terça-feira, 30 de março de 2010
Toque de Letras
Abaixo, reproduzimos uma crônica de Nogueira chamada “Peladas”, publicada no livro “Os melhores da crônica brasileira”, Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1977, p. 29, extraída do sítio http://www.releituras.com/
Não precisa dizer que é um texto primoroso.
JFQ
***
Peladas
Armando Nogueira
Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa: agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem encosto.
E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol, de bola, de sonho: "eu jogo na linha! eu sou o Lula!; no gol, eu não jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou aqui, já sabe." Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada vaquinha.
Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como está; o outro jogo sem camisa.
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Gérson ou nas mãos de um gandula.
Em compensação, num racha de menino ninguém é mais sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quiçá no meio-fio, pára de estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece um bichinho.
Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, uma número cinco, cheia de carimbos ilustres: "Copa Rio-Oficial", "FIFA - Especial." Uma bola assim, toda de branco, coberta de condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!) jamais seria barrada em recepção do Itamarati.
No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas, coitadinha.
Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava a alma de qualquer bola. Uma pintura.
Nova saída.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola começa a sangrar.
Em cada gomo o coração de uma criança.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Morreu Armando Nogueira
domingo, 28 de março de 2010
Se o clássico é bom, o placar é 4x3
Vivo!
sexta-feira, 26 de março de 2010
Pitacos da Última Rodada
quarta-feira, 24 de março de 2010
O Maior Artilheiro da Seleção Brasileira de Futsal
No Brasil, sujeito chamado Falcão, com a bola nos pés, costuma ser craque. Nos gramados, Paulo Roberto Falcão, é considerado um dos maiores meio-campistas da história do Internacional, da Roma e da seleção brasileira. Nas quadras, um outro Falcão, o Alessandro Rosa Vieira, acaba de sagrar-se o maior artilheiro do futsal da seleção do Brasil em todos os tempos. Com sua habilidade descomunal – parece uma foca com a bola nos pés –, Falcão passou Manoel Tobias ao marcar dois gols canarinhos na vitória por 8x0 contra o Equador, na segunda rodada dos Jogos Sul-Americanos, no último domingo, em Medellín, Colômbia. Falcão atingiu a marca de 279 gols e já traçou a meta: chegar aos 300.
Considerado o melhor jogador de futsal do mundo pela FIFA em 2004, campeão mundial pela seleção em 2008, Falcão também teve sua incursão pelos gramados. Em 2005, jogou pelo São Paulo Futebol Clube, onde, muito embora tenha sido desdenhado pelo técnico Leão, participou das conquistas do Paulistão e da Libertadores daquele ano.
Fica aqui a homenagem deste blog ao genial Falcão, o maior artilheiro da história da seleção brasileira de futsal.
Para ver alguns lances de Falcão no último mundial, eis o vídeo abaixo. Vale a pena!
terça-feira, 23 de março de 2010
Pitacos da Última Rodada
sexta-feira, 19 de março de 2010
Liga dos Campeões Chega às Quartas
segunda-feira, 15 de março de 2010
O Império do Amor... e dos Pênaltis
JFQ
domingo, 14 de março de 2010
Quatro pra lá, três pra cá
JFQ
Bandeiras em Luto
sábado, 13 de março de 2010
Resultado e Novas Enquetes
sexta-feira, 12 de março de 2010
Análise SWOT da Seleção – Parte 2
A Saída de Bola – O Brasil deverá enfrentar times bem fechados, fazendo com que muitas vezes a saída de bola passe por Gilberto Silva e Felipe Melo, o que tira a velocidade e objetividade das jogadas brasileiras.
Dependência de Kaká – Se Kaká não estiver em um bom dia ou muito marcado, a criatividade da seleção fica sofrível, o time de Dunga não tem muitas variedades de jogadas. Além disso, como todos já se questionam, e se Kaká se machucar?
O Lado Esquerdo – Aí o problema não é a qualidade de Michel Bastos ou Gilberto, mas a tendência da equipe de jogar pela direita, de forma previsível. Kaká, Ramires, Daniel Alves, Elano ou Júlio Baptista, todos caem mais para a direita do que pela esquerda.
A Rigidez Tática – A seleção só jogou de uma forma desde que Dunga assumiu, ganhando ou perdendo, contra Bolívia ou Itália, sem nenhuma variação. Se isso serve para um bom entrosamento, também serve muito para técnicos adversários bloquearem nossas jogadas. Geralmente as seleções enfrentam o Brasil marcando forte no campo de defesa, causando grandes dificuldades para chegarmos ao gol. Foi o que aconteceu nas Eliminatórias, jogando em casa: 0x0 com Bolívia, Colômbia e Venezuela. Será que dói muito testar a equipe com só um volante?
quinta-feira, 11 de março de 2010
Pitacos da Última Rodada

terça-feira, 9 de março de 2010
Decidam com Moderação
Questão derivada: diante disso, Dunga deve ou não levar Adriano para a África do Sul? A questão tem duas vertentes: uma propriamente futebolística e outra, digamos, humana. A futebolística: Adriano, física e psicologicamente debilitado, continuaria sendo a melhor opção para a reserva de Luís Fabiano ou seria melhor chamar outro atacante? A questão humana: a própria reabilitação da pessoa, e não só do jogador, justificaria o risco de sua convocação? Ou não, pela preservação do grupo e para “não repetir os erros de 2006”?
Aliás, o corte de Adriano beneficiaria ou prejudicaria o grupo? Se, por um lado, pode-se aventar a velha necessidade de retirar a “maçã podre” para não contaminar as demais, por outro, há que se considerar o apreço dos demais jogadores por Adriano e a motivação adicional em tentar reerguê-lo como jogador e como pessoa.
Há, ainda, um outro nó a ser desatado por Dunga. Na verdade, um belo paradoxo ético. Sendo a seleção brasileira patrocinada por uma marca de cerveja e o próprio Dunga seu garoto propaganda, até que ponto essas pessoas têm moral para tecer qualquer juízo sobre o comportamento de Adriano, decidindo sobre seu destino? Sim, a decisão sobre a ida ou não do atacante flamenguista à Copa cabe a Dunga, independentemente dos patrocínios da seleção. No entanto, o caso de Adriano é um exemplo que bateu violentamente à porta da seleção: exemplo dos malefícios trazidos pelo álcool, exemplo de que o consumo de bebidas alcoólicas deve ser contido, o que requer, além do pífio alerta “beba com moderação”, restrições à sua publicidade. Especialmente quando relacionada a práticas esportivas e a ícones do futebol como a seleção brasileira e seu técnico.
A decisão sobre o corte de Adriano deve ser feita ponderando-se todas essas questões. E, posteriormente, uma outra decisão deve ser tomada: não obstante os inegáveis ganhos financeiros, vale a pena associar a imagem da seleção brasileira a uma bebida alcoólica?
CBF e Dunga: decidam com moderação!
Adriano: força para sair da dependência! Seja um guerreiro de verdade: deixe de ser “brahmeiro”!
JFQ
Em tempo: Além de Dunga, já vi comerciais da Brahma com Luis Fabiano e Ronaldo. Nunca os vi, porém, com Kaká e com Adriano. Quanto àquele, presumo que seja uma escolha do jogador, uma vez que é evangélico. Quanto a este, por razões óbvias, a restrição deve vir da própria Brahma.
Para quem não viu o comercial com Dunga, eis o link: http://www.youtube.com/watch?v=lMkoljwIMYg
* * *
Sobre a questão do patrocínio da Brahma à seleção brasileira, vale muito a pena ler o artigo de Ruy Castro, publicado na Folha de S.Paulo de ontem, 08/03/2010, transcrito abaixo. A propósito, também vale a pena ler o livro de Castro, “Estrela Solitária: um brasileiro chamado Garrincha”, biografia de um dos maiores craques da história do futebol brasileiro e mundial, também vítima do alcoolismo. (JFQ)
Guerreiros e zuzus
Ruy Castro
O que é mais “imoral” na TV? A socialite Paris Hilton se esfregando numa garrafa de cerveja ou o treinador da seleção brasileira, Dunga, batendo no peito e se dizendo “brahmeiro”? A meu ver, Dunga. Mas Paris Hilton é que foi censurada.
Você dirá que, no comercial, Dunga não fala brahmeiro, e sim, guerreiro. Mas, passados os tambores, representando a batida no peito, ouve-se o locutor dizendo brahmeiro. A associação é clara: Dunga é guerreiro porque é brahmeiro. É mais claro do que imaginar que Paris Hilton esteja cometendo sexo. Aliás, ela não parece mais devassa do que tantas modelos brasileiras em outros comerciais, inclusive de iogurte.
Não sei se o comercial de Paris Hilton, antes de ser evaporado, era exibido durante o dia. Mas o de Dunga passa a toda hora entre desenhos animados e jogos de futebol, ao alcance de criancinhas mamíferas, garantindo os bebuns de amanhã. De novo as companhias de cerveja impõem a ideia de que cerveja não é bebida alcoólica, embora o próprio Ministério da Saúde acuse que nossos garotos começam a bebê-la cada vez mais cedo e já existam casos frequentes de alcoolismo aos 12 anos.
O Brasil, um dos países mais permissivos do mundo, não se deixaria abalar pela lascívia de uma perua estrangeira, tendo abundante oferta de matéria-prima nacional. Mas a ligeireza com que se tratam questões de saúde pública vive nos apresentando a conta. A escalada do crack, por exemplo, foi prevista há 15 anos e passou em branco por vários ministros da Saúde, alguns dos quais concentrados em sua ideia fixa de perseguir tabagistas.
Quero ver se Dunga continuará tão satisfeito de ser “brahmeiro” se, na Copa, algum jogador se exceder num dia de folga e voltar zuzu para a concentração, batendo no peito e se dizendo “guerreiro”.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Homenagem às Mulheres
A propósito, como uma segunda homenagem às mulheres, repudiamos veementemente o palpite infeliz do goleiro Bruno, do Flamengo. Para defender o amigo Adriano, que foi às vias de fato após discussão com a noiva, Bruno questionou aos repórteres: “Quem nunca discutiu com a mulher, quem até não saiu na mão com uma mulher?”, concluindo: “Em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Então tá!
Para o goleiro, “sair na mão” com mulher realmente parece coisa banal da vida. A ex-namorada de Bruno, Eliza Samudio, já registrou queixa contra o goleiro por sequestro, agressão e ameaça. Além disso, Bruno era o anfitrião em festa realizada em Ribeirão das Neves (MG), em 2008, em que duas garotas de programa teriam sido agredidas pelo jogador Marcinho, então colega de Bruno no Flamengo.
Talvez seja prudente para o goleiro lembrar que o Flamengo é hoje presidido por uma mulher, a ex-nadadora Patrícia Amorim, que criticou seu pronunciamento. Seria mais prudente ainda a Bruno dar uma olhadinha na Lei Maria da Penha, promulgada para punir machões como ele que, às vezes, “saem na mão” com a mulher como se fosse o exercício de um direito natural. Para ajudá-lo, vai aí o link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm
quinta-feira, 4 de março de 2010
Análise SWOT da Seleção – Parte 1
Em breve, na parte 2, as fraquezas.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Pitacos da Última Rodada

Emocionante o clássico da rodada: Santos 2x1 Corinthians. A nova geração de meninos da Vila soube impor seu futebol alegre a um Corinthians nitidamente nervoso. Aliás, exceção feita à expulsão de Roberto Carlos, não há o que reclamar da arbitragem de José Henrique de Carvalho. O Corinthians fez muitas faltas, reclamando do juiz como se não as tivesse feito, inclusive no pênalti infantil cometido por Roberto Carlos.
A propósito, Neymar, talvez a maior promessa do futebol brasileiro e convocação certa para a seleção pós-Copa da África do Sul, precisa deixar as firulas e catimbas de lado. O goleiro corinthiano Felipe teve uma motivação extra para pegar o pênalti, após Neymar ter feito a gracinha de ir ajeitar a bola como se estivesse fora da marca da cal.
Paulo Henrique, o Ganso, outra promessa santista, exagerou um pouco nas faltas – tanto que levou cartão amarelo –, mas também deixou a marca do seu talento em campo. Do lado corinthiano, destaques positivos para o goleiro Felipe e para Dentinho, e destaque negativo para Elias, um tanto desligado em campo, errando passes em demasia, muito longe daquele bom jogador do meio da semana, na Libertadores.
Enfim, mesmo sem Robinho e correndo sério risco de ver uma vitória certa transformada em um frustrante empate – Tcheco perdeu um gol incrível no final do jogo – ao trocar a objetividade do gol pelos floreios e olés num momento de “já ganhou” (Madson também entrou em campo com esse espírito), o fato é que o Peixe foi claramente superior ao Timão. Mereceu a vitória e reafirmou sua condição de líder e, na minha opinião, favorito à conquista do título.
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Além de Neymar, o grande destaque da rodada foi o novo são-paulino Fernandinho. Contratado pelo tricolor junto ao Barueri – aquele time de Presidente Prudente –, após disputa com outros grandes clubes, a revelação Fernandinho mostrou a que veio. O São Paulo meteu 5 a1 no Monte Azul, e Fernandinho assinalou 4! Ótima contratação e futura dor de cabeça para os adversários do São Paulo.
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Após a boa estreia do técnico Antônio Carlos no comando do Palmeiras, na vitória contra o São Paulo, eis que a bruxa voltou a sair da toca. O Palmeiras conseguir perder para o lanterna Rio Claro, por 1x0.
A pergunta volta: agora vai, Verdão?
Copa do Brasil
Os times de segunda e terceira divisões, como fazem tradicionalmente, aprontaram para cima dos grandes na Copa do Brasil. É sempre bom lembrar que Criciúma, Santo André e Paulista de Jundiaí já foram campeões, além do que Brasiliense e Ceará já foram finalistas.
Santos e Fluminense, como já ocorrera ao Palmeiras, não conseguiram eliminar a segunda partida contra seus, em tese, frágeis adversários. O Peixe fez só 1x0 no Naviraiense-MS e o Flu, no sufoco, empatou por 1x1 contra o Confiança-SE. No caso do Verdão, a classificação veio em seguida, numa vitória tranquila contra o Flamengo do Piauí por 4x0 em pleno Parque Antarctica (xô, Asa de Arapiraca!).
Destaque para Obina, autor de cinco gols na acachapante vitória por 7x0 do Atlético Mineiro contra o Juventus do Acre.
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Quero deixar aqui registrado: na Copa do Brasil, aposto que o Botafogo de Joel Santana será o campeão, mesmo tendo perdido a primeira partida contra o São Raimundo-PA por 1x0. Esse torneio exige garra, aplicação e capacidade de superação, atributos que o Fogão já mostrou ter.
Além do mais, o Flamengo não está disputando a Copa do Brasil...
Libertadores
Cruzeiro, Flamengo e Corinthians passaram algum sufoco, mas venceram suas partidas na Libertadores, todas em casa. Os dois últimos, aliás, fizeram suas estreias no mais almejado dos torneios deste ano.
O Cruzeiro, após estar empatando por 1x1 contra o Colo Colo do Chile, arrancou uma vitória até certo ponto tranquila por 4x1. Já o Flamengo, mesmo com a expulsão boba de Williams no comecinho do jogo, conseguiu, mesmo com um jogador a menos, vencer o Universidad do Chile por 2x0. E o Timão, na obsessiva luta pela primeira taça sul-americana, tomou um gol logo aos 36 segundos, mas virou o jogo, vencendo por 2x1. Destaque para Elias, autor dos dois gols alvinegros, e menção honrosa para os até aqui apagados Souza, Tcheco e Roberto Carlos. Além de Mano Menezes que, arriscando em substituições improváveis – Souza no lugar de Defederico e Jucilei no de Alessandro –, melhorou a movimentação do time em campo.
Na quinta, o São Paulo pegou o Once Caldas, seu algoz em 2004, e, mesmo com Rogério Ceni tornando-se o maior artilheiro são-paulino em Libertadores, com 11 gols, não conseguir segurar o adversário colombiano, que venceu por 2x1.
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Lição da rodada: o “fator casa” mostra-se de fundamental importância nesse início de Libertadores. No caso dos times brasileiros, para o bem e para o mal.
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Aposto no Corinthians como campeão, por motivos semelhantes àqueles que utilizei para justificar meu palpite no Botafogo na Copa do Brasil. Além, é claro, de óbvias razões sentimentais.
E é bom lembrar: Palmeiras e River Plate não estão participando da Libertadores neste ano...
Pênaltis
A paradinha de Fred, no jogo do Flu contra o Confiança, e o chutão à la Baggio de Vagner Love, no Flamengo x Universidad Católica, são exemplos de cobranças de pênalti ousadas, arriscadas e, no caso, desperdiçadas. Após a moda do toque de leve no meio do gol – Marcelinho Carioca adorava chutar assim – e do retorno da paradinha, estou ficando convencido de que a melhor opção para o momento é o velho feijão com arroz: escolher o canto e bater firme.
Contagem regressiva para Rogério Ceni
No último jogo pela Libertadores, o goleiro são-paulino atingiu a marca histórica de 11 gols nessa competição. Superou Pedro Rocha, Palhinha e Müller, todos com dez gols, tornando-se o maior artilheiro tricolor de todas as Libertadores. Marca fantástica para um goleiro. Além disso, o gol foi o 88º de sua carreira na contagem oficial (extraoficialmente, Ceni conta 90 gols). Ou seja, considerando que Rogério deve jogar mais dois ou três anos, pode começar a contagem regressiva para o centésimo gol deste extraordinário goleiro. O que, para alguns comentaristas, equivaleria ao feito de 1000 gols para um jogador de linha.
Roberto Carlos, o exaltado
Caso ainda tenha pretensões de vestir a camisa da seleção em 2010 – algo muito, muito improvável – , o veterano lateral do Corinthians precisa compreender que marcar em cima, apertar o adversário, não significa aplicar faltas bruscas a todo momento. Roberto Carlos estreou contra o Bragantino, dando um carrinho despropositado, atingindo o banco de reservas corinthiano. Contra o Palmeiras, foi expulso com justiça após carrinho violento por trás em Clayton Xavier. Contra o Racing, tomou cartão amarelo de bobeira ao atingir, por trás, o zagueiro do time uruguaio. Contra o Santos, em vez de apenas cercar o meia Marquinhos, atingiu a perna deste, também por trás, provocando pênalti. Em poucos jogos pelo Timão, protagonizou as mencionadas cenas, típicas de jogador jovem, inexperiente – o que, definitivamente, Roberto Carlos não é – e já foi expulso duas vezes.
Enfim, Roberto: menos, menos!
O drible e o bullying no futebol
Sou absolutamente favorável ao drible e contra a interpretação de que se trata de um recurso antiético, destinado a subestimar o adversário. Pelo contrário: o driblador é o verdadeiro artista da bola e quem faz uma falta contra ele deve ser prontamente punido, não sendo admissível o argumento de “legítima defesa da honra”. A propósito, pode-se dizer que defensores como Gamarra ou Baresi eram craques, justamente por conseguirem impedir o drible sem cometer faltas.
Porém, há que se distinguir o drible – arma do craque, do jogador habilidoso – que objetiva o gol ou, pelo menos, o espetáculo (o que também é legítimo) da mera galhofa, da humilhação intencional e desrespeitosa contra o adversário. Esta, sim, deve ser coibida, por ter a única intenção de provocar o adversário, enervá-lo e, se possível, provocar sua expulsão. Fico com a impressão de que esse expediente seria uma forma de bullying – a prática de humilhações que jovens, nas escolas, utilizam como forma de autoafirmação às custas da honra alheia, dos mais fracos ou mais desprotegidos.
O lance em que Neymar, do Santos, dá um chapéu em Chicão, do Corinthians, é exemplo deste último, já que a bola nem mais estava em jogo. Também são exemplos disso as reboladas de Edmundo quando ficava à frente do adversário ou as famosas embaixadinhas de Edilson na final do Paulista de 1999 entre Corinthians e Palmeiras. O problema é que esses jogadores, em foco na mídia, são exemplos para outros jogadores que passam a imitá-los.
JFQ