Mostrando postagens com marcador Copa América 2011. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Copa América 2011. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ainda há tempo para redescobrir a América

Rodrigo Bueno


Chega ao fim mais uma Copa América com os dez países filiados à Conmebol e dois convidados enfraquecidos das Américas do Norte e Central.

E termina com o presidente da entidade que dirige o futebol sul-americano apontando para uma óbvia, embora nunca tardia, união do continente americano.

México, priorizando (?) a Copa Ouro (?) e uma vaga na Copa das Confederações (?), e Costa Rica, pronta para qualquer parada, mandaram equipes sub-23 para a disputa na América do Sul que prometia ser a mais legal da história, ainda mais sem a presença comercial do Japão (?).

Até hoje, só não saiu a lógica Copa América com 16 seleções, as dez do Sul e outras seis de cima (definidas totalmente ou em parte por torneio qualificatório), por razões políticas tão idiotas quanto nebulosas.

As últimas eleições (?) presidenciais da Fifa mostraram o preço de vários dirigentes da Concacaf, e a mídia britânica escancarou a gula (?) dos principais cartolas sul-americanos.

Fazer uma competição só, fundindo Copa América e Copa Ouro, ganharia o poderoso mercado norte-americano, geraria mais dinheiro para Traffic, Full Play ou quem quer que seja e seria tecnicamente muito melhor, com força total de todos os participantes.

Seria, com tudo isso, uma resposta muito mais honesta e decente à Eurocopa, que namora já 24 seleções participantes, talvez um erro ou uma mania de grande- za europeia.

Mas meia dúzia de cartolas correriam o risco de perder votos e dinheiro sem seu torneio regional de qualidade mais que discutível.

Quem sabe o presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, neste momento em que o mundo do futebol está mais atento à transparência e contestando velhas ditaduras, não tenha cedido à realidade afinal?

A globalização já é coisa do passado, o Mercosul já está velho e pequeno, e a Copa América caminha carente de mudanças que a tornariam algo muito maior e melhor.

A Libertadores conseguiu se adaptar aos novos tempos sem perder seu estilo próprio, sua veia desafiadora, sendo um perfeito espelho da Copa dos Campeões com identidade tão única quanto valiosa.

Não custa muito para que a Copa América seja unificada, como são a Copa da Ásia e a Copa da África.

A Pangeia dividiu os continentes, mas não separou as três Américas, ligadas ainda, mesmo que por um pequeno Panamá.

Espero que, quando esta coluna voltar de férias, já tenham descoberto novamente a América, não a América dos norte-americanos nem a América dos latino-americanos, mas a América de todos.
 
 
* Publicado na Folha de S.Paulo, em 21/07/2011.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Gigantismo renascido versus mediocridade de resultados



Uruguai e Paraguai farão a final da Copa América 2011. Será a disputa entre um gigante que, após muito tempo de hibernação, renasce para o topo do futebol do continente e do mundo, e uma equipe medíocre que, assumindo a própria mediocridade, alcançou o objetivo de chegar à final.

O Uruguai, após um começou sofrível - talvez para fazer companhia a Argentina e Brasil -, mostrou o que tem de melhor. Um escrete muito entrosado, cujos jogadores atuam juntos na seleção desde a época da base, muito forte na marcação, que congestiona o meio-campo para dificultar as investidas adversárias e facilitar as próprias, e com um ataque rápido a contar com jogadores de qualidade como o inteligente Forlán, o implacável Suárez, o ligeiro Álvaro Pereira e o impetuoso Cavani. Este, porém, não participou dos jogos decisivos do time por conta de contusão; o que não foi suficiente para enfraquecer o Uruguai, a ponto de passar pela Argentina, em um jogaço, com um a menos e Muslera em atuação esplendorosa.

Contra o Peru, no entanto, o time de Tavárez resgatou uma característica da qual parecia ter abdicado: confundir garra com violência. Arévalos Rios e, principalmente, Lugano abusaram das faltas. Algumas bastante violentas, como uma entrada de Lugano no bom jogador peruano Vargas. Acho, inclusive, que Lugano deveria ter sido expulso por esta falta; se não, por merecer dois amarelos após as tantas faltas cometidas ao longo da partida. Usando da experiência - mas não da famosa e, por hora, aposentada catimba -, assim como da inexperiência dos jovens e briosos jogadores do Peru e da falta de pulso do árbitro, o Uruguai aplicou sua boa, mas um tanto exagerada, marcação ao limite e quem acabou com um a menos foram justamente os peruanos: o próprio Vargas, cansado de apanhar, tomou um vermelho quando resolveu bater. De qualquer forma, a celeste foi mais time durante a maior parte do jogo, da mesma forma que é mais time que qualquer outro desta Copa América.

O Uruguai vive um momento brilhante sob o comando de Oscar Tavárez. Começou a vivê-lo quando o treinador - muito criticado por isso, diga-se de passagem - decidiu fazer tanto as seleções de base como a principal jogarem o que seus compatriotas chamam de “jogo de moças”, ou seja, deixar de se valer da catimba e da violência desmesurada e apostar no talento dos jogadores e na construção de um time bem engrenado. Conseguiu. Para ser sincero, já considero o Uruguai como um dos favoritos para a conquista da Copa de 2014, em que pese a lembrança do Maracanazzo (dois raios caem no mesmo lugar?). Sim, é bom que nós, brasileiros, nos despreguemos do conservadorismo futebolístico de achar que, independentemente das campanhas, somente Brasil, Argentina, Alemanha e Itália competirão pela conquista do título. Que o digam a Espanha e a Holanda no último mundial.

***


Já o Paraguai demonstrou apego à mediocridade. Claro, uma mediocridade que o levou à final. Uma mediocridade, por assim dizer, “de resultado”. É certo que na primeira partida contra o Brasil e na primeira partida contra a Venezuela – um 3 a 3 inesquecível, só que por conta da bravura dos venezuelanos -, o time fez gols, sempre em contra-ataques e dependentes de falhas dos adversários. Na segunda partida contra o Brasil e no jogo de ontem, contra a mesma Venezuela, esteve, na maior parte do tempo, atrás, acuado, à mercê dos erros alheios, da competência do goleiro Villar, da trave e da sorte. A Venezuela, ainda que utilizando excessivamente a ligação direta e os chutões na área, ganhava as bolas e produzia chances de gol. Mas, infelizmente, não os fez.


O Paraguai, que empatou todos os jogos nesta Copa América (duas vezes contra o Brasil, duas contra a Venezuela e uma contra o Equador), assumiu a condição de escrete medíocre e assim se posta dentro de campo. A propósito, também fora dele, a se julgar pela provocação aos jogadores venezuelanos que descambou em briga generalizada ao final da partida. Independentemente se o adversário é o incipiente Brasil ou a guerreira Venezuela, essa foi a postura paraguaia nesta Copa América. Assumiu, no decorrer da competição, uma estratégia idêntica à da Argentina na Copa do Mundo de 1990 que, mesmo tendo Maradona e Canniggia, arrastava a partida à decisão de pênaltis, confiando nas defesas de Goycochea. Ironicamente, perdeu a final para a Alemanha, por 1 a 0, em uma cobrança de pênalti. Talvez por torcida, mas também pelo que observei, estou convencido de que essa estratégia, repetida contra o Uruguai, não dará certo.

***

Sim, torcerei para o Uruguai. Torço, mesmo, para que a celeste goleie, para não deixar dúvidas sobre a mediocridade da seleção paraguaia. Não se trata, absolutamente, de rancor de brasileiro eliminado em uma inusitada disputa por pênaltis, mas de um sentimento nascido pela admiração por uma equipe que vem crescendo e outra que se furta de jogar bola. Torço para o Uruguai pelo ótimo trabalho que Oscar Tavárez vem desempenhando, e por conta do talento de jogadores como Forlán e Luisito Suárez, quiçá um dos melhores atacantes da atualidade. E torço contra o Paraguai – que me perdoe Larissa Riquelme – pela falta de coragem, de iniciativa, de abuso em contar com as falhas do adversário. Este Paraguai, apesar de contar com o bom goleiro Justo Villar e do fato de ter chegado à final (podendo até chegar, quem sabe, ao título), não honra a camisa outrora vestida por Romerito, Gamarra, Chilavert e Cabañas.

Que me perdoem os paraguaios, mas eu gosto é de futebol. Avante, celeste!

***

CAMPEÃ MORAL


O título do texto é uma provocação. Nada mais bobo do que a expressão “campeão moral”, usado por quem perdeu, mas acha que deveria ter ganho. Ou porque se sente garfado, ou porque pensa que jogou melhor. De qualquer forma, perdeu.

Mas este título - em todos os sentidos - não parece tão descabido ou exagerado para a seleção da Venezuela. Sim, não ganharam, não passaram sequer para a final e talvez nem vençam a disputa pelo terceiro lugar contra o Peru. No entanto, a Venezuela apostou no sonho de ir o mais longe possível do que já fora em toda sua história, e conseguiu. Ousou jogar sem medo contra adversários vistos como imensamente superiores; provou que não o eram. Confiou no próprio talento e na própria capacidade e deu um show de auto-confiança e de espírito esportivo. E como fez bonito: empatou com o poderoso Brasil, venceu o Equador, arrancou um empate heroico contra o Paraguai, despachou o surpreendente Chile e foi eliminado pelo Paraguai, na disputa por pênaltis, após ter feito uma partida em que foi melhor. Invicto, disputa o terceiro lugar contra o Peru.

A Venezuela, para a qual esta Copa América marca a saída do grupo dos “bobos” ou, quem sabe, da condição de último “bobo” sul-americano, desdenhou de quem a estigmatizava, revelando, inclusive, bom conjunto e talentos individuais a serem observados com carinho daqui para frente.

Confesso que fiquei fã da Venezuela. E, vá lá, na condição de reles torcedor e amante do jogo ludopédico, outorgo-lhe o título: campeã moral desta Copa América.

JFQ

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sobre vexames, zebras e lições



O final de semana foi de zebras e “quase zebras” no futebol. Para muitos, a palavra certa é vexame. Fico com a primeira opção.

As “quase zebras” ficam por conta das eliminações de Argentina e Brasil, em que pese o “quase” ser pouco para muitos brasileiros. Grande parte da população de nosso “país do futebol” não admite derrotas, nem empates, contra quem quer que seja. Da Holanda à Venezuela, da França ao Paraguai. O Brasil, dizem, sempre tem obrigação de ganhar. Então, tá.

O fato é que, considerando tão somente a camisa e a circunstância, esperava-se que Argentina, Brasil, Colômbia e Chile fizessem as semifinais da Copa América. Deu Uruguai, Paraguai, Peru e Venezuela. Eis o futebol, simples assim. Até mesmo no futebol feminino, as poderosas norte-americanas sucumbiram, também nos pênaltis, diante das japonesas. Por acaso, este foi o final de semana das prorrogações e dos pênaltis. Por falar nestes, também foi o final de semana dos goleiros.

***

São Muslera e Tevez, o herói que virou vilão



Na visão simplista do futebol, reduzido a chavões, mitos e maniqueísmos - em vez de ser entendido em sua complexidade shakespeariana, como diria Nelson Rodrigues, para não dizer em sua complexidade humana -, a sempre trágica Argentina jogava em casa, com a obrigação de ganhar a Copa América. Afinal, não fatura este e nenhum outro caneco desde a Copa América de 1993. Neste período, para piorar, tornou-se freguês do arquirrival Brasil em finais.

Os argentinos contavam com Messi, o melhor do mundo, cujas costas carregam o fardo pesadíssimo de super-heroi ingrato, capaz de voar com a camisa do Barcelona, mas impotente com a da seleção de seu país (¿seu país não é a Espanha?, perguntariam alguns), como se o glorioso uniforme branco e azul fosse untado de criptonita. Heroi ingrato e degenerado, pois não sofreu as mazelas sociais do mais europeu dos sul-americanos, e não conta o hino nacional, ao contrário do filho dileto, Carlitos Tevez, o menino de Forte Apache, periferia de Buenos Aires.

Quis o destino, porém, que justamente Carlitos perdesse o pênalti decisivo da eliminação argentina e que garantiu o Uruguai nas semifinais. Talvez a melhor perspectiva fosse a de que Muslera, um goleiraço nesta partida, pegou mais esta bola, posto que Tevez não bateu mal. Contudo, como nas tragédias a culpa é fator importante...

Afora as mitologias e simplismos, o fato é que nem Uruguai, nem Argentina, nem ninguém fez uma grande Copa América até aqui. Todos estão se preparando para 2014, alguns com mais base - consolidada em 2010 ou mesmo antes - e outros estão mais atrasados, como o Brasil. O Uruguai de Oscar Tavárez jogou muito bem contra a Argentina, ganhou nos pênaltis como também poderia ter perdido.

Apesar da eliminação, a Argentina teve a lição de que Messi precisa de um parceiro no meio e de atacantes que se movimentem na frente. Como está acostumado a jogar no Barça: não como um salvador da pátria, mas como o melhor em um conjunto excelente. Sergio Batista deve repetir a formação nascida no jogo contra a Costa Rica. Aos poucos, aparecerá uma Argentina muito forte.

Já o Uruguai, a cada dia vem mostrando que renasce como grande selecionado mundial. Ainda que não apresente um futebol brilhante, é bastante competitivo. O grande responsável por isso é Tavárez, que trabalhou não apenas no time principal, mas também nas seleções de base. Não é à toa que a celeste tenha chegado às semifinais da última Copa do Mundo, tenha eliminado o Brasil e feito a final do Mundial Sub-17, tenha se classificado para disputar as Olimpíadas de Londres e vá disputar na próxima quarta-feira, contra o Paraguai, as semifinais da Copa América. Tudo isso faz parte de um mesmo processo de renovação e mudança de paradigma - leia-se: sai o Uruguai brigador e catimbeiro, surge o Uruguai técnico e aguerrido, mas sem violência - cujo grande mentor é Oscar Tavarez.

***

Terminou como começou



Não tomo a eliminação do Brasil pelo viés do vexame. Prefiro o viés das lições. A principal: a seleção de Mano Menezes mostrou ao final nada muito diferente do que se vira no começo - um time em formação, sem padrão de jogo formado, com alguma, mas pouca, evolução. Entendo que a Argentina saiu melhor do que o Brasil. Os hermanos encontraram um caminho a ser desenvolvido; nós, nem isso.

Das quatro partidas feitas pelo Brasil, a última foi justamente a melhor. No entanto, após três empates e uma vitória, fica claro que temos muita dificuldade em marcar gols e pioramos no aspecto defensivo. Na frente, o Brasil até melhorou no quesito finalizações, mas não no colocar a bola para dentro... sequer estou me referindo aos quatro pênaltis perdidos.

No aspecto defensivo, jogadores de confiança vêm falhando: zagueiros, laterais e até o goleirão Júlio César. Nem mesmo Lucas Leiva e Ramires mostram-se como uma dupla confiável de volantes.

Não obstante, não há que se busca culpados. Não há propriamente culpados, mas, isto sim, “peças” a serem trocadas. André Santos e Ramires, em primeiríssimo lugar. E, principalmente, há um padrão de jogo a sair da teoria para se consolidar na prática. No papel, Mano tem muito clara a seleção ideal; não obstante, está fracassando em executá-la na prática. É certo que isso requer muita repetição, como também é certo que a insistência vale a pena quando se vislumbra que algo está se encaixando. Não é o caso. Ganso, no Santos - da mesma forma que Messi, no Barcelona - não é salvador da pátria. Joga com Elano e Arouca o auxiliando na armação e para se desvencilhar de marcadores. Não pode ser tomado como único articulador, “O” distribuidor de jogadas, “O” ditador do ritmo, “O” cadenciador. Nem Ramires, nem Lucas lhe servem como anteparo. Para que se continue a apostar em Ganso, é necessário que Mano ouse, colocando um único volante de contenção. O melhor jogo de Ganso foi quando Jadson esteve a seu lado, no primeiro tempo da primeira partida contra o Paraguai. Eis a evidência de um caminho a ser seguido.

O trio de ataque formado por Robinho, Pato e Neymar teve momentos bons e momentos de pouca ou nenhuma inspiração. Foi pior quando cada um se limitava a uma região do ataque – Neymar pela esquerda, Robinho pelo meio e Pato pelo meio –, e melhor quando os três se movimentavam por todos os cantos. Neymar precisa perder uma certa marra que ganhou ao ser destacado por todos, ao ser considerado como “o Messi brasileiro”. Precisa se lembrar de que está na seleção, não no Santos; com a amarelinha, pelo menos a princípio, todos são grandes jogadores, não apenas ele.

Na zaga, da mesma forma que Daniel Alves cedeu o lugar a Maicon, todos os demais precisam de uma sombra, não se sentirem intocáveis. Mesmo Lúcio e Júlio César, ainda que o resultado final seja a manutenção de todos. Como o mesmo Maicon revelou, algum tempo na reserva pode ser muito bom como provocação íntima. Em especial, André Santos precisa de uma sombra ou, na reserva, ser alçado à condição de sombra de Marcelo ou de Adriano.

***

Mano, o ousado medroso


Mano Menezes mostrou seu lado “professor Pardal”. Ou, quem sabe, tenha mostrado seu lado titubeante, pouco convicto. Tenho comigo que Mano passa por um dilema entre ousadia e conservadorismo. Ao combinar os dois, não dá certo. É preciso optar: ser ou não ser... “dunguista”.

Ao colocar Jadson ao lado de Ganso, inova. Ao não observar apenas um volante, é medroso. Ao colocar três atacantes que se movimentam e marcam a saída, opta uma característica positiva da “referência Barcelona”. Ao cair no clichê de que é preciso um atacante de área que sirva de referência, cai no conservadorismo. Ao perceber que Ganso tem qualidades para ser o articulador, aposta em uma potencialidade que existe certo. Ao definir Fred como o centroavante, como fora Romário e Ronaldo, aposta em uma potencialidade que não existe.

Há vários equilíbrios possíveis. Mas é preciso achar o ponto. Ser ousado. Ou não.

A definição de um padrão é fundamental. Até porque, dos principais candidatos ao título em 2014, o Brasil é o mais atrasado.

***

Pênaltis, goleiros e areia


Decisão por pênaltis não é loteria. Tampouco é pura técnica. Penso que seja o mais emocional de todos os momentos ludopédicos possíveis. Assim, em tantos casos, o “melhor” time ou aquele que joga em casa - como Brasil e Argentina, respectivamente - vão para a disputa muito mais pressionados e, portanto, muito mais passíveis de cometerem erros.

No caso do Brasil, o péssimo gramado, cheio de areia, não explica, por si só, as quatro cobranças erradas. Ou melhor, as cinco, já que o paraguaio Barreto também errou. Do mesmo modo, não se pode deixar passar em branco que o estado lamentável do gramado, indigno de figurar em um jogo tão importante de Copa América. Uma coisa que falta, aliás, ao futebol são critérios bem definidos do que seja um gramado passível de abrigar uma partida oficial.

De qualquer forma, apesar de estranho, não é tão surpreendente assim que os quatro brasileiros que cobraram tenham perdido (não considero que o Brasil perdeu quatro cobranças, já que o pênalti é um ato individual, em que pese o jogo ser coletivo). Assim como o tenham perdido Tevez, na partida da Argentina contra o Uruguai, e Falcão Garcia, no jogo Colômbia x Peru.

Mais do que repreender e estigmatizar os cobradores, talvez seja melhor louvar a competência dos goleiros. A propósito, o uruguaio Muslera e o paraguaio Justo Villar foram, sem dúvida, os melhores jogadores de seus times nesses jogos decisivos.

***

A surpresa do último bobo


Ninguém merece mais aplausos nesta Copa América do que a seleção da Venezuela. De suposto bobo, saco de pancadas dos adversários, a Venezuela classificou-se, pela primeira vez em sua história, para disputar uma semifinal.

Time muito bem montado, forte na marcação e perigoso nos contra-ataques, os venezuelanos provaram que não é um simples acaso seu sucesso no torneio. Que o digam o Brasil, com quem empataram por zero a zero, o Paraguai, contra quem buscaram um empate heróico por 3 a 3, e o Chile, sensação do certame, onde joga o badalado Alexis Sanchez, eliminado após perder por 2 a 1.

JFQ

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Para comemorar, sem se iludir



Copa América
Brasil 4x2 Equador

Há alguns dias, quando a seleção brasileira feminina bateu a Noruega por 3 a 0 e a masculina não passou de um empate sem gols contra a Venezuela, vários jornais publicaram foto de uma Marta esfuziante ao lado de um Neymar cabisbaixo. Na ocasião, comentei que, dada a natureza do futebol, não seria de se estranhar que num futuro próximo os semblantes dos retratados se invertessem. Por acaso, a situação das duas seleções se alteraram: enquanto a feminina voltou para casa, eliminada do Mundial (pela enésima vez) pelos EUA, o Brasil de Neymar segue na Copa América, classificado em primeiro no seu grupo.

Contudo, não se deve esquecer a natureza fugaz desse esporte. Da mesma forma, os gritos de gol na partida contra o Equador podem dar lugar ao silêncio vexatório depois do jogo contra o Paraguai, no próximo domingo. Tudo depende da continuidade ou não das evoluções – nem tantas assim, diga-se de passagem – notadas na última peleja. Vamos a ela.

Contra o Equador, as melhores novidades aconteceram do meio para frente: 1) Maicon mostrou-se ótima opção de ataque, nas passagens pela direita, qual um ponta das antigas; 2) Os três atacantes movimentaram-se bastante, não ficando presos a um espaço do campo, e, até que enfim, finalizaram várias vezes: Pato marcou dois gols, Neymar, outros dois, além de arriscar tiros até com exagero, e Robinho chutou bola na trave e marcou um gol legítimo, erroneamente anulado pela arbitragem. Como pontos negativos: 1) Ganso continua perdido, o que deve continuar enquanto não houver um parceiro no meio, como foi Jadson na partida contra o Paraguai; 2) Ramires está afoito, não servindo de opção para as subidas pelo meio ou como auxiliar de Lucas Leiva na marcação; 3) os zagueiros e o goleiro Júlio César, até pouco tempo, inquestionáveis, passaram a falhar com preocupante constância.

Parece ter havido uma inversão no desequilíbrio brasileiro. De uma equipe com boa defesa e articulação/ataque fraco, o que se viu na partida contra o Equador foi um escrete com tendência a marcar e sofrer gols com facilidade. Quanto ao ataque, apesar de Maicon ter jogado muito bem – o melhor em campo –, a seleção não pode depender apenas de suas jogadas pela direita. André Santos também deve servir como opção à esquerda e, principalmente, Ganso deve mostrar a que veio: ser o maestro do time, o ditador do ritmo no meio-campo brasileiro. Mas, repito, o problema de Ganso não é individual, assim como não era o de Messi; da mesma forma que o craque argentino encontrou em Gago um parceiro, Ganso precisa do seu, como foi Jadson. Por falar em Argentina, apesar da vitória brasileira, a seleção de Mano Menezes não demonstrou contra o Equador ter encontrado um padrão de jogo, como se pôde observar na partida dos hermanos contra a Costa Rica.

Quanto à defesa, alguns acertos devem ser feitos no posicionamento dos zagueiros e Júlio César, apesar das falhas – considero apenas o primeiro gol de Caecedo um frango, mas não o segundo –, continua sendo o melhor goleiro brasileiro e um dos melhores do mundo. Em que pesem os comentaristas que batem na tecla da má fase do arqueiro da Inter de Milão, não consigo enxergar Victor ou Jefferson como opções à altura de Júlio César. Enfim, ele merece crédito.

O problema maior está em Ramires: mal na marcação e à frente. Nem rouba as bolas com a pressão veloz outrora observada, nem serve de elemento surpresa a compor o ataque. Se Mano quiser ousar, Jadson seria uma opção, mas que acarretaria na presença de apenas um volante, Lucas Leiva, a ser compensada pela diminuição das subidas dos laterais e/ou em marcação à frente feita pelos atacantes. Aliás, por que o Brasil desistiu da postura de marcar no campo de ataque, como se viu no início do jogo contra a Venezuela?


De qualquer forma, há que se admitir que o Brasil melhorou contra o Equador. No entanto, há também que se lembrar – o placar final muitas vezes obscurece o enredo da partida – que a seleção mostrou um bom futebol apenas no segundo tempo. No primeiro, repetiram-se as mesmas falhas dos jogos anteriores. Para se ter uma ideia, ao final da primeira etapa o Brasil tinha 65% de posse de bola, mas finalizara 5 vezes, contra 6 do Equador. Ou seja, repetiam-se as estéreis trocas de passes das partidas anteriores.

Torçamos para que o Brasil do segundo tempo do jogo contra o Equador retorne contra o Paraguai. Melhor: além disso, que sane as deficiências demonstradas. Comemoremos a evolução, mas com os pés no chão; ainda há muito o que melhorar. A vitória, contudo, é fundamental do ponto de vista emocional: resultado e placar dão confiança, ajudam a desinibir os garotos para a continuidade do trabalho. Em outras palavras, é uma excelente motivação para que, após a partida de domingo, Neymar e companhia continuem a sair sorridentes nas fotos dos jornais.

***

Sabe com quem está falando, professor?

Muito interessante a reação de Mano Menezes a cada gol feito pelo Brasil. Da comemoração no banco de reservas seguia-se o chamamento de algum jogador para instruções (broncas?), levando a reações de revolta por parte dos comandados. Lucas Leiva esboçou inconformidade em relação a alguma crítica do treinador e Thiago Silva chegou a jogar um copo d’água em claro sinal de discordância com alguma reprimenda do “professor”.

Apesar da relação hierárquica, fica a impressão de que o comandante é mais fraco que os comandados. Mais ou menos como se todos soubessem da fragilidade de Mano no cargo de treinador da seleção, podendo cair a cada má atuação do time, ao contrário de jogadores consagrados, certos de que voltarão ao selecionado nacional pelas mãos de um outro técnico.

Mais ou menos como o caso de Pelé que, expulso em uma partida amistosa, voltou a campo, enquanto o árbitro foi substituído. Surreal, pitoresco, etc., mas revelador de que ter estrela, e não apenas o cargo ou a função, é fundamental para manter-se no futebol.

A Mano ainda carece conquistar essa estrela.

***

Em tempo: Ganso mostrou certa timidez ao ser substituído. Não que devesse vociferar contra o treinador, atitude imbecil de jogador marrento, até porque não fez boa partida. O meia do Santos saiu com semblante acanhado, mantendo-se assim no banco de reservas. Paulo Henrique precisa se convencer de que é um craque, não duvidar disso. Ganso tem estrela, mas, por ora, talvez esteja colocando em dúvida sua capacidade de brilhar.

JFQ

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Messi brilhou porque a Argentina mudou ou a Argentina mudou porque Messi brilhou?



Até que enfim, a Argentina mostrou bom futebol nesta Copa América. Mais do que isso, o grande ídolo Lionel Messi também desencantou. Pouco importa se o adversário era a Costa Rica. Os adversários anteriores, Bolívia e Colômbia, que empataram com os argentinos, também eram, no papel, muito inferiores; vale dizer, a Bolívia foi derrotada pela mesma Costa Rica por 2 a 0.

O que aconteceu, não nessa partida, em que a “verdadeira Argentina” se mostrou, mas nas anteriores, quando se viu a caricatura de uma das mais importantes seleções mundiais e do melhor jogador do planeta? Tenho uma hipótese: na partida contra a Costa Rica, o técnico Sergio Batista perdeu o medo de jogar apostando na vocação ofensiva e de toque de bola da Argentina. As quatro alterações que fez - saíram Cambiasso, Banega, Lavezzi e Tevez, entraram Gago, Aguero, Di Maria e Higuain -, menos pelos jogadores e mais pelo reenquadramento tático, possibilitou uma nova postura, uma nova dinâmica e, principalmente, que Messi pudesse jogar tudo o que sabe. E como ele sabe jogar!

Nas partidas contra Bolívia e Colômbia, Batista colocou Messi em uma cilada. Atrás dele, três volantes com características mais defensivas do que de armação; à frente, dois atacantes de lado de campo, cada qual muito isolado, à esquerda e à direita. O craque do Barça ficava sozinho com a responsabilidade de criar jogadas no meio e buscar Tevez e Lavezzi, que, apesar de movimentarem-se bastante, tendem a correr com a bola nos pés, não de receber a bola passada e finalizar de pronto.

A mudança mais ousada foi a colocação de um único volante de contenção - Mascherano - , compensada pela retenção dos laterais para função exclusiva de marcação; aliás, os pesados Zabaleta e Zanetti, ainda que bons jogadores (especialmente o último), atualmente não têm muitos recursos para o apoio.

Gago passou a auxiliar Messi no meio, participando da articulação e, não sendo “La Pulga” o único alvo a ser marcado, dificultou sobremaneira as ações defensivas costa-riquenhas no meio-campo. Além disso, para ajudar ainda mais as jogadas criadas por Messi nas assistências, calharam muitíssimo bem as três opções à frente, Aguero, Di Maria e Higuain. Todos se movimentaram muito e foram premiados com bolas açucaradas, no jeito para a finalização. Dessa forma, apesar da fase (ou característica?) de Higuain, que não consegue enfiar a bola para dentro, considerando a abundância de chances criadas e finalizações realizadas, os três gols foram até pouco.

Em suma, as mudanças no elenco e no esquema tático fizeram muito bem à Argentina e a Messi, que, finalmente, conseguiu melhores condições para mostrar que é, sem dúvida, o melhor jogador do mundo.

Além dos fatores acima, há que se ressaltar as consequências psicológicas positivas da boa receptividade da torcida de Córdoba sobre o escrete argentino. A começar pela presença no estádio do lendário Mário Kempes, que dá nome ao estádio. Isso também tirou muita pressão dos jogadores. Bem melhor do que começar as partidas questionando Messi por não cantar o hino nacional.

***

Lições para o Brasil

A mudança na seleção argentina pode bem servir de lição ao Brasil. Principalmente quanto à assunção de uma postura vencedora. Em outras palavras: para que se “arrisque” a jogar com apenas um volante, há que se estar convencido de que a equipe tem potencial para manter a bola na frente. Eis a lógica: manter a posse de bola e a ofensividade é uma maneira, quiçá a melhor, de proteger-se atrás. Em linguagem popular: o ataque é a melhor defesa.

No caso da articulação no meio, Jadson provou que pode ser o anteparo de Ganso (guardadas as devidas proporções, o nosso Messi). À frente, Lucas Silva poderia compor com Pato e Neymar um trio de ataque a se movimentar como fizeram Aguero, Di Maria e Higuain.

Ramires seria sacado, mas os laterais deveriam ficar mais atrás para não deixar a defesa desprotegida. De qualquer forma, nossos laterais têm mais recursos para apoiar do que os argentinos, o que, eventualmente, seria uma “vantagem comparativa” brasileira.

Claro que não se trata de uma fórmula que sirva a Barcelona, Argentina ou Brasil a qualquer hora e contra qualquer adversário. Cada um tem características, potencialidades e limites distintos, que devem ser sopesados quando das escolhas táticas. Entretanto, há que se considerar, ao menos como uma lição, o jogo da Argentina contra a Costa Rica. Até para que não se faça o samba de uma nota só, como Galvão Bueno, para quem tudo parece se resumir à falta de referência na área. A propósito, talvez seja o momento de o nobre locutor considerar que Ronaldo e Romário não jogam mais, e Fred, apesar de um jogador muito esforçado, pode não ser um salvador da pátria.

JFQ

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pardal Menezes, a volta de Ganso e o apagão defensivo



Copa América
Brasil 2x2 Paraguai

Acompanhando seus colegas de (passado) gigantismo, Argentina e Uruguai, o Brasil novamente decepcionou. Não pelo resultado – empate com o Paraguai não é vexatório, ainda mais na atual conjuntura –, mas pelo modo como a seleção de Mano Menezes deixou escapar o resultado positivo em um jogo cujas rédeas pareciam em suas mãos.

Três destaques: o retorno de Ganso, senão a um futebol brilhante, a uma boa atuação; o apagão da defesa, até então o ponto forte do time; e a fase “professor Pardal” que acometeu o treinador da seleção.

Se Paulo Henrique não fizera uma boa partida na estreia – na verdade, só não foi substituído por absoluta benevolência e confiança de Mano –, contra o Paraguai procurou a bola e protagonizou boas jogadas. Em especial, procurou fazer o que dele se espera: distribuição de jogadas e assistências precisas. Infelizmente, no momento em que isso se deu, os companheiros de ataque e das laterais não ajudaram. A presença de Jadson no meio ajudou Ganso a produzir mais; no entanto, o jogador a menos no ataque parece ter confundido Pato e Neymar, perdidos e confusos. Além disso, nem Daniel Alves, nem André Santos apoiaram as subidas para o ataque, não se sabe se por instrução do treinador ou por incapacidade momentânea, uma vez que o apoio é uma das principais características de ambos.

Aliás, Dani Alves e André Santos fizeram por merecer críticas também na atuação defensiva. Causaram tamanho descontentamento que podem até ceder suas vagas de titulares a Maicon e Adriano, na partida contra o Equador. Os dois gols do Paraguai – que não fez muito mais do que os gols – saíram de falhas bisonhas e seguidas do sistema defensivo. Nos dois gols, os paraguaios aproveitaram a falha de posicionamento de Daniel Alves, bem como de cobertura dos zagueiros Lúcio e Thiago Silva e do lateral André Santos. Juro que cheguei a pensar que a coisa era de propósito, sei lá, talvez como um protesto pela proibição de discursos religiosos como nos tempos de Dunga (será?). Contudo, prefiro crer que foi apenas um momento ruim. Muito ruim! Lúcio e Thiago Silva, além das falhas na marcação, abusaram das tentativas de ligação direta. Justo no dia em que Ganso estava bem na articulação e auxiliado por Jadson!

Por falar em Jadson, o contestado jogador foi a primeira “invenção” do professor Pardal Menezes. Como na partida contra a Venezuela, em que se via problemas no meio e Mano colocou um atacante, Jadson só era opção para início de jogo contra o Paraguai na cabeça do técnico. Elano e Lucas Silva, até pelas alterações anteriores feitas por Mano, eram opções mais esperadas. Não que o treinador deixe Jadson de lado – muito pelo contrário! –, mas parecia certo que no seu esquema só caberia um articulador, no caso, Ganso. Bem, o fato é que a opção deu certo, pelo menos por alguns minutos. Mais do que isso: Jadson foi o autor de um golaço que colocou o Brasil na frente. Só que, para contrariar o ditado futebolístico, Mano resolveu mexer em time que estava ganhando. Após convencer a muitos de que fizera a escolha certa, tirou Jadson para colocar Elano. Qual seria a intenção do treinador? A desvendar.

A seleção tomou os gols já citados, frutos da competência paraguaia, especialmente dos atacantes Santa Cruz e Valdez e do meia Lucas Barrios, e da incompetência defensiva, e passou a ser dominado. No momento em que o meio-campo era perdido, Mano mexeu no ataque. Parece ter ouvido o clamor de Galvão Bueno: falta o atacante de área, falta a referência, falta o centroavante!!!! Só faltou gritar: falta o Rrrrrrrrrrrroooonaaallllldo!!!! Mano colocou Fred, seu novo talismã, que aproveitou ótima assistência de Ganso para marcar o gol de empate no fechar das cortinas.

O empate não foi bom, mas ficou a sensação de que poderia ter sido pior. E, apesar dos pesares, o Brasil está numa situação até menos preocupante que a de Argentina e Uruguai. Ademais, para que é chegado a “superstições estatísticas”, quando o período pré-Copa é ruim é porque o Mundial promete, e vice-versa.

Agora, é bom Mano Menezes colocar as barbas de molho. Já deve haver muita gente dentro e fora da CBF convencida de que Muricy Ramalho não recusaria um convite pela segunda vez.

JFQ

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A solução para a Argentina está no Brasil



A Argentina empatou mais uma vez. De novo, um modorrento zero a zero. Depois da Bolívia, a Colômbia foi a barreira intransponível para os hermanos nesta Copa América. A equipe de Sergio Batista não consegue criar jogadas. A razão talvez seja o esquema montado pelo próprio treinador. Atrás, há uma barreira de três volantes - Banega, Cambiasso e Mascherano - e dois laterais que pouco sobem - Zabaleta e o interminável Zanetti. Na frente, dois atacantes isolados - Lavezzi e Tevez - e o "melhor do mundo", Messi, com a duríssima tarefa de fazer a ligação e ainda chegar para compor o ataque. Messi não está bem, mas, ainda que estivesse, o esquema de Batista o sobrecarrega. As opções no banco são outros atacantes - Higuaín, Aguero, Di Maria, Milito. No entanto, o problema é a articulação no meio.



Tivesse assistido à partida do Cruzeiro contra o Grêmio, também ontem, o técnico argentino talvez ficasse com uma (outra) pulga atrás da orelha: será que esse Montillo não seria útil à nossa sofrida seleção? Oh, se seria! E caso dê uma espiada nesse mesmo país vizinho e rival, veria que há outras opções: D'Alessandro e Conca. Mas o melhor mesmo seria Montillo, em ótima fase. Como não o convocou, melhor para o Cruzeiro.

JFQ

terça-feira, 5 de julho de 2011

Gato por Lebre, Pato por Ganso, La Pulga por El Pibe, Marta por Marta



O final de semana foi movimentado para o futebol. No México, nossa seleção sub-17 garantiu vaga nas semifinais do Mundial da categoria, após vitória contra o Japão, por 3 a 2. Na Alemanha, pelo Mundial feminino, Marta e companhia garantiram a classificação antecipada para os mata-matas, depois de golear a Noruega, por 3 a 0. Finalmente, na Argentina, a seleção de Mano Menezes não passou de um 0 a 0 contra a Venezuela, seleção que resolveu dar trabalho ao Brasil nos últimos tempos. Com este resultado, nossa seleção juntou-se às arquirrivais Argentina e Uruguai como protagonistas das surpresas na estreia do torneio continental. O time de Messi não passou de um empate contra a Bolívia, por 1 a 1, mesmo placar da equipe comandada por Oscar Tabárez, também correndo atrás, contra o Peru. Mas, tratando-se de futebol, os placares não dizem tudo...

***

Messi para Cristo

No país acostumado a tratar Diego Armando Maradona, El Pibe Doro, como um verdadeiro deus, os hermanos resolveram tomar Lionel Messi, La Pulga, para Cristo. O melhor do mundo não convence seus compatriotas, que tomaram Carlito Tevez como o verdadeiro ídolo pátrio. Explica-se: além da pecha de que Messi joga muito no Barça e pouco com a camisa argentina, há o histórico de ter passado toda a carreira, desde a infância, em campos espanhóis. Enquanto isso, Tevez foi ídolo no Boca.


O problema maior é a velha história de tomar um ídolo como redentor. A Argentina – talvez a imprensa mais do que os próprios torcedores – comete o mesmo erro, para não dizer vício, de achar que um grande jogador é capaz de substituir um time bem montado. O Barcelona, por exemplo – como já disse neste blog milhares de vezes –, não é dependente de Messi, apesar deste ser, óbvio, sua grande estrela. Kaká é outro exemplo: na última Copa foi "eleito" salvador da pátria, quiçá como uma última esperança de salvação de uma equipe que não convencia, quiçá para mascarar essa evidência. Ou seja, dá-se a culpa em um jogador pelas mazelas de todo um time. (Obs: não é exatamente este o caso de Ganso no último jogo do Brasil, apesar de haver semelhanças quanto à função de principal jogador).

Outra questão é a comparação entre Messi e Maradona: eis a grande diferença entre ambos. Dieguito resolvia sozinho – que o digam a fraca Argentina de 86 e o limitado Nápoli de 90 –, o que pode ter deixado os hermanos mal acostumados, enquanto Messi depende de bons companheiros ao seu lado.

O técnico Sergio Batista também deu sua parcela de contribuição para o resultado, não apenas por sobrecarregar Messi, mas por abusar do defensivismo contra uma seleção não tão perigosa. Três volantes – Banega, Cambiasso e Mascherano – é um exagero, um “dunguismo” desnecessário, e que não dá ao articulador do time as melhores condições de construir as jogadas. Justo a Messi, que tem Xavi e Iniesta ao lado para armar as jogadas de ataque do Barça! Para piorar, Tevez foi colocado como segundo atacante, um tanto isolado, enquanto o limitado Lavezze fazia as vezes de centroavante.

Há que se considerar, ainda, os méritos da seleção boliviana, bastante aplicada. Assim como a venezuelana e a peruana nos seus respectivos jogos. Sim, não há mais bobos no futebol. Além de não ter nada igual a disputar uma competição sem qualquer pressão para vencê-la.

Aposta: Na próxima partida, entra Aguero, Higuaín ou Di Maria. Talvez dois deles.

***

Entre o princípio e o fim, o detalhe do gol... ou da falta dele


Adryan, revelação do Flamengo e da seleção sub-17


Quem vê apenas os placares dos jogos, não sabe o enredo, às vezes dramático, construído para se chegar a eles. Na partida em que a seleção sub-17 se classificou para as semifinais do Mundial disputado no México, os 3 a 2 podem ser resumidos assim: uma partida em que o Brasil manteve o domínio, fazendo 3 a 0, até que deu uma pane no final. O Japão se aproveitou, em menos de 10 minutos marcou dois gols e, talvez, nossos garotos tenham tido a sorte de que não havia mais tempo para o empate japonês. Agora o Brasil pega o Uruguai na semifinal, com a lição de que não pode bobear, ainda que a vitória pareça irreversível. Na outra semifinal, a Alemanha enfrenta o México. Destaque para a jovem revelação Adryan, que já havia se destacado no Flamengo, na conquista da Taça São Paulo de Juniors: é uma grande promessa.

No caso das seleções principais masculina e feminina, houve uma quase unanimidade em apontar Marta como gênio e Neymar como uma decepção. Em três ou quatro jornais que vi, as manchetes vinham com fotos dos dois, ela comemorando, ele cabisbaixo. Quem toma o placar de 3 a 0 e a informação de que Marta marcou dois, sendo o primeiro um golaço, e que Neymar não conseguiu marcar um golzinho sequer na Venezuela, confirma a ideia transmitida pelas fotos nos jornais. No entanto, há que se ressaltar que a seleção feminina jogava muito mal até o gol de Marta. A atuação das meninas não foi além do que jogaram – ou deixaram de jogar – contra a Austrália. O gol de Marta – após cometer falta, diga-se de passagem, não marcada pela arbitragem – abriu caminho para o resultado e para a arte que se viu após. Vá entender as mulheres! Ou melhor: vá entender o futebol! A melhor explicação, creio, está justamente no gol, esse detalhe, como dizia Parreira, capaz de mudar toda uma tendência, toda a história de uma partida, às vezes de um campeonato.

Só que esse mesmo detalhe – no caso, é um detalhe de fato, um tanto inexplicável de se dizer o porquê de ter ocorrido aqui e não alhures – não aconteceu na partida contra a Venezuela. Ah, se aquele chute de Alexandre Pato não tivesse ficado no travessão! O Brasil começou implacável contra os venezuelanos. Os jogadores entenderam bem a proposta “catalã” de marcar a saída adversária: nos primeiros sete minutos, sete roubadas de bola no campo de ataque. Porém, como o esforço não foi idêntico nas finalizações, o time de Mano Menezes acabou arrefecendo seu ímpeto e entrando na modorrenta troca de passes sem objetividade. Sem o gol no início – que, quem sabe, poderia ter aberto a porteira para uma goleada – a seleção se perdeu em campo.

Sobre as imagens dos jornais, em que pese haver sentido na Marta sorridente e no lamurioso Neymar, não é nada impossível que nos próximos jogos os dois sejam novamente vistos com semblantes totalmente diferentes. A depender de um detalhe capaz de trazer o equilíbrio emocional necessário para os talentosos redescobrirem, de um momento a outro, o talento que jamais deixaram de ter.

***

Desculpas e “comprometimento”


O empate sem gols contra a Venezuela gerou uma série de explicações. Ou melhor, de desculpas, muitas delas nada criativas. O frio e o gramado cheio de buracos e areia são os fatores cuja citação é feita com mais vergonha. Além deles, há a pressão da estreia e a “nova” realidade do futebol mundial, onde “não há mais bobos”. Que o digam, além do Brasil, a Argentina e o Uruguai, que também não passaram de um empate contra Bolívia e Peru!

Aí a explicação já ganha certa sofisticação: a equipe adversária jogou fechada, dificultando as ações ofensivas do Brasil. Tal justificativa, contudo, recai no “dunguismo” de que a seleção só joga bem contra outras grandes seleções, que jogam mais abertas, que também têm a obrigação de vencer. Então, tá. É melhor jogar contra os fortes, o perigo são os fracos... No curto período de Mano, porém, já perdemos para Argentina e França, além de empatar com a Venezuela.

O pior “dunguismo”, porém, não foi esse, mas um certo “comprometimento”, palavra sacrossanta na época do antecessor de Mano, que significava, em suma, que jogadores que vinham de longo tempo no grupo sejam mantidos, ainda que outros estejam em melhor fase. Isso explica, por exemplo, os tantos volantes convocados para a Copa e as ausências de opções, até mesmo táticas, ao se deixar de levar para a África do Sul jogadores como Neymar e Ganso.

Mas, no caso de Mano, o tal comprometimento se deu justamente com Ganso. O santista, tido como fundamental para o novo esquema da seleção, foi mantido na partida, ainda que claramente estivesse perdido em campo e errando muitos passes. Os “milaneses” Robinho e Pato, que vinham relativamente bem – para mim, Pato foi o melhor brasileiro na partida –, saíram para dar lugar a Fred – por que Fred ? – e Lucas; Ganso e o esquema foram preservados. Eis o comprometimento: a preservação de um jogador e de um esquema a qualquer custo. Mano confiou até o fim que, mais cedo ou mais tarde, em um lance, as coisas dariam certo e se encaixariam. Há de se respeitar a opção do treinador. No entanto, também há que se preocupar com o fato de que alternativas táticas devem ser consideradas e que o técnico tem que ser corajoso para tirar de campo quem for necessário.



O problema do Brasil não era tanto o ataque – apesar de as finalizações serem um ponto a se melhorar, e muito! –, mas, sobretudo, a articulação. Sem a bola, o Brasil marcava à frente e a roubava até com certa facilidade. Mas, mesmo com a bola nos pés durante a maior parte do jogo, não sabia como chegar ao gol venezuelano. Pelos lados, tanto André Santos como Daniel Alves não apoiaram com eficiência. Pelo meio, Ramires partia destrambelhado com a bola, sem passar para ninguém, até trombar no marcador adversário. E Ganso, o principal responsável pela articulação das jogadas – quiçá, sobrecarregado –, subia à frente e muitas vezes não voltava para assumir sua principal função de distribuir a bola no meio-campo.

Aposta: Elano deve jogar na próxima partida, com o objetivo de ajudar Ganso no meio, mas sem se descuidar da marcação. Ramires ou Robinho deve pagar o pato (ou o ganso?).

Por fim, uma explicação que merece crédito: a falta de entrosamento. Só se faz o esquema sair do papel e ir à prática com muita repetição, muitas tentativas e erros, muitos jogos. E o Brasil de Mano jogou pouco. Para ser exato, o time considerado ideal, tirando uma “peça” aqui, outra ali, só atuou contra os Estados Unidos e contra a Venezuela, a primeira e a última partidas sob o comando de Mano Menezes. Sim, há que se ter paciência e confiança na capacidade do treinador. Que, aliás, já provou merecê-la. No entanto, este também há de nos convencer que possui um plano B ou C, caso o jogo não esteja fluindo. Se pudesse palpitar, diria que este plano alternativo passa necessariamente por Lucas, o do São Paulo.

***

De bico também pode

Neymar precisa entender que gol de bico também vale. A propósito, eis um problema que nada tem a ver com o treinador, cujas declarações cobrando objetividade do jovem talento santista são abundantes na imprensa. Neymar precisa perder o cacoete do preciosismo. Ouvir o que diz Mano e, se quiser, rever o que fazia muito o hoje responsável pela gestão de sua carreira, Ronaldo Fenômeno.

***

Falta de fair-play e falta (e abuso de) autoridade

Um lance foi muito comentado na partida entre Brasil e Venezuela. Com o jogador venezuelano Miku caído, Ganso prosseguiu uma jogada. Sem ouvir ou sem perceber os clamores para que chutasse a bola para fora de campo, Paulo Henrique tocou para Neymar que arrematou para fora do gol. Ato contínuo, os jogadores da Venezuela partiram para cima, reclamando da “atitude anti-desportiva” de PH. Para piorar, na saída para o intervalo, o técnico venezuelano César Farias partiu para cima de Neymar para tirar satisfações, ao que teria sido empurrado por Mano Menezes.

O que chama a atenção no “causo” não é apenas a falta de fair-play deste ou daquele lado, mas a falta e o abuso de autoridade. No caso de Ganso, não consigo entender por que um jogador deve parar a jogada para o atendimento de outro, e não o árbitro. A ideia é que o juiz não tem autoridade para parar a partida, dependendo do “bom senso” de quem tenha a posse momentânea da bola. Com certo exagero, é como o Estado deixar de assumir responsabilidades que são suas, fingindo que aquelas são dos cidadãos. Quer dizer, os venezuelanos deveriam ter partido em cima do juizão, e não do jogador brasileiro.

Por outro lado, a atitude do treinador da Venezuela, “tirando satisfações” – o que, ressalte-se, é muito comum também entre jogadores dentro de campo, especialmente quando avaliam que outros estão simulando faltas – é outra falta de fair-play, para não dizer um abuso da autoridade, dada a condição de “professor”, não apenas decorrente da falta de bom senso, mas também do vácuo de autoridade deixado pela arbitragem.

***

O último bobo e o fim dos gigantes

Bolívia, Peru e Venezuela fizeram bonito na estreia. Não venceram, mas deixaram de ser goleadas – melhor: deixaram de perder! – pelos “gigantes” Argentina, Uruguai e Brasil, todos campeões mundiais.

Lembro-me quando era uma vergonha não golear a Colômbia ou o Equador. Há muito isso deixou de existir, já que após Valderrama e companhia, de um lado, e Aguinaga e companhia, de outro, essas duas seleções passaram a ser bem mais respeitadas. Outras, como o Peru e a Bolívia, oscilam momentos bons e ruins. Já a Venezuela, apenas há pouco tempo ganhou o status de “time a ser respeitado”. Penso que a Venezuela, inclusive, seja o último dos "bobos" sul-americanos, deixando o continente sem essa espécie futebolística. Melhor para o esporte bretão. Muito embora os outrora gigantes – mesmo o Uruguai, também há pouco renascido à condição de “uma das melhores seleções” – tenham, por seu lado, se apequenado. Ainda assim, aposto: Brasil, Argentina ou Uruguai será o campeão desta Copa América.

JFQ

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Nem brilhante, nem timinho: seleção em formação


Arrisco-me a ser execrado, mas não comungo das vaias e dos gritos de “timinho” alçados contra a seleção brasileira nas partidas contra a Holanda, em Goiânia, e contra a Romênia, em São Paulo.

É certo que o escrete canarinho não foi brilhante, mas também não se lhe pode impingir a pecha de timinho. Na verdade, ainda é um time em formação, passível de testes e sem o entrosamento mínimo desejado. Este, aliás, só virá com a definição de um elenco razoavelmente fixo de titulares – algo ainda mais complicado, dadas as seguidas contusões de Paulo Henrique Ganso, uma “peça” fundamental no esquema de Mano Menezes –, que jogue seguidas vezes.

Vale lembrar que as partidas contra a Holanda e a Romênia foram apenas as sétima e oitavas partidas do Brasil sob o comando de Mano Menezes. Talvez seja também o caso de lembrar aos que pedem a cabeça de Mano Menezes e, especialmente, àqueles que pensam que o Brasil, por ser o único pentacampeão mundial, tem a obrigação de jogar bonito e vencer – até mesmo, de goleada! – contra todos e em quaisquer circunstâncias, que a seleção de Dunga foi absolutamente vencedora nos anos que antecederam à Copa de 2010. É essa a referência de seleção que a torcida brasileira almeja no momento?

Na partida contra a Holanda, Mano colocou os jogadores que, dadas as últimas convocações, compõem o elenco principal, com as ausências dos lesionados Alexandre Pato e P.H. Ganso. O adversário, é sempre bom lembrar, é o vice-campeão mundial – o mesmo que eliminou o Brasil na África do Sul –, que, sob o comando de Bert van Marwijk perdeu apenas duas partidas em 38 jogos, sem uma delas a final da Copa! Destaque-se, ainda, que a Holanda está à frente do Brasil no ranking da FIFA e que, apesar da ausência de Sneijder – na minha opinião, menos importante a esta azeitada versão da Laranja Mecânica do que Ganso ao incipiente selecionado brasileiro –, contava com tudo o que tem de melhor, inclusive o perigosíssimo trio de atacantes, Kuyt, Van Persie e Robben. Em suma, o Brasil não tinha obrigação de vencer – como gostam de vociferar certos comentaristas –, mas de jogar bem. E o fez, sendo o placar de 0 a 0 justo e não condizente às boas chances criadas pelas equipes.

O Brasil criou pouco na primeira etapa e teve dificuldades em conter as investidas do jovem Affelay, que quase abriu o placar, não fosse a ótima intervenção de Júlio César. No segundo tempo, porém, o Brasil se acertou e chegou a esboçar um jogo envolvente, com rápidas e certeiras trocas de passes. Mas isso foi abortado pela entrada violenta e expulsão de Ramirez, em má fase: vem chegando atrasado aos lances, acertando com freqüência o adversário. Daí para frente, o Brasil parou de atacar, mas conseguiu conter a subida da Holanda.

Na partida contra a Romênia, a avaliação do time de Mano passa por duas ponderações: o técnico usou a partida para testar jogadores, em tese, reservas, e se tratava de um jogo de festa para a despedida de Ronaldo. De qualquer forma, a seleção esboçou jogadas de ataque, ainda que com excessiva procura de Neymar e dificuldade para finalizar. Mas o teste serviu para dar ao técnico confiança em relação a jogadores contestados como Jadson e Fred. Lembrando: contestados e reservas.

***
O perfil da seleção de Mano

Após oito partidas sob seu comando, começar a ficar claro o perfil da seleção pretendido por Mano Menezes. Assim como alguns jogadores de sua confiança para preencher as respectivas funções em campo.

O time joga em um 4-4-2, que pode se tornar um 4-3-3, dependendo de como Robinho atue: mais recuado ou mais avançado. Aliás, um esquema muito parecido com o Corinthians de Mano, com destaque para o “meia cerebral” e o “centroavante referência”, no caso, Douglas e Ronaldo.

Os laterais – Daniel Alves e André Santos são titularíssimos – jogam como alas, sem abdicar do dever de marcar.

Quanto aos volantes, Mano gosta de um mais fixo, que jogue mais próximo aos zagueiros – Lucas Leiva é titular certo nesta função; Sandro é o reserva –, e outro, mais leve e que jogue mais à frente. Os volantes, ainda, não devem ter o “estilo botinada” (digamos, à la Felipe Melo), mas devem “mordem” o tempo todo, cercar o espaço do armador adversário, além de saber sair jogando e/ou até chegar eventualmente como jogador de ataque para uma finalização surpresa. Para a função de segundo volante, Ramirez, até então titular, pode perder a predileção do técnico, para alegria de Elias.

O problema de Mano está mais à frente. O “meia cerebral”, articulador, capaz de organizar e distribuir as jogadas de ataque e ditar o ritmo da equipe – enfim, o craque, o camisa 10 da seleção – parece ser o maior de todos os desejos de Mano Menezes. Contudo, para essas características, Paulo Henrique Ganso parece ser candidato único. Todos os demais possíveis candidatos – Jadson, Douglas, Thiago Neves, dentre os já testados – são meros espectros desse jogador. Até mesmo Robinho, Elano e Hernanes já tentaram cumprir esse papel, sem a qualidade vislumbrada em Ganso.

No ataque, Mano gosta de jogar com um centroavante referência – cujo nome do titular ainda não foi consolidado, com ligeira vantagem para Pato – e um ou dois jogadores rápidos e bem abertos pelos lados. Esta função é muito bem cumprida por Neymar, que, na ausência de um outro atacante com características similares, também joga no estilo limpador de pára-brisas – ora na direita, ora na esquerda –, fazendo lembrar, mutatis mutandis, Bebeto na Copa de 1994. Mas também pode ficar apenas pelo lado esquerdo, ficando Robinho pela direita ou outro atacante rápido, como Lucas, do São Paulo, ou Nilmar.

Enfim, esquema, filosofia de jogo ou expressões congêneres, há. Só que em tese. Falta, na prática, consolidá-los. O que virá ao longo dos jogos, assim como o tal entrosamento.

***

Mano não é “dunguista”


Mano Menezes pode ser criticado por várias coisas, menos de ser “dunguista”. Em outras palavras, não tem apreço desmedido por volantões ou por avançar apenas em contra-ataques e não convoca seus jogadores por “comprometimento”.

No que diz respeito a suas convocações, inclusive a último, para a Copa América, ainda que se discorde deste ou daquele nome, foi chamado o que há de melhor no momento. Aliás, para os que pedem a cabeça de Mano, correndo novo risco de críticas severas, também não vejo ninguém muito melhor para comandar a seleção brasileira.

Às portas da Copa América, a um ano das Olimpíadas de Londres e a três da Copa do Mundo, talvez o melhor mantra seja este: paciência e persistência.

JFQ

***

Convocação para a Copa América

Goleiros

Julio César (Inter de Milão)
Victor (Grêmio)

Laterais

Daniel Alves (Barcelona)
Maicon (Inter de Milão)
André Santos (Fenerbahçe)
Adriano (Barcelona)

Zagueiros

Lúcio (Inter de Milão)
David Luiz (Chelsea)
Luisão (Benfica)
Thiago Silva (Milan)

Volantes

Ramires (Chelsea)
Lucas Leiva (Liverpool)
Sandro (Tottenham)
Elias (Atlético de Madri)

Meias

Elano (Santos)
Paulo Henrique Ganso (Santos)
Jadson (Shakhtar Donetsk)
Lucas (São Paulo)

Atacantes

Neymar (Santos)
Robinho (Milan)
Fred (Fluminense)
Alexandre Pato (Milan)