adiantamento de goleiro ou invasão de área tem que ser acintosa para que se justifique a repetição da cobrança, o que, no caso, não ocorreu.

Marta assumiu a condição de batedora no lugar de Cristiane e converteu a cobrança. Dali em diante, o Brasil, embora tenha conquistado o empate, também passou a carregar um “fardo energético” (?): a aura do estádio passou conspirar pela vitória das americanas, tornadas vítimas da arbitragem e de certa malandragem brasileira (adendo: somos cada vez mais odiados nos campos “civilizados” da Europa por nosso estigma de malandragem; Neymar que o diga). Isso persistiu mesmo depois do golaço de Marta no início da prorrogação, que parecia selar um destino diferente dessa vez. A incessante luta das adversárias, porém, juntamente com a força negativa direcionada a Marta e companhia, assim como o interminável medo de sermos feliz contra as representantes de Tio Sam (em jargão boleiro: freguesia), culminou no gol de empate no último lance da prorrogação e à derrota nos pênaltis. Aliás, com pênalti perdido por Daiane, justamente a jogadora que fizera o gol contra e que jamais deveria ter sido relacionada para as cobranças pelo técnico Kleiton Lima.

De positivo ficou a marca de 12 gols de Marta, a maior artilheira de todas as Copas junto com a alemã Prinz. E a lição para as Olimpíadas do ano que vem: não basta ter Marta, há que se acertar o time em campo e, fundamental, a cabeça das meninas. Além do mais, quando se enfrentar os EUA, seria recomendável alguma macumbazinha, só para garantir.

Além do Brasil, também a Alemanha, quiçá a grande favorita ao título, foi eliminada do Mundial. Nas semifinais, os EUA pegam a França e o Japão pega a Suécia.


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Como ontem não era dia do Brasil, além da eliminação no Mundial feminino, também os meninos do sub-17 perderam para a Alemanha, por 4 a 3, na disputa do terceiro lugar no mundial da categoria. O México, país anfitrião, conquistou o título ao vencer o Uruguai por 2 a 0.

JFQ

terça-feira, 5 de julho de 2011

Gato por Lebre, Pato por Ganso, La Pulga por El Pibe, Marta por Marta



O final de semana foi movimentado para o futebol. No México, nossa seleção sub-17 garantiu vaga nas semifinais do Mundial da categoria, após vitória contra o Japão, por 3 a 2. Na Alemanha, pelo Mundial feminino, Marta e companhia garantiram a classificação antecipada para os mata-matas, depois de golear a Noruega, por 3 a 0. Finalmente, na Argentina, a seleção de Mano Menezes não passou de um 0 a 0 contra a Venezuela, seleção que resolveu dar trabalho ao Brasil nos últimos tempos. Com este resultado, nossa seleção juntou-se às arquirrivais Argentina e Uruguai como protagonistas das surpresas na estreia do torneio continental. O time de Messi não passou de um empate contra a Bolívia, por 1 a 1, mesmo placar da equipe comandada por Oscar Tabárez, também correndo atrás, contra o Peru. Mas, tratando-se de futebol, os placares não dizem tudo...

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Messi para Cristo

No país acostumado a tratar Diego Armando Maradona, El Pibe Doro, como um verdadeiro deus, os hermanos resolveram tomar Lionel Messi, La Pulga, para Cristo. O melhor do mundo não convence seus compatriotas, que tomaram Carlito Tevez como o verdadeiro ídolo pátrio. Explica-se: além da pecha de que Messi joga muito no Barça e pouco com a camisa argentina, há o histórico de ter passado toda a carreira, desde a infância, em campos espanhóis. Enquanto isso, Tevez foi ídolo no Boca.


O problema maior é a velha história de tomar um ídolo como redentor. A Argentina – talvez a imprensa mais do que os próprios torcedores – comete o mesmo erro, para não dizer vício, de achar que um grande jogador é capaz de substituir um time bem montado. O Barcelona, por exemplo – como já disse neste blog milhares de vezes –, não é dependente de Messi, apesar deste ser, óbvio, sua grande estrela. Kaká é outro exemplo: na última Copa foi "eleito" salvador da pátria, quiçá como uma última esperança de salvação de uma equipe que não convencia, quiçá para mascarar essa evidência. Ou seja, dá-se a culpa em um jogador pelas mazelas de todo um time. (Obs: não é exatamente este o caso de Ganso no último jogo do Brasil, apesar de haver semelhanças quanto à função de principal jogador).

Outra questão é a comparação entre Messi e Maradona: eis a grande diferença entre ambos. Dieguito resolvia sozinho – que o digam a fraca Argentina de 86 e o limitado Nápoli de 90 –, o que pode ter deixado os hermanos mal acostumados, enquanto Messi depende de bons companheiros ao seu lado.

O técnico Sergio Batista também deu sua parcela de contribuição para o resultado, não apenas por sobrecarregar Messi, mas por abusar do defensivismo contra uma seleção não tão perigosa. Três volantes – Banega, Cambiasso e Mascherano – é um exagero, um “dunguismo” desnecessário, e que não dá ao articulador do time as melhores condições de construir as jogadas. Justo a Messi, que tem Xavi e Iniesta ao lado para armar as jogadas de ataque do Barça! Para piorar, Tevez foi colocado como segundo atacante, um tanto isolado, enquanto o limitado Lavezze fazia as vezes de centroavante.

Há que se considerar, ainda, os méritos da seleção boliviana, bastante aplicada. Assim como a venezuelana e a peruana nos seus respectivos jogos. Sim, não há mais bobos no futebol. Além de não ter nada igual a disputar uma competição sem qualquer pressão para vencê-la.

Aposta: Na próxima partida, entra Aguero, Higuaín ou Di Maria. Talvez dois deles.

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Entre o princípio e o fim, o detalhe do gol... ou da falta dele


Adryan, revelação do Flamengo e da seleção sub-17


Quem vê apenas os placares dos jogos, não sabe o enredo, às vezes dramático, construído para se chegar a eles. Na partida em que a seleção sub-17 se classificou para as semifinais do Mundial disputado no México, os 3 a 2 podem ser resumidos assim: uma partida em que o Brasil manteve o domínio, fazendo 3 a 0, até que deu uma pane no final. O Japão se aproveitou, em menos de 10 minutos marcou dois gols e, talvez, nossos garotos tenham tido a sorte de que não havia mais tempo para o empate japonês. Agora o Brasil pega o Uruguai na semifinal, com a lição de que não pode bobear, ainda que a vitória pareça irreversível. Na outra semifinal, a Alemanha enfrenta o México. Destaque para a jovem revelação Adryan, que já havia se destacado no Flamengo, na conquista da Taça São Paulo de Juniors: é uma grande promessa.

No caso das seleções principais masculina e feminina, houve uma quase unanimidade em apontar Marta como gênio e Neymar como uma decepção. Em três ou quatro jornais que vi, as manchetes vinham com fotos dos dois, ela comemorando, ele cabisbaixo. Quem toma o placar de 3 a 0 e a informação de que Marta marcou dois, sendo o primeiro um golaço, e que Neymar não conseguiu marcar um golzinho sequer na Venezuela, confirma a ideia transmitida pelas fotos nos jornais. No entanto, há que se ressaltar que a seleção feminina jogava muito mal até o gol de Marta. A atuação das meninas não foi além do que jogaram – ou deixaram de jogar – contra a Austrália. O gol de Marta – após cometer falta, diga-se de passagem, não marcada pela arbitragem – abriu caminho para o resultado e para a arte que se viu após. Vá entender as mulheres! Ou melhor: vá entender o futebol! A melhor explicação, creio, está justamente no gol, esse detalhe, como dizia Parreira, capaz de mudar toda uma tendência, toda a história de uma partida, às vezes de um campeonato.

Só que esse mesmo detalhe – no caso, é um detalhe de fato, um tanto inexplicável de se dizer o porquê de ter ocorrido aqui e não alhures – não aconteceu na partida contra a Venezuela. Ah, se aquele chute de Alexandre Pato não tivesse ficado no travessão! O Brasil começou implacável contra os venezuelanos. Os jogadores entenderam bem a proposta “catalã” de marcar a saída adversária: nos primeiros sete minutos, sete roubadas de bola no campo de ataque. Porém, como o esforço não foi idêntico nas finalizações, o time de Mano Menezes acabou arrefecendo seu ímpeto e entrando na modorrenta troca de passes sem objetividade. Sem o gol no início – que, quem sabe, poderia ter aberto a porteira para uma goleada – a seleção se perdeu em campo.

Sobre as imagens dos jornais, em que pese haver sentido na Marta sorridente e no lamurioso Neymar, não é nada impossível que nos próximos jogos os dois sejam novamente vistos com semblantes totalmente diferentes. A depender de um detalhe capaz de trazer o equilíbrio emocional necessário para os talentosos redescobrirem, de um momento a outro, o talento que jamais deixaram de ter.

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Desculpas e “comprometimento”


O empate sem gols contra a Venezuela gerou uma série de explicações. Ou melhor, de desculpas, muitas delas nada criativas. O frio e o gramado cheio de buracos e areia são os fatores cuja citação é feita com mais vergonha. Além deles, há a pressão da estreia e a “nova” realidade do futebol mundial, onde “não há mais bobos”. Que o digam, além do Brasil, a Argentina e o Uruguai, que também não passaram de um empate contra Bolívia e Peru!

Aí a explicação já ganha certa sofisticação: a equipe adversária jogou fechada, dificultando as ações ofensivas do Brasil. Tal justificativa, contudo, recai no “dunguismo” de que a seleção só joga bem contra outras grandes seleções, que jogam mais abertas, que também têm a obrigação de vencer. Então, tá. É melhor jogar contra os fortes, o perigo são os fracos... No curto período de Mano, porém, já perdemos para Argentina e França, além de empatar com a Venezuela.

O pior “dunguismo”, porém, não foi esse, mas um certo “comprometimento”, palavra sacrossanta na época do antecessor de Mano, que significava, em suma, que jogadores que vinham de longo tempo no grupo sejam mantidos, ainda que outros estejam em melhor fase. Isso explica, por exemplo, os tantos volantes convocados para a Copa e as ausências de opções, até mesmo táticas, ao se deixar de levar para a África do Sul jogadores como Neymar e Ganso.

Mas, no caso de Mano, o tal comprometimento se deu justamente com Ganso. O santista, tido como fundamental para o novo esquema da seleção, foi mantido na partida, ainda que claramente estivesse perdido em campo e errando muitos passes. Os “milaneses” Robinho e Pato, que vinham relativamente bem – para mim, Pato foi o melhor brasileiro na partida –, saíram para dar lugar a Fred – por que Fred ? – e Lucas; Ganso e o esquema foram preservados. Eis o comprometimento: a preservação de um jogador e de um esquema a qualquer custo. Mano confiou até o fim que, mais cedo ou mais tarde, em um lance, as coisas dariam certo e se encaixariam. Há de se respeitar a opção do treinador. No entanto, também há que se preocupar com o fato de que alternativas táticas devem ser consideradas e que o técnico tem que ser corajoso para tirar de campo quem for necessário.



O problema do Brasil não era tanto o ataque – apesar de as finalizações serem um ponto a se melhorar, e muito! –, mas, sobretudo, a articulação. Sem a bola, o Brasil marcava à frente e a roubava até com certa facilidade. Mas, mesmo com a bola nos pés durante a maior parte do jogo, não sabia como chegar ao gol venezuelano. Pelos lados, tanto André Santos como Daniel Alves não apoiaram com eficiência. Pelo meio, Ramires partia destrambelhado com a bola, sem passar para ninguém, até trombar no marcador adversário. E Ganso, o principal responsável pela articulação das jogadas – quiçá, sobrecarregado –, subia à frente e muitas vezes não voltava para assumir sua principal função de distribuir a bola no meio-campo.

Aposta: Elano deve jogar na próxima partida, com o objetivo de ajudar Ganso no meio, mas sem se descuidar da marcação. Ramires ou Robinho deve pagar o pato (ou o ganso?).

Por fim, uma explicação que merece crédito: a falta de entrosamento. Só se faz o esquema sair do papel e ir à prática com muita repetição, muitas tentativas e erros, muitos jogos. E o Brasil de Mano jogou pouco. Para ser exato, o time considerado ideal, tirando uma “peça” aqui, outra ali, só atuou contra os Estados Unidos e contra a Venezuela, a primeira e a última partidas sob o comando de Mano Menezes. Sim, há que se ter paciência e confiança na capacidade do treinador. Que, aliás, já provou merecê-la. No entanto, este também há de nos convencer que possui um plano B ou C, caso o jogo não esteja fluindo. Se pudesse palpitar, diria que este plano alternativo passa necessariamente por Lucas, o do São Paulo.

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De bico também pode

Neymar precisa entender que gol de bico também vale. A propósito, eis um problema que nada tem a ver com o treinador, cujas declarações cobrando objetividade do jovem talento santista são abundantes na imprensa. Neymar precisa perder o cacoete do preciosismo. Ouvir o que diz Mano e, se quiser, rever o que fazia muito o hoje responsável pela gestão de sua carreira, Ronaldo Fenômeno.

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Falta de fair-play e falta (e abuso de) autoridade

Um lance foi muito comentado na partida entre Brasil e Venezuela. Com o jogador venezuelano Miku caído, Ganso prosseguiu uma jogada. Sem ouvir ou sem perceber os clamores para que chutasse a bola para fora de campo, Paulo Henrique tocou para Neymar que arrematou para fora do gol. Ato contínuo, os jogadores da Venezuela partiram para cima, reclamando da “atitude anti-desportiva” de PH. Para piorar, na saída para o intervalo, o técnico venezuelano César Farias partiu para cima de Neymar para tirar satisfações, ao que teria sido empurrado por Mano Menezes.

O que chama a atenção no “causo” não é apenas a falta de fair-play deste ou daquele lado, mas a falta e o abuso de autoridade. No caso de Ganso, não consigo entender por que um jogador deve parar a jogada para o atendimento de outro, e não o árbitro. A ideia é que o juiz não tem autoridade para parar a partida, dependendo do “bom senso” de quem tenha a posse momentânea da bola. Com certo exagero, é como o Estado deixar de assumir responsabilidades que são suas, fingindo que aquelas são dos cidadãos. Quer dizer, os venezuelanos deveriam ter partido em cima do juizão, e não do jogador brasileiro.

Por outro lado, a atitude do treinador da Venezuela, “tirando satisfações” – o que, ressalte-se, é muito comum também entre jogadores dentro de campo, especialmente quando avaliam que outros estão simulando faltas – é outra falta de fair-play, para não dizer um abuso da autoridade, dada a condição de “professor”, não apenas decorrente da falta de bom senso, mas também do vácuo de autoridade deixado pela arbitragem.

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O último bobo e o fim dos gigantes

Bolívia, Peru e Venezuela fizeram bonito na estreia. Não venceram, mas deixaram de ser goleadas – melhor: deixaram de perder! – pelos “gigantes” Argentina, Uruguai e Brasil, todos campeões mundiais.

Lembro-me quando era uma vergonha não golear a Colômbia ou o Equador. Há muito isso deixou de existir, já que após Valderrama e companhia, de um lado, e Aguinaga e companhia, de outro, essas duas seleções passaram a ser bem mais respeitadas. Outras, como o Peru e a Bolívia, oscilam momentos bons e ruins. Já a Venezuela, apenas há pouco tempo ganhou o status de “time a ser respeitado”. Penso que a Venezuela, inclusive, seja o último dos "bobos" sul-americanos, deixando o continente sem essa espécie futebolística. Melhor para o esporte bretão. Muito embora os outrora gigantes – mesmo o Uruguai, também há pouco renascido à condição de “uma das melhores seleções” – tenham, por seu lado, se apequenado. Ainda assim, aposto: Brasil, Argentina ou Uruguai será o campeão desta Copa América.

JFQ

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Estreia com vitória. E sufoco



Brasil 1x0 Austrália
Copa do Mundo de Futebol Feminino


Terminou há pouco a partida entre Brasil e Austrália, pelo Mundial Feminino, na Alemanha. Em busca do primeiro título, nossa seleção obteve uma vitória magra, por um a zero, mas importantíssima para a classificação. No grupo do Brasil (Grupo D), além da Austrália, também estão Guiné Equatorial e Noruega (ver classificação: http://globoesporte.globo.com/futebol/mundial-feminino/#/classificacao-e-jogos ).

Embora tenha somado os três pontos, nossa seleção mostrou falhas que precisam ser sanadas. Tanto no primeiro tempo, como depois do gol de Rosana, aos 9 minutos do segundo, o Brasil conteve muito mal as seguidas investidas da seleção australiana. Em uma oportunidade, inclusive, aos 42 da segunda etapa, a jogadora australiana Vanna só não marcou um gol “feito” porque forçou demais na tentativa de encobrir a goleira Andreia. Mera questão de azar (delas).

Além das dificuldades da defesa brasileira em contem as subidas das adversárias, o meio-campo também foi bastante ineficiente em organizar ataques, apesar da presença da genial Marta. As melhores subidas do Brasil foram pelas pontas, não obstante os cruzamentos raramente encontrarem alguém na área para finalizar.

O dia foi de pouca inspiração, mas conseguimos o que mais interessa em uma estreia: a vitória. Aliás, tomar sufoco faz parte de uma espécie de tradição nas estreias de mundiais, femininos ou masculinos.

Espera-se que a partir da próxima partida, contra a forte Noruega, dia 3/7, o escrete de Marta, Cristine, Érika, Formiga, Maurinne e companhia, além de vencer, também convença. Provavelmente, será o jogo a definir a primeira classificada do grupo.

JFQ